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Parque dos Príncipes

Espaço dedicado à cobertura do Campeonato Europeu de Futebol de Selecções a decorrer em França de entre 10 de Junho e 10 de Julho

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01
Jul16

País de Gales 3–1 Bélgica: O fado do maestro Ramsey


RSolnado

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Segunda partida dos quartos-de-final entre duas formações à procura de um apuramento histórico, embora a Bélgica tenha sido finalista há 36 anos. Os treinadores mexeram nas equipas, Coleman manteve os “10” base e mudou Vokes por Robson-Kanu, do outro lado duas mudanças forçadas na defesa e uma por opção no ataque. E foi a defesa belga que deu muitos problemas a Wilmots e custou-lhe a eliminação. Mas já lá vamos.

Naquela que foi uma das melhores primeiras partes do Euro até ao momento, foram os belgas a entrar melhor, mais incisivos e mais esclarecidos nas suas acções,  logo aos 3 minutos uma transição rápida resultou numa tripla ocasião de golo, mas Carrasco e Meunir viram os seus remates bloqueados e Hazard viu o seu desviado para canto. Era um aviso, que não teria continuidade até aos 13’, quando Nainggolan fez um golaço num tiro de fora da área. Fica em dois dos golos mais bonitos do Euro, se nos lembrarmos do golo contra a Suécia.

Um quarto de hora de jogo a Bélgica estava nas suas sete quintas, saindo na transição rápida com perigo aos 25’ já tinha “arrancado” 3 amarelos a 5 dos defesas de Gales. Havia alguma curiosidade para ver como Gales iria reagir em desvantagem, mas os homens de Coleman mostraram uma frieza e uma organização impressionantes. Assumiram o jogo e trocaram a bola sem rodeios, sempre com Ramsey a assumir a batuta, e foram explorando as debilidades da defesa belga, em particular Jordan Lukaku. Avisaram primeiro, num jogada de Ramsey pela esquerda (lá está) a cruzar para Taylor rematar para monstruosa defesa de Courtois.

Aos 30’ veio o golo do empate, canto de Ramsey e terrível defesa zonal da Bélgica com Jordan Lukaku e Denayer a deixarem o capitão Ashley Williams entrar de rompante para um cabeceamento fulminante, mais parecia um remate com o pé. Loucura nas hostes galesas. Bale em grande cavalgada iria rematar de pé direito fraco, mas até ao intervalo ficou a clara sensação de que eram os belgas com pressa de chegar o tempo de descanso.

E mais ficou essa ideia quando das cabines veio a mudança, saiu Carrasco e entrou Fellaini. Reforço do meio-campo e do jogo aéreo, mas vou admitir que Dembelé estará mesmo lesionado (estava no banco, sem meias de jogo), pois já se sabe que Fellaini geralmente só atrapalha, e hoje não foi excepção.

A Bélgica começou forte na segunda parte, um pouco à imagem da primeira, e Hazard e De Bruyne ameaçaram o golo. Mas foi Gales a marcar aos 55 minutos. E numa jogada desenhada na perfeição: Bale no passe para o espaço a meio-campo, Ramsey a desmarcar-se e tirar um contrário do caminho (Jordan Lukaku novamente nas covas), cruzamento para a área onde as dobras não funcionaram, Fellaini muito passivo a abordar o lance, Meunier e Denayer muito ingénuos a serem enganados por uma rotação de Robson-Kanu, que celebrou o seu primeiro dia de desemprego com um golo nas meias-finais do Euro!

E este golo fez mossa nos belgas, que não esboçaram reacção. Muita posse de bola mas inconsequente, e Gales a fechar-se cada vez mais, encantando da vida e muito concentrado na sua missão. Só a partir do minuto 75 a Bélgica, já no desespero, começou a criar perigo, nomeadamente de cabeça. Saíram os Lukaku’s, tarde demais. A saída de Jordan para entrada de Mertens deixou a equipa em 3-3-3-1, e a saída de Romelu só aos 83 minutos causa estranheza já que passou completamente ao lado do jogo.

Pelo meio terrível notícia para o País de Gales. Já tinham perdido Ben Davies, agora ficavam sem Aaron Ramsey para o jogo das meias-finais. E é uma baixa de peso, Ramsey e Bale são os 2 jogadores acima da média nesta equipa, e não têm substituto à altura. E Ramsey alimenta o jogo todo de Gales, hoje fez 2 assistências, tem mais 2 na prova e 1 golo.

No desespero belga, e para por ponto final num belo jogo de futebol, e também para deixar mais uma marca neste verdadeiro conto de fadas de Gales, surgiu o 3x1 aos 85’. Cruzamento perfeito de Gunter da direita e cabeçada irrepreensível do suplente Vokes (tinha rendido Robson-Kanu) para acabar com as dúvidas. Triunfo justíssimo do País de Gales, sublinhado em campo e no resultado.

O País de Gales chega às meias-finais na sua primeira participação em Europeus. E agora, mesmo sem o maestro Ramsey, irá lutar com tudo contra Portugal por um lugar na final. E diga-se que, apesar da campanha acidentada, Portugal é claramente favorito nesta meia-final.

Homem do jogo: Aaron Ramsey.