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Parque dos Príncipes

Espaço dedicado à cobertura do Campeonato Europeu de Futebol de Selecções a decorrer em França de entre 10 de Junho e 10 de Julho

Parque dos Príncipes

Espaço dedicado à cobertura do Campeonato Europeu de Futebol de Selecções a decorrer em França de entre 10 de Junho e 10 de Julho

07
Jul16

Alemanha 0-2 França: Griezmann aproveita erros capitais!


RSolnado

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Segunda meia-final do Euro, um muito antecipado (quase desde o sorteio dos grupos) histórico duelo entre alemães e franceses.

Entrou forte a França, a correr e pressionar muito num estilo que não parecia ir durar muito tempo. Mas aos 6 minutos deu para Griezmann assustar Neuer, duas tabelinhas e remate para a estirada do guardião. A Alemanha pegou no jogo e assumiu o controlo das operações. Muita posse de bola, mas objectiva, futebol trabalhado em constantes triangulações e variações de flanco. E começaram as oportunidades de golo, Muller ao lado, no minuto seguinte Can, a grande surpresa no onze, a rematar para brilhante voo de Lloris.

O capitão francês estava atento e foi sendo a grande figura da equipa na primeira parte, respondendo com segurança quando chamado a intervir. Cerca dos 35 minutos a França começou a sacudir a pressão, conseguindo ter bola no meio-campo contrário. Griezmann deu mais um aviso com um remate às malhas laterais, Giroud isolou-se após um corte falhado de Boateng mas em vez de passar temporizou em demasia, e quando atirou já Höwedes tinha recuperado posição para cortar a bola.

Parecia que íamos para o intervalo sem golos, mas já na compensação surgiu o golo da França. Que nasce de uma nova abordagem idiota da Alemanha em jogo aéreo, canto e o capitão e experientíssimo Schweinsteiger a abordar o lance de braços no ar… e a bola foi mesmo cortada pelo seu braço. Rizzoli demorou a apitar, certamente que não viu e por isso mérito ao seu assistente ou ao árbitro de baliza. Na conversão, bola para um lado, Neuer para o outro, Griezmann levava o Velodrome à loucura.

A Alemanha ia com um sabor amargo para o intervalo, e tinha de dar a volta ao texto na segunda parte. Mas a Alemanha do primeiro tempo ficou no balneário. A França entrou melhor na segunda parte, apertou e espreitou o golo. Depois voltaram a ser os alemães a tomar conta do jogo, mas num registo muito diferente do primeiro tempo.

Sem conseguirem chegar com bola à área contrária, muitos cruzamentos sem efeitos práticos e o desespero a apoderar-se dos campeões do mundo. Boateng saía por lesão, Götze era lançado em campo, mas a Alemanha só apareceu depois de… sofrer o 0x2. Já Kanté havia substituído Payet, quando um erro inacreditável de Kimmich na sua área deixou Pogba com a bola, este cruzou para Giroud, Neuer sacudiu mal com uma palmada para os pés de Griezmann (quem mais?) que atirou a contar. Aí vão 6 golos daquele que será provavelmente o melhor marcador do Euro e a maior ameaça a Portugal na final.

Faltavam 20 minutos, e foram 20 minutos de desespero alemão. Kimmich atirou ao poste, depois Draxler de livre directo ficou perto do golo. Nos minutos finais o futebol directo fez mossa na defesa francesa, e o perigo rondou a baliza de Lloris que foi sempre respondendo muito bem, e já nos descontos assinou a defesa do Europeu com um voo fantástico para responder a cabeçada a meias entre Kimmich e as costas de Muller. Com um guarda-redes nesta forma, fica difícil para alguém marcar golos!

A França está com toda a justiça na final, a Alemanha foi bastante melhor na primeira parte mas não soube reagir à adversidade, que nasceu de um erro próprio e logo do seu jogador mais experiente. E não satisfeitos, ainda entregaram o 2ºgolo, num lance com uma ingenuidade inexplicável. Arrisco dizer que nem nos melhores sonhos a França pensava que teria uma ocasião destas: não a desperdiçaram e bateram a Alemanha pela primeira vez em jogos oficiais desde 1958.

Na final de Saint-Denis teremos os anfitriões contra Portugal. O retomar de um duelo com muita história em fases finais, até aqui sempre favorável aos franceses. Altura de mudar a novamente a história para Portugal, heróis precisam-se!

