Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Parque dos Príncipes

Espaço dedicado à cobertura do Campeonato Europeu de Futebol de Selecções a decorrer em França de entre 10 de Junho e 10 de Julho

Parque dos Príncipes

Espaço dedicado à cobertura do Campeonato Europeu de Futebol de Selecções a decorrer em França de entre 10 de Junho e 10 de Julho

26
Jun16

Bélgica 4-0 Hungria : a melhor geração Belga de sempre?


Pedro Varela

Belgica.jpg

Bélgica e Hungria defrontaram-se nos oitavos de final do Europeu e havia duas dúvidas para esclarecer. Será esta a melhor geração Belga de sempre? A Hungria valia tanto como o primeiro lugar do grupo de Portugal demonstrou?

 

Wilmots quase não mexeu no 11 titular, apenas retirou Carrasco e colocou Mertens em campo. Do outro lado, Storck faz 3 substituições, uma delas a acontecer no aquecimento por lesão de Kleinheisler e fez entrar Nagy, Kadar e Pintér.

 

A primeira parte é claramente dominada pela Bélgica. O aviso chegou cedo aos seis minutos por Lukaku e Király a defender para canto. Foi uma constante batalha entre os jogadores da Bélgica e o guardião Húngaro e não foi preciso esperar muito até ao primeiro golo aos 10' por Alderweireld. Uma fortíssima cabeçada indefensável!

De Bruyne estava imparável, tinha assistido no primeiro golo,  com uma dinâmica ofensiva e relativa facilidade para driblar os adversários, muitas vezes com o caminho completamente escancarado em direcção à baliza contrária, mas, as oportunidades ou esbarravam em Király ou eram desperdiçadas com remates fora do alvo.

 

Foi preciso esperar pelos 16' e um falhanço de Courtois, que escorregou, e a bola não entrou porque não levava a direcção da baliza, para se ver uma oportunidade da Hungria.

Com metade do jogo decorrido na primeira parte, a Bélgica já tinha conseguido uma mão cheia de oportunidades, do outro lado Dzsudzsák rematava de longe numa tentativa de inverter o rumo do encontro.

A mobilidade Belga estava a despedaçar o meio campo Húngaro, Nagy e Gera não conseguiam entender-se, Pintér estava muito desequilibrado e sem percepção da sua posição em campo, as oportunidades da Bélgica iam sucedendo-se. De Bruyne atira à barra aos 35', ainda desviada por Király, e Mertens mesmo a terminar a primeira parte falha escandalosamente o segundo golo.

O intervalo chega com justiça no marcador, mas ficava no ar aquela incerteza de "quem não marca, arrisca-se a sofrer"!

 

A segunda parte começa com uma substituição na Hungria, Gera perdido em campo saía para entrar Elek. Mas foi Hazard que começou a abrir o livro com nova oportunidade e excelente defesa de Király!

 

A Hungria ainda reagiu, Szalai que foi dos mais inconformados na segunda parte, podia ter empatado aos 53'. E é verdade que Pintér e Juhász também tiveram boas oportunidades para relançar o jogo. O momento da viragem aconteceu quando Wilmots colocou Batshuayi, estreia absoluta no Europeu, no lugar de Lukaku e não demorou 2 minutos a marcar o segundo golo da Bélgica. 

O jogo para a Hungria acabou nesse momento!

 

Ainda festejavam os diabos belgas o segundo golo, já Hazard marcava um dos melhores golos do Europeu, num jogada fantástica e Carrasco iria fechar o resultado do jogo já em período de descontos. A vitória da Bélgica é a maior goleada do Euro até ao momento.

 

Será esta geração Belga a melhor de sempre? Volto à questão inicial. É sem dúvida uma das mais entusiasmantes e com um conjunto de jogadores capaz de empolgar qualquer adepto de futebol Diria que Wilmots terá que mostrar se é capaz ou não de levar a máquina a bom porto e, do lado em que se encontram no caminho para a final, acredito que pensarão e muito na final de Paris.

Já a Hungria não é aquilo que, por exemplo, Fernando Santos achava, e foi, com alguma naturalidade afastada perante um adversário tecnicamente superior. Hoje sem ressaltos, foi mais complicado!

 

Homem do jogo: Eden Hazard

 

22
Jun16

Hungria 3 - 3 Portugal: Sobrevivência Embaraçosa


J.G.

