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Parque dos Príncipes

Espaço dedicado à cobertura do Campeonato Europeu de Futebol de Selecções a decorrer em França de entre 10 de Junho e 10 de Julho

Parque dos Príncipes

Espaço dedicado à cobertura do Campeonato Europeu de Futebol de Selecções a decorrer em França de entre 10 de Junho e 10 de Julho

03
Jul16

Alemanha 1 - 1 Itália (6-5 em Grandes Penalidades): O Fim da Maldição Italiana Sobre a Alemanha


J.G.

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Foi mesmo uma espécie de final antecipada com golos, prolongamento, penaltis, emoção e final histórico. Pela primeira vez a Alemanha elimina a Itália numa fase final de um Euro ou Mundial. Foi muito sofrido mas os campeões mundiais abateram mesmo a sua besta negra.

 

Vale a pena recuperar o começo da partida que pode não ter sido muito espectacular em pormenores técnicos mas foi gigante em termos tácticos. Desde logo com a Löw a surpreender ao apostar num 3-5-2 deixando de fora o melhor jogador da eliminatória anterior, Draxler. O treinador alemão mostrou ter compreendido muito bem o sucesso dos azuis contra os ainda campeões europeus espanhóis e não hesitou em mexer no seu sistema táctico. Basicamente, criou um espelho à táctica preferida de Conte e anulou qualquer vantagem que os italianos pudessem ter a meio campo. Löw também percebeu que a posição "6" de Itália sem De Rossi teria que viver de improviso e o facto da equipa italiana estar quase toda condicionada com cartões amarelos que ameaçavam os jogadores de perderem uma meia final foi bem explorado.

 

Por seu lado, a Itália não se mostrou muito incomodada com a aposta táctica alemã e mostrou-se confortável na sua postura defensiva baseada naquele autêntico muro formado pelo trio Barzagli, Bonucci e Chiellini. 

As equipas encaixaram-se no tal espelho de sistemas e a um ataque mais paciente, organizado e de posse de bola da Alemanha, os italianos respondiam com transições rápidas sempre procurando a velocidade de Eder e o posicionamento forte de Pellè. 

Acabou por ser uma primeira parte muito interessante embora sem grande oportunidades devido a anulação defensiva mutua.

 

Na 2ª parte a Alemanha assumiu ainda mais as despesas do jogo e estabilizou após o sobressalto de ter perdido cedo no jogo Khedira por lesão, Schweinsteiger na parte complementar entrou bem no jogo. A Itália acusava a pressão e o crescimento alemão na partida. Florenzi negou de forma acrobática o primeiro golo e Buffon ia chegando para tudo o que o seu trio de centrais não varria. Em 4 minutos, três italianos viram cartão amarelo anunciando o que aí vinha.

Aos 65' a Alemanha consegue criar desequilíbrios no lado esquerdo do seu ataque, enorme desmarcação de Gómez pela esquerda, o avançado deixa para Hector, que cruza rasteiro para Özil concretizar, sem hipótese para Buffon.

Era uma vantagem merecida para quem mais procurou ganhar. 

 

Esperava-se forte resposta transalpina mas foi a equipa de branco e preto a continuar por cima e só não resolveu o jogo porque Buffon mostrou toda a sua qualidade com uma defesa lendária que manteve a Itália em jogo.

O capitão italiano não só negou um golo fabuloso a Gómez com ainda motivou a sua equipa a ir à procura do golo. Pellè não conseguiu, pelo meio Gómez também sai lesionado dando o lugar a Draxler. Mas foi Boateng a ressuscitar a Itália com uma abordagem ridícula na sua área com os braços levantados mesmo a pedir que a bola lhe tocasse e desse penalti. Foi o que aconteceu. Bonucci agradeceu e empatou.

Um jogo que a Alemanha tinha na mão acaba por ir para prolongamento e o fantasma da tradição que apura sempre os italianos voltou forte.

