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Parque dos Príncipes

Espaço dedicado à cobertura do Campeonato Europeu de Futebol de Selecções a decorrer em França de entre 10 de Junho e 10 de Julho

Parque dos Príncipes

Espaço dedicado à cobertura do Campeonato Europeu de Futebol de Selecções a decorrer em França de entre 10 de Junho e 10 de Julho

25
Jun16

País de Gales 1-0 Irlanda do Norte: À lei de Bale


RSolnado

Duelo improvável nos oitavos de final, País de Gales e Irlanda do Norte a medirem forças com um árbitro inglês a orientar o jogo. Ironias extra-futebol. Coleman manteve o 11 que tinha dizimado a Rússia, na Irlanda o rebelde Laffertty voltou ao rol de titulares, mantendo-se os restantes dez jogadores  que iniciaram os últimos dois jogos.

Não foi uma primeira parte rica em grandes ocasiões de golo, mas o jogo foi interessante de acompanhar. A Irlanda do Norte surpreendeu ao apresentar-se com uma postura mais agressiva em campo, a pressionar mais alto e a assumir o jogo, conseguindo manter a bola no meio-campo contrário, apesar das suas limitações e dificuldades em fazer uma posse de bola objectiva. Exemplo disso o número de cruzamentos da primeia parte (21) nenhum deles teve aproveitamento prático, tendo sido todos cortados pela defesa. Gales pareceu surpreendido e acusou um bocado isso, e raramente conseguiu sair com discernimento para o ataque.

Dos primeiros 45 minutos, notar as tentativas de fora da área de Dallas e Ward, ambas defendidas por Hennessey para canto, e do outro lado o golo bem anulado por fora de jogo de Ramsey. Sinal mais para a Irlanda, ainda que sem consequências práticas.

Para a segunda parte o País de Gales pareceu determinado em mudar o rumo dos acontecimos, e espreitou o golo duas vezes ainda nos primeiros minutos. Primeiro com cabeceamento de Vokes, logo de seguida substituído por Robson-Kanu. Depois Bale, de livre directo, a rematar para grande defesa de McGovern. Coleman iria tirar o tampão Ledley e lançar Jonathan Williams, os dois suplentes jogavam agora na frente e móveis, com Bale e Ramsey com liberdade de movimentos para tentarem desposicionar a defesa contrária.

E foi assim que nasceu o golo da vitória. A 15 minutos do fim e numa jogada de insistência, Bale fugiu para a flanco esquerdo, recebeu o passe de Ramsey e cruzou de forma magistral: a bola pedia desvio para golo e Robson-Kanu estava lá para ser o herói, mas o veterano McAuley antecipou-se e fez auto-golo, desviando para dentro da baliza na desesperada tentativa de corte. Mérito para o excelente cruzamento de Bale.

Entraram McGinn e Magennis tal como contra a Alemanha, e novamente sem efeitos práticos. Gales fechou-se em 5-4-1 e limpou as bolas despejadas para a área. Podia ter dado para entrar o homem com golo, ou cantam eles, Grigg, que vai para casa com 0 minutos para com o cântico mais mediático do Euro.

O País de Gales está nos quartos-de-final, onde terá pela frente Hungria ou Bélgica. Estando neste lado do quadro, tudo é possível.

Homem do jogo: Gareth Bale

21
Jun16

Alemanha 1 - 0 Irlanda do Norte: Alemanha a Cumprir, Norte Irlandeses a Sonhar...


J.G.

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Na verdade a Alemanha cumpriu o seu primeiro objectivo neste Euro, venceu o grupo e passa em primeiro lugar. Mas esperava-se muito mais dos campeões do mundo depois do empate a zero com a Polónia. O treinador Low mexeu na equipa dando oportunidade a Kimmich e Gomez de jogarem de inicio mostrando que ia apostar em mais opções atacantes. 

O jogo não teve grande história nem deixa saudades, ataque de sentido único em direcção à baliza de McGovern, resistência verde e insistência branca.

Ficam para o resumo do jogo os vários falhanços dos alemães, neste capítulo Müller leva uma seca preocupante para Löw, e exibições menos conseguidas de homens como Götze. 

Um golo aos 29', combinação de Müller com Gomez que este aproveitou, foi o momento que decidiu o jogo. 

Nem a Alemanha mostrou um futebol entusiasmante, nem os seus jogadores pareceram muito preocupados em dilatar a vantagem no jogo e na classificação do grupo onde acabam com os mesmo pontos que a Polónia mas com mais um golo. 

Pouco para uma selecção que é candidata ao título europeu. Fica a dúvida se a máquina germânica está só a cumprir serviços mínimos à espera dos grandes momentos dos jogos a eliminar ou se há mesmo falta de solução para golos com os seus avançados a hibernarem na hora da eficácia. Cumpriram mas ainda não assustaram ninguém, veremos como estão nos 1/8 de final.