542141078.jpg

 

Partir para um grupo com adversários tão acessíveis e assumir uma real candidatura ao título parece-nos razoável. Chegar lá e não ganhar um único jogo a Islândia, Áustria e Hungria é preocupante. Acabar o decisivo jogo contra uma equipa com várias reservas da Hungria e não acontecer uma vitória é embaraçoso.

Mais preocupante ainda, após uma miserável exibição em termos defensivos apareceu, finalmente, Cristiano Ronaldo a bisar. Não aproveitar esse balanço e acabar o jogo passivamente confortável a aceitar a "sorte" de um 2º lugar que nos ia levar para o lado negro do caminho para a final enfrentando já a Inglaterra, só pode ser um suicídio colectivo. Por acaso, depois aconteceu mesmo SORTE e a Islândia fez o favor de desviar Portugal para o caminho da Croácia. Menos mau.

Aliás, menos mau é o que caracteriza todo o Euro de Portugal até aqui. 

Hoje, parecia que o espírito das selecções da Hungria de 1954 e de Portugal de 1966 marcaram encontro em Lyon para um festival de golos. Seria entusiasmante se a qualidade do onze titular magiar não fosse tão, vamos lá, banal, e o nível de qualidade do bloco defensivo de Portugal não fosse tão vergonhoso.

À partida parece impossível sofrer 3 golos desta Hungria mas a verdade é que não só se sofreu como vimos Portugal a andar sempre atrás do resultado. Surreal!

Em termos de opções de Fernando Santos, o treinador foi igual a si mesmo. Optou por manter João Moutinho a titular sem que nada o justifique. Apostou em Eliseu por lesão de Guerreiro, e lançou João Mário, William e André Gomes para uma primeira parte para esquecer. 

Nem vale a pena falar dos golos sofridos de tão consentidos que foram, é preferível destacar a entrada de Renato Sanches na 2ª parte para o lugar de Moutinho e depois de Quaresma para o lugar do desgastado André Gomes. 

Com a loucura instalada no marcador, golo da Hungria, resposta de Portugal, o jogo pedia a velocidade e improviso de Rafa. Fernando Santos achou melhor fechar a equipa lançando... Danilo! Como os, já apurados, húngaros também já tinham encerrado as visitas ao meio campo adversário, o jogo arrastou-se de forma embaraçosa para o seu final. Isto mesmo sabendo que no outro jogo havia um empate que empurrava Portugal para o tal lado negro da competição. Incompreensível! 

 

Portugal passa a ser um dos símbolos deste anormal Europeu com novo figurino onde o mais complicado, quase impossível, é ser-se eliminado! É preciso ser muito medíocre para fazer as malas no final desta primeira fase. Portugal conseguiu estar ligeiramente acima desse horrível nível.

Não se vislumbra um onze tipo, não se entendeu o que pretenderam os responsáveis técnicos da Selecção a não ser evitar uma morte prematura e muito humilhante. Sobreviveu-se mas é preciso ser muito optimista para imaginar Ronaldo a levantar a Taça em Paris no próximo mês. Pelo menos, hoje Cristiano chegou ao Euro com estrondo, dentro e fora do relvado e isso é bom.

 

Melhor em Campo: Cristiano Ronaldo

18
Jun16

Hungria 1-1 Islândia : empate magiar vale liderança!


Pedro Varela

hunisl.jpg

 

Depois do surpreendente empate da Islândia diante de Portugal e de alguma surpresa na vitória, justa, da Hungria perante a Áustria, havia muita curiosidade para compreender como ambas as selecções iriam reagir aos resultados conseguidos na primeira jornada.

 

A Islândia apostou no mesmo onze que garantiu um ponto diante da selecção lusa. Hallgrímsson, treinador Islandês, entendeu que em equipa que "vence", não se mexe.

Do lado Húngaro, Bernd Storck efectuou 3 alterações, uma delas devido a lesão de Attila Fiola, e apostou em Stieber, Priskin, para uma dinâmica de ataque mais forte e  em Juhász no centro do terreno.

 

A primeira parte tem dois momentos claramente distintos, embora com uma predominância de posse de bola Húngara. Os primeiros 25 minutos são de domínio territorial por parte da selecção da Hungria, a tomar conta do jogo, principalmente pelo seu homem mais dinâmico Gera, bastante apoiado por Kleinheisler, que apesar de estar mais colado à direita, tinha liberdade de movimentos. Mas, a Hungria nunca foi capaz de criar uma oportunidade clara de golo.