 

Mesmo sem grandes oportunidades, o rigor táctico esbatia-se por esgotamento físico e o jogo ameaçava cair para qualquer lado se alguém fraquejasse num momento certo. Não aconteceu e tudo se ia decidir nos penaltis.

Conte lançou no prolongamento Insigne e Zaza, o último, claramente, como trunfo para os penaltis.

Löw só mexeu mesmo por obrigação de lesões e ficou com uma substituição por fazer ao fim de 120' dando sinal claro de confiança para os que jogaram.

 

A Alemanha é conhecida por não perder jogos em penaltis mas como do outro lado estava a Itália a emoção durou até ao fim.

Müller, Özil e Schweinsteiger falharam os seus penaltis, coisa tão rara que os adeptos alemães temeram o pior mais do que uma vez. Mas Zaza, Pellè e Bonucci não fizeram melhor, para Darmian deitar tudo a perder. Hector marcou o penalti decisivo e lançou a Alemanha para as meias finais.

A vitória fica bem aos campeões do mundo que procuraram mais o golo mas Buffon não merecia sair assim deste Euro. 

Com a besta negra abatida, a Alemanha é mais candidata que nunca.

 

 

27
Jun16

Itália 2-0 Espanha: Supremacia total


RSolnado

Jogo grande do cartaz dos oitavos de final, entre os finalistas de 2012. A Espanha apresentou a mesma equipa dos três primeiros jogos, do lado italiano Candreva lesionado foi rendido por Florenzi, De Sciglio o escolhido para jogar à esquerda.

Logo no primeiro minuto se percebeu a tal surpresa que Conte tinha preparada para a Espanha. Uma pressão feita logo à saída da área contrária, e sempre com Pellé a condicionar Busquets. Não respirava a Espanha, optando por sair em jogo directo, onde as torres italianas e da Juventus davam conta do seu antigo colega Morata. Durante a primeira parte a Espanha não conseguiu chegar à área contrária uma única vez em posse de bola.

Sem espanto, foi a Itália a criar perigo ainda nos primeiros dez minutos De Gea respondeu com uma grande defesa a um cabeceamento de Pellé e depois a uma bicicleta de Giaccherini, anulada por falta (que falta?) pelo árbitro turco. Sem se distrair e mesmos abrandando um pouco a profundidade da sua pressão, a Itália continuava com a Espanha no bolso.

E ofensivamente, com processos simples mas eficazes, o perigo espreitava. Sergio Ramos ficou perto de um auto-golo perto da meia-hora, e logo a seguir fica ligado ao primeiro golo do jogo. Falta em zona proibida, livre em posição frontal. Éder bateu forte e De Gea procurou agarrar mas o remate levava fogo, má decisão do GR espanhol, no ressalto toda a defesa foi muito lenta e o golo chegou: do pé de Gea contra a perna de Giaccherini, sobrou para Chiellini, que perdeu a final de 2012 por lesão, encostar para golo.

Teria de reagir a Espanha, e conseguiu então o seu único remate da primeira parte – e mais pareceu um passe a Buffon. Sem reagir, a Espanha só não foi em maior desvantagem para o intervalo porque De Gea voou para travar o remate de Giaccherini. A Itália respirava confiança na saída para o intervalo.

Del Bosque tirou Nolito e lançou Aduriz. Agora com 2 avançados para jogar na área, aguardavam-se as mudanças. E até arrancou a pressionar, e de bola parada Morata cabeceou à figura. A Itália baixava um pouco as linhas, mas mantendo-se bem posicionada e condicionando a acção de Busquets e Iniesta. A de Fabregas não era preciso condicionar, como é que Thiago não saiu so banco?

Aos 55’ o contra-ataque italiano quase resolvia o jogo, Éder isolou-se mas De Gea com uma enorme mancha voltou a deixar a equipa no jogo. O jogo espanhol só abanou com a entrada de Lucas (saiu Morata), que tentou dar nova dinâmica. Numa das poucas boas jogadas colectivas, Aduriz rematava ao lado.