Homem do jogo: Antoine Griezmann

06
Jul16

Portugal 2-0 País de Gales : o sonho tão perto!


Pedro Varela

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Portugal está na final do Europeu de França!

Há um homem que sempre acreditou que isto era possível: Fernando Santos, o Seleccionador Nacional. Colocou o título como objectivo principal, sem rodeios, sem receios e uma parte importante do caminho está feita. Para ele vão os meus primeiros parabéns!

 

Depois, os emigrantes. Porra, durante um mês estiveram no hotel, estágios, estádios, acessos, falaram e choraram para as televisões e vibraram, muito. Sem clubismos, rivalidades, lamechices ou outras índoles. Sentiram a Selecção como nunca. Merecem tanto, mas tanto esta final que quando soou o apito final soltei umas lágrimas por eles. Um bem haja a todos, que são muitos espalhados pelo mundo fora.

 

Coleman admitiu, e não creio que tenha sido jogo psicológico, que Portugal era favorito. O País de Gales fez uma campanha fantástica neste Europeu, mas, no dia em que percebeu que Ramsey não iria jogar contra Portugal, parte das chances de se qualificarem perderam-se. A aposta em King no meio campo foi insuficiente!

 

Do lado Português, Danilo era a opção óbvia para o lugar de William Carvalho castigado, e que excelente exibição do trinco português, e Bruno Alves foi a escolha para substituir Pepe lesionado. Tudo a prever o perigoso jogo aéreo galês.

 

Que primeira parte tivemos em Lyon? Domínio de jogo Português, mas sem oportunidades e com poucos remates, um País de Gales irreconhecível que apareceu pela primeira vez aos 18 minutos e aos 22 e pouco mais.

Portugal voltou a ver uma grande penalidade não ser assinalada pela "gravata" de Collins a Ronaldo, foram escassos os momentos de perigo na baliza defendida por Hennessey. O intervalo chegou com um nulo perfeitamente compreensível.

 

É por estas alturas que se solta o treinador de bancada que existe em todos nós. Porque raio nesta primeira parte se encostou tanto João Mário à esquerda e Renato Sanches à direita, colados à linha, quando os nossos laterais são jogadores que podem perfeitamente subir no terreno, levando a que os médios procurarem-se mais o jogo interior?

 

Mas como eu não percebo nada disto, Ronaldo numa "tolada" incrível, após centro muito bem executado por Raphael Guerreiro, marca o primeiro do jogo. Naquele momento, com a calma que assisti a primeira parte, não fiquei com grandes dúvidas que já estávamos a caminho de Paris. A Selecção de Gales estava apática, sem capacidade de reacção, sempre à espera da explosão de Gareth Bale. Que nunca aconteceu!

 

Foi preciso esperar apenas mais 4 minutos para chegar o segundo golo, por Nani num desvio intencional após remate falhado de Ronaldo. O jogo acabou ao minuto 53!

 

A partir desta altura era irreversível, de Lyon a Paris a viagem iria demorar menos de meia hora. Ronaldo de livre directo, Nani, João Mário e até Danilo, todos falharam o terceiro golo. Bale aos 79' e 82' bem tentou marcar um golo que animasse a partida, mas Patrício estava intransponível!

 

Vitória justíssima de Portugal, principalmente pelo que fez na segunda parte, Paris é o próximo e último destino, voltamos a uma final europeia 12 anos depois. Se a Alemanha vencer a França, conquistamos também o acesso à Taça das Confederações.

 

Quanto a Gales, não tenho dúvida que os seus adeptos estarão orgulhosos do que a sua Selecção fez neste Europeu de 2016, mas hoje, Portugal foi claramente superior!

 

Homem do jogo: Cristiano Ronaldo

 

 

 

 

05
Jul16

E Agora, Alemanha?


J.G.

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Os alemães começaram por resolver calmamente a sua situação no Grupo C. Uma vitória frente à Ucrânia deu o mote para uma primeira fase tranquila. Contra a Polónia houve muita luta mas as duas equipas ficaram contentes com o nulo, depois os alemães só precisaram de um golo para bater os simpáticos irlandeses do norte e ficar no 1º lugar. 

Contra a Eslováquia o ritmo foi de passeio, vitória fácil e apuramento garantido para uma série de autênticas finais antecipadas. O primeiro sinal de real candidatura ao título europeu veio no jogo com a Itália. Low surpreendeu ao apresentar uma equipa trabalhada especialmente para bater os italianos, com um 3-5-2 sem Draxler e com uma dinâmica que anulou o bom futebol que o adversário tinha mostrado com a Espanha. 