 

Aos 30 minutos, Király, guarda redes Húngaro, e uma instituição do futebol mundial, negou mesmo o primeiro golo da Islândia a Gudmundsson, naquele que foi o primeiro aviso dos nórdicos.

A partir daqui, a Islândia mesmo com menor posse de bola, foi mais eficaz, primeiro através de Sigthórsson, com a bola a ser desviada para canto e depois no momento mais importante da primeira parte. Canto marcado para a área Húngara, Király a largar a bola e Gunnarsson ganha a posição e é derrubado dentro da área.

Na conversão da grande penalidade, Sigurdsson não falhou e marcou o primeiro golo do jogo.

 

A segunda parte começa com a mesma toada ofensiva da Hungria em direcção à baliza da Islândia. A grande questão, é que não só os homens da frente não tinham bola, e por consequência oportunidades de golo, nem de bola parada Dzsudzsák conseguia assustar.

E o curioso é que a Islândia, obviamente, mais defensiva, sempre que tinha possibilidade de visar a baliza contrária, fazia-o com enorme perigo.

A 20 minutos do fim, começavam  as substituições para ambos os lados, a Hungria a retirar os dois homens que tinha sido eleitos para o 11 titular e que eram a novidade, Stieber e Priskin, para entrar Bode e Nikolic, este último com acção importante no golo do empate.

A Islândia colocou em campo Finnbogason e preparava-se para guardar mais a bola, na tentativa de segurar a vantagem mínima.

 

A Hungria forçou tudo nos últimos 15 minutos e já perto dos noventa acontece o golo do empate, auto golo de Sævarsson. Numa combinação excelente entre Nagy, o melhor em campo, e Nikolic, que tinha entrado na segunda parte. A bola é colocada na área onde o jogador Islândes introduziu na própria baliza.

 

Até ao apito final do árbitro, ainda tempo para Gudjohnsen, mítica estrela Islandesa, entrar em campo e acabou por ser ele a ter a última oportunidade do jogo após livre de Sigurdsson contra a barreira aos 93'.

 

O empate foi muito festejado pelo Húngaros, sentem-se muito próximos dos oitavos de final, a Islândia perdeu uma excelente oportunidade de passar para a liderança do grupo, mas a verdade é que a Hungria mereceu o empate!

 

Homem do jogo: Adam Nagy

 

14
Jun16

Áustria 0-2 Hungria: Surpresa só para quem não viu!


RSolnado

HUNGRIA.jpg

Primeiro jogo do Grupo F, duas formações com uma história bem comum não só porque já foram um império mas porque são as selecções que mais vezes se defrontaram na história do futebol a seguir a Argentina e Uruguai. Claro, primeiro confronto para ambas em Europeus. E um recorde batido ao apito inicial, Gabor Kiraly torna-se o jogador mais velho a participar em fases finais, com 40 anos e 74 dias.

E ainda não iam decorridos 30 segundos de jogo e o guardião da Hungria viu David Alaba atirar ao poste! A Hungria respondeu por Kleinheisler, remate forte que Almer travou com segurança. Depois de Alaba voltar a ameaçar o jogo aos 10’, nos minutos seguintes a Hungria melhorou e equilibrou as operações, conseguindo cortar a iniciativa contrária, e terminando a primeira parte até com mais posse de bola.

Não foi um primeiro tempo rico em grandes ocasiões de golo, a Áustria sentiu muitas dificuldades em definir o seu jogo no último terço do campo. O jogo directo ainda foi o que resultou melhor, numa das tentativas Janko assistiu Junuzovic que disparou para bela defesa em voo de Kiraly. Iam decorridos 35’. Antes do intervalo, uma ocasião para cada lado. Do lado encarnado, má definição de Arnautovic na área após transição rápida, o passe saiu mal e Harnik nada podia fazer. Do outro lado também uma boa transição com Kleinheisler a servir Dzsuzsák, mas a recepção do capitão foi má e o remate saiu torto. Estava em boa posição e desperdiçou a melhor ocasião da Hungria no primeiro tempo.