Seria a hora de Buffon, sim a Itália estava muito bem mas há momentos em que o guarda-redes diz presente, aos 75’ negou o golo a Piqué com um voo a remate exterior, e aos 84 ‘ fez uma defesa soberba a cabeceamento do central do Barcelona. Conte tinha refrescado a equipa e no começo do período de descontos, o golpe final. Darmian a subir e aproveitar o caos na defesa contrária, cruzamento a desviar num defensor mas a não sair da rota de Pellé, que rematou em volley tal como contra a Bélgica.

Ponto final, adiós a uma Espanha que entrou bem no Euro mas não encarou o jogo com a Croácia com a seriedade devida, e “emparelhou” com uma Itália que já todos tinham visto estar forte. Conte quer sair em grande, e agora terá novo grande desafio pela frente: A Alemanha. Se a Alemanha ainda não sofreu golos, a Itália “titular”, com Buffon e companhia, também não.

Vamos ter um novo campeão da europa.

Homem do jogo: Buffon (em nome de toda a equipa, e com menção honrosa a De Gea que manteve a Espanha no jogo).

22
Jun16

Itália 0-1 Irlanda : a força dos adeptos!


Pedro Varela

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A Itália já estava apurada e em primeiro lugar, Conte mexeu, e muito, na equipa fazendo oito alterações. Previsível, pois há que começar a preparar o embate de gigantes contra a Espanha nos oitavos de final.

A Irlanda trocou o eixo da defesa com a entrada dos centrais Duff e Keogh, e no meio campo Martin O'Neil colocou Murphy e McClean, este último com uma excelente exibição. A vitória era o único resultado possível para continuar em prova.

 

O que assistimos hoje foi uma vitória do futebol. Não me entendam mal, não pensem que é algo contra a forma de jogar da Itália, nem poderia dizer isso do jogo de hoje, mas este crer, vontade dos Irlandeses suportado pelo incríveis adeptos compensou tudo, por isso no final foi fantástico ver aquela volta ao estádio entre choro e risos numa união perfeita.

Já para não falar daquele abraço de Buffon a Martin O'Neill e a Roy Keane logo imediatamente após o apito final. Quem é grande, grande sempre será e o guardião italiano demonstrou-o. O futebol agradece!

 

As principais oportunidades de jogo foram para a Irlanda. Melhor na primeira parte, com mais posse de bola e a atacar com maior clarividência, com lances perigosos de Hendrick, Murphy e Duffy. A Itália só perto do intervalo é que deu um ar da sua graça num bom remate de Immobile, para logo de seguida a Irlanda reclamar uma grande penalidade sob McClean. Intervalo, o nulo subsistia!

 

A segunda parte começa com um bom lance de Zaza, a Itália não estava em campo para facilitar, apesar das inúmeras alterações na equipa titular, mas a Irlanda voltou a tomar conta do jogo, embora, durante mais de 20 minutos sem grande pressão e a certa altura, parecia incapaz de marcar o golo que valia a qualificação inédita para os oitavos de final.

Até porque a Itália colocou Insigne em campo, jogador importante na ligação entre sectores, e que teve aos 77' a melhor hipótese do jogo ao atirar ao poste de Randolph.

 

A 5 minutos do fim, os adeptos Irlandeses foram do desespero à loucura em 60 segundos. Hoolahan a falhar de forma incrível o golo, grande defesa de Sirigu que substituiu Buffon, para, praticamente a seguir, Brady marcar o golo que deu a vitória e a qualificação histórica.

Agora segue-se a França nos oitavos de final, mas para já, o Euro já lhes sorri e de que forma. Bravo!

 

Homem do jogo: Robbie Brady

 

 

17
Jun16

Itália 1-0 Suécia: Italianos nos oitavos!