Flexível tacticamente e com rotatividade de unidades em várias posições, a Alemanha dominou o jogo com a sua besta negra que sempre os tinha afastado das grandes competições. A vitória parecia clara e justa não fosse um erro ridículo de Boateng a adiar tudo para o drama dos penaltis onde os alemães até deram algumas baldas, coisa raramente vista, mas os italianos fizeram ainda pior.

 

Ficou a ideia de uma Alemanha forte mentalmente, prática nos vários momentos do jogo e com trunfos de respeito na hora de decidir. 

O problema de Low é que a equipa está fortemente abalada para esta meia final com as ausências de Hummels, por castigo, e dos lesionados Gomez, Khedira e, provavelmente, Schweinsteiger. Tendo em conta que a aposta em Mario Götze não correu bem e que Draxler é muito inconstante, Low vai ter de improvisar para enfrentar uma França na máxima força após o passeio contra a Islândia.

 

É a primeira vez que estas duas equipas se defrontam num Europeu mas em Mundiais o saldo é muito favorável à Alemanha, basta recordar a vitória em 2014 com golo de ... Hummels.

Teoricamente, a Alemanha parte em desvantagem. Joga em casa da França, teve um desgaste enorme contra a Itália enquanto a França goleava a Islândia, tem vários ausentes importantes para a equipa mas são os campeões do Mundo. Ninguém duvide que vão dar tudo para chegarem a mais uma final de um grande torneio. 

05
Jul16

E agora, França?


RSolnado

A jogar em casa a França era naturalmente uma das mais prováveis semifinalistas. E tal como o emparelhamento previa, para chegar à final terá de ultrapassar a Alemanha nas meias-finais. As grandes perguntas que se colocam são, estará a França pronta para um grande teste? Será que Deschamps mantém o plano que tão bons resultados deu nos últimos 135 minutos de futebol, ou volta à forma inicial?

Voltemos ao arranque do Europeu. Depois de dois anos a preparar esta competição com jogos amigáveis, Deschamps foi construído uma equipa com base clara em 4-3-3, com um médio mais posicional a dar liberdade a Pogba e Matuidi para auxiliarem o trio da frente. Só que nos primeiros jogos, muito por culpa da forma menos exuberante destes 2 jogadores, a equipa sentiu algumas dificuldades para fazer a diferença na frente. Griezmann demorou a aparecer, foram valendo Payet e Giroud para resolverem os problemas frente às menos cotadas Roménia e Albânia.

O jogo com a Suiça foi para “cumprir calendário”, mas foi nos oitavos de final que tudo começou a mudar. A perder ao intervalo, o treinador fez cair o médio mais defensivo (Kanté) e entrar Coman, passando do 4x3x3 para um 4x2x3x1, com Griezmann a jogar nas costas de Giroud. E esta foi a mudança chave no jogo dos franceses, que não só deram a volta ao jogo com a Irlanda em pouco tempo, como mantendo o plano para o jogo com a Islândia, agora com Sissoko como médio direito, dizimaram umas grandes surpresas da prova em apenas 45 minutos, e sempre com Griezmann. Payet e Giroud em plano de evidência. Dos 12 golos marcados até agora, 11 deles foram apontados por estes 3 jogadores, que também estiveram em 6 deles na assistência final.

Esta nova geração francesa está a dar mostras do seu valor, e lembremos que já no Mundial 2014 tinha deixado boa impressão. Na altura caíram nos quartos ante a Alemanha, que agora reencontram, num jogo muito táctico e fechado, e decidido logo a abrir numa bola parada. O grande dilema de Didier Deschamps neste momento é se mantém o plano que tão bons resultados tem dado à equipa, o 4x2x3x1, ou se volta ao seu 4x3x3 predilecto.

A reentrada de Kanté permitirá controlar melhor as acções de Özil e Kroos, por quem passa todo o jogo alemão, mas pode tirar à França capacidade de improviso e de desequilibrar a defesa contrária. Mais, se Deschamps voltar ao posicionamento incompreensível de Matuidi como interior-direito e Pogba como interior-esquerdo, cortará ainda mais a capacidade da equipa desenvolver jogo ofensivo, ainda por mais com Griezmann a ter de voltar de jogar sobre um flanco, onde o seu rendimento tem sido muito inferior relativamente aos momentos em que joga nas costas de Giroud.