Na segunda parte a Áustria entrou novamente muito forte, e num par de lances deu profundidade ao seu jogo mas foi para húngaro ver. Rapidamente a Hungria levou o jogo para a frente, e Dzsuzsák deu novo aviso em tiro de muito longe. Sem grande criatividade, os húngaros esperar o erro contrário e capitalizaram. Excelente jogada de entendimento entre o homem apontado como revelação aqui no Parque, o motor da equipa Kleinheisler, e o avançado Szalai. Duas tabelinhas seguidas sendo que na assistência derradeira a defesa toda subiu menos o capitão Fuchs, que assim deixou o avançado dentro da área, que mesmo meio atrapalhado e em queda finalizou à saída de Almer. Não marcava há 41 jogos este ponta de lança, entre clubes e selecção, desde Dezembro de 2014.

Loucura nas bancadas e reacção pronta austríaca, travada pela expulsão de Dragovic. Um par de cantos e algum perigo, numa bola disputada o central viu que ia chegar tarde e encolheu-se não evitando o contacto. Falta clara mas um amarelo exagerado e que retirou o jogador do campo.

Mesmo com menos um jogador a Áustria teve a iniciativa do jogo, com Baumgartlinger a acumular as funções de defesa-central e médio-defensivo (grande exibição). Claro que o jogo ficou mais partido, e a Hungria tirou proveito disso. Nemeth obrigou Almer a grande defesa, e as transições rápidas deixavam antever um segundo golo, até porque a Hungria não travava o jogo, jogando de forma imprudentemente vertiginosa.

Contudo defensivamente a muralha manteve-se unida e não vacilou, perante uma Áustria já com várias trocas na frente mas sem efeitos práticos. A Hungria culminou uma tarde de sonho aos 87’, contra-ataque perfeito com dois suplentes a combinarem. Priskin lançou Stieber em corrida, e o médio à saída de Almer fez o golo com muita tranquilidade.

Triunfo justíssimo da Hungria, que assim regressou em grandes às fases finais de Europeus, 44 anos volvidos sobre a última surpresa. A Áustria de potencial revelação vai para desilusão e tem uma tarefa complicada no que falta neste grupo.

Melhor em campo: Laszlo Kleinheisler

08
Jun16

Grupo F: Hungria


RSolnado

  • Fifa ranking 20
  • Grupo F
  • Treinador Bernd Strock
  • Primeiro Jogo Áustria

 

De regresso a Europeus após uma ausência de 44 anos (ainda no tempo das fases finais com 4 equipas), a Hungria já está com a sensação de dever cumprido ao chegar até França mas agora há que aproveitar o palco e brilhar perante toda a Europa. Mas sem grandes rodeios,não é uma equipa que do ponto de vista individual apresente muitos craques, e do ponto de vista colectivo parece ser algo débil no jogo corrido, só marcaram 14 golos em 12 jogos na qualificação, sendo que 8 foram na sequência de bolas paradas. Se marcaram pouco, também sofreram pouco (10) num sector liderado pelo eterno Gabor Kiraly e as suas míticas calças de fato treino cinzentas, aos 40 anos é ele o jogador mais velho em prova no Euro 2016. E titularíssimo!

 

Craque

Balázs Dzsudzsák

O mais talentoso futebolista húngaro da última década já entrou nos 30, e agora joga na Turquia depois de uma passagem pela Rússia. O seu melhor período foi no PSV, onde fez maravilhas com seu pé esquerdo ao longo do flanco pelos campos holandeses e nas provas europeias. Chega como a grande referência da equipa ao Europeu, e como capitão, e é dele que se espera magia e lances capazes de resolver partidas.

 

Revelação

Laszlo Kleinheisler

Começou a época “proscrito” no Videoton por se recusar a renovar contrato, e foi chamado de surpresa e titulares nos 2 jogos do play-off, onde brilhou marcando inclusivamente um golo. Vendido ao Werder Bremen em Janeiro não se afirmou ainda no clube alemão, mas aos 22 anos o “Scholes húngaro” tem no Euro um palco para se mostrar à Europa, e dar sangue novo a uma selecção cujo onze base tem uma média de idades bastante elevada.

 

Onze Tipo:

Kiraly; Fiola, Juhasz, Guzmics (Lang) e Kadar; Elek e Gera; Nemeth (Lovrencsics), Kleinheisler e Dzsudzsak; Szalai.