RSolnado

 

Nas equipas iniciais, Conte trocou Darmian por Florenzi, que estranhamente jogou na esquerda e não mostrou grande capacidade para tal. O homem da Roma sente-se melhor do lado direito e revelou dificuldades para se integrar na manobra da equipa. Do outro lado Ekdal rendeu Lewicki, e Guidetti rendeu Berg.

Uma primeira parte sem sal nem pimenta, foram 45 minutos de tédio sem qualquer perigo junto das balizas. Somente 2 remates para cada lado e apenas um à baliza. As equipas muito encaixadas, a Itália a apostar na saída controlada e nos passes directos com a bem coordenada defesa sueca a dominar nas alturas. Tal como no primeiro jogo, a Suécia mostrou uma enorme falta de ideias com bola. A equipa raramente se desorganiza, mas para ganhar jogos é preciso marcar golos, para marcar golos é preciso criar situações para tal.

Na etapa complementar o jogo pouco mudou. A Itália entrou mais pressionante e numa par de cantos e alguns cruzamentos levou perigo relativo à baliza de Isaksson. O jogo foi seguindo sem muito entusiasmo e não mudava de paradigma. Pobre Suécia ofensivamente, Itália pragmática, a correr poucos riscos. Aos 60’ começou a dança dos bancos, Pelle deu lugar a Zaza apostando assim Conte num ataque mais móvel, já que a defesa sueca estava a dar conta do mais posicional Pelle.

A Suécia iria terminar o jogo sem nenhum remate à baliza. Aí vão 180 minutos no Euro e nem um remate enquadrado…a melhor ocasião deste jogo veio num lance de fora de jogo, Zlatan à boca da baliza teve um falhanço incrível, mas estava em posição irregular. Se não estivesse, tinha razões para dar umas valentes cabeçadas no poste.

Conte tirou o amarelado De Rossi e lançou Thiago Motta, e foi colocando o jogo no frigorífico até ao golpe final. Aos 82’ o aviso italiano. Giaccherini apareceu no jogo com um cruzamento perfeito para a entrada de Parolo nas costas da defesa, o cabeceamento foi à barra. Aos 88’, o golo da vitória: lançamento lateral longo de Chiellini executado de forma rápida, Zaza a ganhar de cabeça e assistir Éder, o italo-brasileiro ainda tinha força para arrancar em velocidade em diagonal da esquerda para o meio a fugir à defesa, atirando forte e colocado sem hipóteses para Isaksson!

Mais um golpe à italiana, o 2x0 ainda espreitou mas Isaksson negou o golo a Candreva. Apito final, dois jogos e seis pontos depois a Itália já está nos oitavos de final, e caso a Irlanda não vença a Bélgica amanha, até fica já com o primeiro lugar garantido no Grupo E. Nada mau para aquela que era a pior Itália de sempre. A Suécia terá de reinventar o seu futebol no derradeiro jogo para não ficar pela fase de grupos.

Homem do jogo: Éder

13
Jun16

Bélgica 0 - 2 Itália: A Promessa Falhada e a Prometedora Cínica do Costume


J.G.

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 Já se desconfiava que estava em Lyon a possibilidade de termos o primeiro grande jogo do torneio. Confirmou-se mas pelas razões erradas.

O futebol atacante da Bélgica não foi eficaz mas deu uma enorme dinâmica à partida, os italianos mostraram o que é eficácia a defender e a atacar. Um golo aos 32' deixou a equipa de Conte em vantagem mas o resultado esteve em aberto até aos 92' quando Pellè fechou a partida.