 

Da parte da Irlanda do Norte, só podemos elogiar o esforço, a dedicação, a entrega e a resistência destes estreantes em Europeus. Foi um óptimo resultado para um país com pouco menos de 2 milhões de habitantes perante a toda poderosa Alemanha. Elogios que se estendem às bancadas onde os adeptos verdes confirmaram ser os melhores deste torneio. Criam uma banda sonora permanente à volta do jogo, festejam a conquista de cantos como se de golos se tratasse, estão a viver cada minuto deste campeonato com uma alegria de fazer inveja e contagiante.

Ficam à espera de saber se continuam em prova e fica por explicar porque O'Neill teima em não lançar Will Grigg para os jogos. Ou é para aumentar a lenda ou está a guardá-lo para os 1/8 de final. Esperemos que seja a segunda hipótese.

 

Melhor Em Campo: McGovern

16
Jun16

Ucrânia 0 - 2 Irlanda do Norte: Vitória Histórica


J.G.

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Nós adoramos o jogo pela sua vertente mais clássica. Analisar os onze de cada equipa, analisar as mudanças em relação ao último jogo, destacar as opções tácticas, notar as nuances nos sistemas de jogo, perceber quem opta por jogar mais defensivo e quem procura a posse bola. Gostamos de ter razão quando vemos um craque confirmar a sua qualidade, ficamos orgulhosos quando uma revelação se confirma, tentamos adivinhar o resultado do jogo com base naquilo que conhecemos. Seguimos o jogo da maneira mais isenta e curiosa que pode haver porque queremos bom futebol, queremos perceber a evolução das equipas, gostamos de entender as tendências do jogo. Costuma ser a beleza do futebol.

 

Depois há os jogos que rompem com isto tudo e passam a ser movidos só por emoções. Qual é a probabilidade de um português estar no seu cantinho a seguir mais um jogo do Euro e acabar todo empolgado a torcer pela Irlanda do Norte? 

Comigo aconteceu hoje. 

No meu caso até chega a ser curioso que 34 anos depois volte a vibrar com a mesma selecção. É que eu recordo-me bem do que gostava da Irlanda do Norte no Mundial 82 em Espanha por causa do avançado Whiteside e do guardião Pat Jennings. E recriava os jogos deles no Subbuteo.

Hoje ao acompanhar o jogo com a Ucrânia fui deixando de lado as preocupações tácticas, posicionais e sistemas. A festa que os adeptos verdes fazem nas bancadas é contagiante, os vídeos que se apanham na internet nos últimos dias com estes irlandeses em festa são incríveis. 

Trouxeram um autêntico hino deste Euro em forma de cântico. Todos estamos viciados no Will Grigg's On Fire.

Então e o Grigg joga? Não. Está no banco. Nem entra. Mas eles cantam sem parar e saltam alegremente enquanto aguentam o 0-0.

E há futebol bonito, inovações tácticas ou jogadores de encantar? Não, nada disso. 

Mas há uma entrega, uma motivação, uma paixão pelo jogo que chega a ser emocionante. A Irlanda do Norte tem uma alma gigante e querem mais do que ninguém fazer história. Querem pelos onze em campo, pelos que estão no banco, pelos que não foram convocados, pelos que estão em casa e pelos que estão ali nas bancadas. Um país atrás de história é isto.

 

Na 2ª parte McAuley fez o 1-0. De cabeça, de bola parada, claro! A festa que se viu no relvado e nas bancadas tem que marcar este Euro. 

O ambiente no estádio era tão louco que as televisões deviam mandar calar comentadores e narradores só para ouvirmos os adeptos. Nesta hora ninguém precisa que nos expliquem nada do jogo. Basta olhar e ouvir, a história está a ser feita de imagens e sons e não merece ser interrompida. Todos defendemos com a Irlanda do Norte, todos suspiramos de alívio a cada corte, a cada defesa de McGovern. 

O jogo é interrompido foi forte chuvada. Ridículo pensaram os irlandeses e nós. Há 4 anos também se interrompeu um jogo mas havia trovoadas na Ucrânia. Siga. O jogo volta mas os verdes continuam unidos. A vitória parece possível.

E quando se contavam os minutos para o fim aparece um segundo milagre, McGinn entrou e marcou numa recarga épica. Para ser bíblico, teria de ter sido o Grigg a marcar... O jogo acabou com o 2-0 mais inesperado do torneio. A Irlanda do Norte ganhou. Todos os que adoramos futebol sorrimos.

Bem, todos não. Os ucranianos não acharam piada e estão perto de serem eliminados. 

 

Melhor em campo: McAuley

 

12
Jun16

Polónia 1-0 Irlanda do Norte : Milik derrubou o muro


Pedro Varela

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A expectativa de ver a estreia da Selecção da Polónia após uma excelente qualificação no grupo da Alemanha, era proporcional à previsibilidade defensiva da Irlanda do Norte em estreia absoluta em fases finais do Europeu. De notar, no entanto, que os Irlandeses venceram um grupo composto por Hungria e Roménia, numa equipa, aparentemente, sem estrelas.

