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Parque dos Príncipes

Espaço dedicado à cobertura do Campeonato Europeu de Futebol de Selecções a decorrer em França de entre 10 de Junho e 10 de Julho

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13
Jun16

Bélgica 0 - 2 Itália: A Promessa Falhada e a Prometedora Cínica do Costume


J.G.

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 Já se desconfiava que estava em Lyon a possibilidade de termos o primeiro grande jogo do torneio. Confirmou-se mas pelas razões erradas.

O futebol atacante da Bélgica não foi eficaz mas deu uma enorme dinâmica à partida, os italianos mostraram o que é eficácia a defender e a atacar. Um golo aos 32' deixou a equipa de Conte em vantagem mas o resultado esteve em aberto até aos 92' quando Pellè fechou a partida.

 

Comecemos pela Bélgica. É uma verdade universal que os belgas vivem uma geração de grandes talentos com jogadores espalhados por alguns dos melhores clubes da Europa. Já há dois anos se esperava algo de especial desta rejuvenescida Bélgica.Os jogadores têm evoluído, há cada vez mais opções de qualidade, especialmente do meio campo para a frente, portanto, era de esperar uma melhoria significativa em relação ao último grande torneio internacional. A verdade é que continuamos a detectar as mesmas falhas nos diabos vermelhos, a mais valia individual é incapaz de formar um colectivo forte, ambicioso e desafiante. Como no banco de suplentes quem continua a mandar é o mesmo Marc Wilmots, somos obrigados a concluir que o principal problema belga é de liderança.

 

Podemos discutir se Carrasco não devia ser titular depois do bom final de época no Atlético e questionar o tempo de jogo que Lukaku esteve em campo mas nem é por aqui. É mais profundo do que isto. Há uma ideia de jogo mas que os jogadores não conseguem nunca assimilar, a jogarem como equipa não interpretam correctamente o 4-2-3-1 que tem sido desenhado. Percebeu-se que estudaram bem a Itália e iam com vontade de contornar o esquema de três centrais de Conte mas, convenhamos, Lukaku foi presa fácil para o muro recuado transalpino. Quando teve oportunidade para ser feliz olhou em frente, viu Buffon e acusou a pressão.

 

Por seu lado, a Itália chega, mais uma vez, a uma grande prova com meio mundo a criticar os seleccionados, o esquema táctico, a falta de estrelas, a ausência de uma grande referência no meio campo, a fraca qualidade dos avançados, tudo o que se costuma dizer deles mas desta vez com fortes argumentos dados por Conte. Depois a bola rola, o jogo evolui e percebe-se o enorme trabalho do futuro treinador do Chelsea ao construir a equipa de trás para a frente com forte âncora no trio de centrais e no lendário Buffon na baliza.

 

Um dia escrever-se-á um livro sobre a arte de bem defender que terá um capítulo dedicado à modalidade de três centrais e as páginas serão ocupadas por prosa à volta de Barzagli, Chiellini e Bonucci, que terá, justamente, um destaque maior. Fabulosa demonstração de interpretação táctica da equipa italiana que mostrou como se pode criar uma situação de golo vinda do nada. Bonucci fez um passe "pirlesco" para Giaccherini mostrar o que é eficácia na hora de finalizar.

Diga-se que, apesar, da Bélgica ter mais posse de bola e ter corrido sempre atrás do resultado, foi Courtois a sua grande figura ao manter a equipa dentro do jogo negando o 2-0 por várias vezes.

 

A Itália continua fortíssima a defender e aparece mais cínica do que nunca na hora de atacar. O melhor exemplo disso é o contra ataque com que encerram o jogo que culmina com um belo golo de Pellè.

A Bélgica algum dia sairá do rascunho? A Itália já pode ser levada a sério?

As respostas parecem-me óbvias.

 

Melhor em campo: Bonucci

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