 

Comecemos pela Bélgica. É uma verdade universal que os belgas vivem uma geração de grandes talentos com jogadores espalhados por alguns dos melhores clubes da Europa. Já há dois anos se esperava algo de especial desta rejuvenescida Bélgica.Os jogadores têm evoluído, há cada vez mais opções de qualidade, especialmente do meio campo para a frente, portanto, era de esperar uma melhoria significativa em relação ao último grande torneio internacional. A verdade é que continuamos a detectar as mesmas falhas nos diabos vermelhos, a mais valia individual é incapaz de formar um colectivo forte, ambicioso e desafiante. Como no banco de suplentes quem continua a mandar é o mesmo Marc Wilmots, somos obrigados a concluir que o principal problema belga é de liderança.

 

Podemos discutir se Carrasco não devia ser titular depois do bom final de época no Atlético e questionar o tempo de jogo que Lukaku esteve em campo mas nem é por aqui. É mais profundo do que isto. Há uma ideia de jogo mas que os jogadores não conseguem nunca assimilar, a jogarem como equipa não interpretam correctamente o 4-2-3-1 que tem sido desenhado. Percebeu-se que estudaram bem a Itália e iam com vontade de contornar o esquema de três centrais de Conte mas, convenhamos, Lukaku foi presa fácil para o muro recuado transalpino. Quando teve oportunidade para ser feliz olhou em frente, viu Buffon e acusou a pressão.

 

Por seu lado, a Itália chega, mais uma vez, a uma grande prova com meio mundo a criticar os seleccionados, o esquema táctico, a falta de estrelas, a ausência de uma grande referência no meio campo, a fraca qualidade dos avançados, tudo o que se costuma dizer deles mas desta vez com fortes argumentos dados por Conte. Depois a bola rola, o jogo evolui e percebe-se o enorme trabalho do futuro treinador do Chelsea ao construir a equipa de trás para a frente com forte âncora no trio de centrais e no lendário Buffon na baliza.

 

Um dia escrever-se-á um livro sobre a arte de bem defender que terá um capítulo dedicado à modalidade de três centrais e as páginas serão ocupadas por prosa à volta de Barzagli, Chiellini e Bonucci, que terá, justamente, um destaque maior. Fabulosa demonstração de interpretação táctica da equipa italiana que mostrou como se pode criar uma situação de golo vinda do nada. Bonucci fez um passe "pirlesco" para Giaccherini mostrar o que é eficácia na hora de finalizar.

Diga-se que, apesar, da Bélgica ter mais posse de bola e ter corrido sempre atrás do resultado, foi Courtois a sua grande figura ao manter a equipa dentro do jogo negando o 2-0 por várias vezes.

 

A Itália continua fortíssima a defender e aparece mais cínica do que nunca na hora de atacar. O melhor exemplo disso é o contra ataque com que encerram o jogo que culmina com um belo golo de Pellè.

A Bélgica algum dia sairá do rascunho? A Itália já pode ser levada a sério?

As respostas parecem-me óbvias.

 

Melhor em campo: Bonucci

07
Jun16

Grupo E: Itália


Pedro Varela

  • FIFA Ranking 12
  • Grupo E
  • Treinador Antonio Conte
  • Primeiro jogo Bélgica

 

 

A Itália não é candidata a vencer o Europeu de França. É fácil dizê-lo, não a considerarmos no lote de Selecções onde incluímos a Alemanha, França ou Espanha. Não quero dizer com isto que não pode consegui-lo, seria um erro, que, nenhum adepto de futebol, quer cometer. Seja pela qualidade defensiva tão tradicional na Azzurra, seja pela experiência dos seus jogadores, não podemos deixar de fora nem que seja do lote de candidatos de segunda linha. A expierência ainda é um posto, de um possível 11 titular, há, provavelmente, 9 jogadores com mais de 29 anos. 

No 3x4x3 que habitualmente apresenta, por vezes alterado para um 4x4x2, continua haver rigor defensivo, seja porque há Buffon, Chiellini ou Bonucci, mas falha, claramente, na frente de ataque onde Graziano Pellè não chega para balançar as redes dos adversários mais vezes. Aliás, na qualificação foi o melhor marcador da Selecção com apenas 3 golos, daí que o regresso de Insigne seja muito apreciado.