A vitória da Polónia surgiu com naturalidade!

 

Não foi preciso esperar mais que 5 minutos para perceber que o jogo iria ter sentido único. A Polónia rapidamente se instalou no meio campo da Irlanda do Norte e foi Milik, logo aos 6 minutos, a ter a primeira oportunidade de golo do jogo. De referir que o jogador do Ajax tinha sido a previsão do Parque para revelação e correspondeu da melhor forma.

Se seis minutos foram suficientes para perceber o sentido de jogo, aos 25, a Polónia já levava mais de 120 passes completos, quatro vezes mais que a Irlanda com uns míseros 33, o que dava pouco mais que 1 passe por cada minuto decorrido. Assustador!

 

Mas o muro Irlandês não estava fácil de ser derrubado, ora Piszczek, ora Kuba ou Krychowiak bem tentavam que a bola chegasse a Lewandowski, mas a estrela Polaca não tinha espaço suficiente e não foram poucas a vezes que recuou no terreno para ter bola e furar por entre os defesas verde e brancos.

 

A certa altura, ainda nesta primeira parte, a Polónia apresentou um esquema de 2x6x1x1 quando olhávamos para os posicionamentos dos seus jogadores em campo e o golo só não aconteceu por Kapustka pois McGovern, o melhor da sua selecção, com uma excelente defesa desviou para canto.

O intervalo chegou com um surpreendente nulo no marcador.

 

A segunda parte arrancou da mesma forma e o sentido da baliza apenas mudou de lado. Mas façamos uma pausa na análise do jogo. Não tenho dúvidas que Nawalka, treinador Polaco, tenha visto alguns, senão muitos, jogos da Irlanda do Norte. Saberá perfeitamente que o esquema de 5x3x1x1 era aquele que iria encontrar pela frente, portanto, encontrar um muro de jogadores Irlandeses na frente do seu guardião era o mais natural. Claro que é a antítese do futebol, mas cada equipa joga com as armas que dispõe. Cabe preparar os planos A, B e C para o que se vai encontrar pela frente.

 

Felizmente Milik conseguiu furar a defesa contrária e bem dentro da área marcou aquele que seria o único golo do encontro. E quem poderia esperar que a Irlanda da Norte pudesse eventualmente atacar a partir deste golo sofrido, enganou-se. Redondamente!

 

A Polónia continuou no ataque, a procurar garantir o segundo golo, da tranquilidade, e foi preciso chegar bem perto do final da partida, para ver Lafferty em esforço inglório na procura do empate e Davies desesperado por acertar na bola isolado em frente a Szczesny. Absolutamente paupérrimo.

 

A vitória Polaca é completamente justa, o futebol venceu!

 

Homem do jogo: Arkadiusz Milik

 

05
Jun16

Grupo C: Irlanda do Norte


RSolnado

  • Fifa ranking 25
  • Grupo C
  • Treinador Michael O'Neill
  • Primeiro jogo Polónia

 

Estreia absoluta em fases finais de Europeus, e ausente dos grandes palcos desde o México/1986, teve somente uma derrota na qualificação, num grupo onde o cabeça de série Grécia fez figura triste na qualificação. Esta Irlanda do Norte apresenta uma matriz bastante defensiva, e nos amigáveis na preparação o treinador tem testado além do habitual 4-5-1 ou 4-3-2-1, um 5-4-1 bem fechado na defesa. É nesse sector, o defensivo, que estão alguns dos seus jogadores mais conceituados e experientes.

A baixa por lesão de Chris Brunt será difícil de colmatar, mas de uma maneira geral e sem pressão de resultados, veremos o que pode fazer neste Grupo C, especialmente se conseguir um resultado positivo na estreia diante da Polónia.
 
Craque
Kyle Lafferty

O bad boy da Irlanda do Norte, passou por 5 clubes em 4 épocas em 4 países diferentes desde que saiu do Rangers em 2012, e em nenhum deles afirmou-se como titular indiscutível, e nesta época chega com somente 9 jogos em clubes, 6 deles num empréstimo de 1 mês ao Birmingham, onde ganhou algum ritmo de jogo. É que se carreira clubística é um desastre, na Selecção apontou 7 golos em 9 jogos na fase de apuramento, sendo fundamental no percurso que qualificou a selecção para França.

 
Revelação
Paddy McNair
Louis van Gaal lançou-o às feras em 2014/2015, mas nesta época não foi opção habitual em Old Trafford, mesmo entre muitas lesões e adaptações. Na Selecção é usado tanto na defesa na sua posição de origem a meio-campo, e pese embora não tenha tido grande participação na qualificação, tem sido opção habitual depois da baixa de Chris Brunt.
 
Onze Tipo

McGovern; McLaughin, McAuley, Jonny Evans e Catchcart; Baird, McNair, Norwood; Davis (c), Dallas (Ward); Lafferty.