Montolivo terá sido uma das surpresas quando foram anunciados os 7 jogadores que ficaram de fora do lote dos 23 que irão estar em França, tal como Jorginho.

Ainda assim, estamos a falar da Itália, e por vezes, a Selecção com mais empates em Mundiais, por exemplo, mesmo sem Pirlo ou Giovinco, terá sempre uma palavra a dizer, a começar pelo grupo que quererá vencer e para isso terá de suplantar a Bélgica nessa luta que terá lugar no dia 13 de Junho. Não se podia pedir melhor primeiro embate para ver em que estado está Selecção Italiana!

 

Craque

Gianluigi Buffon

156 internacionalizações, 38 anos e um marco da Selecção Italiana. São 9 as presenças em fase finais de grandes competições, é ele que comanda a equipa, a voz de Conte dentro de campo, com as qualidades que todos lhe reconhecem: a graciosidade das suas defesas, os reflexos incríveis e claro o espaço que ocupa entre os postes capaz de assustar até o mais experiente avançado. 

 

Revelação

Lorenzo Insigne

8 internacionalizações e 2 golos. O avançado do Nápoles esteve ausente da Selecção por dois anos, talvez pela dedicação mais ao clube que aos destinos da Squadra Azzurra. Regressou em Março para alguns amigáveis, e numa Selecção que precisa urgentemente de homens golo, poderá ser uma importante peça no xadrez de Conte para derrubar as defesas adversárias.

 

Onze Tipo

Buffon; Barzagli, Bonucci, Chiellini; Florenzi, Motta, Parolo, Giaccherini; Candreva, Immobile e Pellè.

 

31
Mai16

Os ilustres ausentes - parte II


RSolnado

http://www.gettyimages.pt/

No post anterior falámos da Holanda e podíamos ter falado da Sérvia ou da Dinamarca, mas há outro lote de ausentes. Aqueles que estando a sua selecção qualificada, falham a presença no EURO por lesão, indisciplina ou opção, mais ou menos polémica, do seu seleccionador. São muitos casos, e a revista seguinte apenas pode passar por alguns.

 

Hatem BEN ARFA e Karim BENZEMA

As ausências da selecção gaulesa davam material para um post próprio, mas escolho o enfant terrible do futebol francês e o não menos controverso ponta de lança do Real Madrid. Ben Arfa passou ao lado de uma grande carreira, perdeu-se por muitos clubes, excesso de peso, álcool entre outras situações, mas aos 28 anos arrancou a melhor época de sempre no Nice, encantando na Ligue 1 e fechando a época com 18 golos em 37 jogos (em todas as competições). Ainda assim, isso não lhe valeu a chamada por parte de Didier Deschamps, numa posição onde a França está muito bem servida, com Griezmann, Payet, Martial e Coman. Mesmo assim a ausência de Ben Arfa causou polémica, pois tem algo mais fantasista e improviso que estes jogadores não parecem ter.

 

A história de Benzema na selecção parece ter chegado definitivamente ao fim depois do escândalo de chantagem a envolver Valbuena. Embora seja um assunto da justiça civil, Deschamps actuou como juiz desportivo e afastou os 2 jogadores desde que o escândalo rebentou. No caso de Benzema, a França fica privada do seu melhor avançado, é mais jogador que Giroud e Gignac, avançados escolhidos para a competição. Ficaram também de fora Gameiro e Lacazzete, estes por opção técnica do treinador. Na França faltam ainda, por lesão, os centrais Varane, Mathieu, Zouma e Laporte, ou seja, dava para compor um lote de convocáveis alternativos de qualidade igual ou superior aos convocados.

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Marco REUS e Ilkay GUNDÖGAN

Tal como no Mundial 2014, este duo do Borussia Dortmund volta a falhar, por lesão, a fase final de uma grande competição. Para Reus é absolutamente frustrante, pois lesionou-se outra vez na recta final da preparação para a competição. Vindo de temporadas fantásticas em que tem sido a grande referência do seu clube, o eléctrico extremo era apontado como um dos titulares, pelo que Löw terá agora de refazer alguns dos seus planos.

Quanto a Gundogan, pretendido por meia-Europa, o organizador de jogo de origem turca tem sido fustigado por lesões arreliadoras nas últimas épocas, e numa altura em que parece ir dar definitivamente o salto para um clube de topo europeu, a sua afirmação internacional tarda em acontecer. No Euro 2012 não saiu do banco de suplentes, pelo que ainda não é desta que se estreia pela Alemanha em fases finais de grandes competições.

Vincent KOMPANY

Foi uma das imagens que ficou desta temporada, as sucessivas lesões do capitão da Bélgica e do Manchester City, quatro no total e sempre musculares. A última em plena 2ª mão dos Quartos de Final da Liga dos Campeões, deixou-o, aos 30 anos, fora deste Euro 2016. Numa Selecção que muitos apontam como uma das surpresas da prova, esta é uma baixa de peso, num sector que também perdeu uma das alternativas por lesão, Lombaerts.

 

Adnaj JANUZAJ

Esta não é nenhuma surpresa, mas apenas uma curiosidade. A carreira deste jovem prodígio do Man Utd estagnou por completo nos últimos dois anos, e aos 22 anos parece perdido. Há quatro anos fez correr rios de tinta por poder ser elegível por 6 selecções. Bom, a sua Bélgica de nascimento deixou-o de fora, Roy Hodgson não sentirá o desejo que teve há 3 anos de o naturalizar inglês, a Turquia e a Albânia estão no Euro mas Januzaj não as escolheu, enquanto a Sérvia não se qualificou e o Kosovo só este ano viu a sua Federação reconhecida pela FIFA e UEFA!

Fábio COENTRÃO

Outro jogador que falha o Euro por lesão, em mais uma temporada perdida para o internacional português. Aos 28 anos e depois de ter deixado o Real Madrid para jogar tendo em vista esta competição, acaba por ser certamente frustrante. Não menos frustrante será para Danny, também afastado por arreliadora lesão, ou mesmo para o jovem Bernardo Silva, que depois de duas temporadas a brilhar no Mónaco podia aqui brilhar nos relvados franceses com outra visibilidade e dar o salto para outro clube.

Andrea PIRLO, Claudio MARCHISIO e Marco VERRATTI

A classe deste trio enchia de futebol qualquer meio-campo. Se Pirlo já se tinha retirado da Selecção, as baixas por lesão de Marchisio e Verratti originaram uma corrente que trouxesse o regista desde a reforma dourada de Nova Iorque até ao palco do Europeu. Era essa a vontade de Pirlo, mas não tanto a de Conte, desapontado com a falta de competição do médio em terras do Tio Sam, o seleccionador italiano vai para este europeu sem médios de classe mundial que seriam titulares de caras na Squadra Azzurra. Perde a Itália, mas também perdem todos os amantes do futebol!

Fernando TORRES e Diego COSTA

Para fechar, o lote de ausências espanholas. E dava para fazer correr tinta a falar de Carvajal (lesionado), Bernat, Javi Martinez, Mata ou Cazorla (opção), mas sem dúvida que as mais polémicas estão na frente. Torres e Diego Costa ficaram de forma por arbítrio de Del Bosque, que preferiu chamar Morata e o veterano Aduriz. Se a época de Diego Costa foi intermitente e sempre polémica – além que na Selecção nunca se afirmou, a ausência de Torres causa-me mais espanto. Mesmo no seu período mais crítico da carreira o Seleccionador nunca o fez cair, deixou-o de fora agora, numa temporada em que na segunda volta recuperou protagonismo e foi titular no Atlético de Madrid. Veremos como os escolhidos darão conta do recado.