Outra hipótese passaria pela entrada de Kanté por Pogba ou Matuidi, mas seria uma decisão muito mais polémica, e apesar de Deschamps não fugir destas decisões, já teve uma boa quota parte delas ainda antes deste Euro. Mantendo a estratégia actual, Sissoko na direita não é uma solução muito forte ofensivamente, mas do ponto de vista defensivo e na dimensão física do jogo dá muito a equipa e pode vigiar Hector, o lateral alemão de gigante propensão ofensiva.

Defensivamente, a França tem tido alguns problemas. É certo que até ao intervalo do último jogo só tinha consentido 2 golos, ambos de grande penalidade mas 2 lances completamente escusados. Na segunda parte frente aos Islandeses facilitou e sofreu mais 2 golos. Rami estará de regresso, um improvável titular que tem cumprido, mas que poderá ter dificuldades frente a uma Alemanha que sem Gomez irá certamente ter uma frente de ataque móvel.

A jogar em casa, e inspirada pelos feitos do Euro 84 e Mundial 98, a França conta novamente com o seu público para fazer história. É que sendo o primeiro duelo de sempre entre alemães e franceses em Europeus, nos últimos 3 duelos em Mundiais, 2014, 1986 e 1982, foram os alemães que saíram sempre a rir. Só em 1958 a França ganhou à Alemanha em jogos oficiais. E diga-se sem rodeios, se passar a Alemanha a França será a grande favorita a vencer a final de dia 10. Se bem que isso às vezes de nada vale, como ficou provado em 2004.

Chegou a hora da melhor geração do futebol francês dos últimos 15 anos mostrar que está pronta para ficar na história. Veremos se estão prontos ultrapassarem o(s) desafio(s) que falta(m)!

 

 

05
Jul16

E agora, País de Gales?


J.G.

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 Agora, tudo parece ser possível para os bravos heróis de Gales, os únicos sobreviventes da invasão britânica ao Europeu de França.

Estar nas meias finais num Euro alargado com mais uma eliminatória do que era normal, já é um feito que marcará a história do futebol da nação galesa, mais conhecida pelos seus feitos no rugby.

Mas na verdade todos sonham com algo mais e os resultados conseguidos são uma excelente base para alimentar esse sonho. O País de Gales chegou a França após uma qualificação dramática. O facto de estarem presentes num Europeu pela primeira vez já deu para motivar o país e deixar os seus adeptos em festa até agora. Sabia-se que tinham argumentos individuais para lutarem por um apuramento na fase de grupos, desde logo com a estrela do Real Madrid, Gareth Bale, à cabeça.

O desempenho ultrapassou as melhores expectativas, 5 jogos, 4 vitorias! A única derrota aconteceu com os vizinhos ingleses e teve sabor a injustiça. As vitórias categóricas contra Rússia e Bélgica dão toda a legitimidade a Gales para estarem confiantes para a meia final.

 

O seleccionar tem utilizado um 5-3-2 que vem a ser aperfeiçoado desde o primeiro jogo.Enorme solidez defensiva com dois alas incríveis tanto a defender como a atacar, Chris Gunter e Neil Taylor. Estes também são os dois homens em foco por estes dias por simbolizarem a proeza inesperada com reflexos na vida pessoal. Taylor teve que pedir compreensão à sua companheira por não irem ver o concerto de Beyoncé em Wembley, ele tinha comprado os bilhetes mas a aventura em França está a ser mais comprida do que esperava. Já Gunter tem um problema mais complicado, aceitou ser padrinho de casamento do seu irmão no México e vai improvisar o discurso à distância via Skype. Os pais optaram por acompanhar o filho que está no Euro, o casamento não será a festa familiar esperada...

Joe Ledley, outro jogador em destaque com belas exibições e danças estilosas no final dos jogos com os adeptos, ia casar no próximo sábado em Ibiza mas já pedir compreensão à sua noiva que estará em Lyon para o apoiar.

 

Com Gareth Bale um pouco mais livre entre o meio campo e o ataque, Gales consegue dar forma a uma táctica que tira mesmo o melhor dos seus jogadores mesmo com trocas pontuais de jogadores. Ter um ataque construído por Joe Allen, Aron Ramsey e Bale, só pode dar bons resultados, se tudo for bem organizado temos uma nação a sonhar.

 

O problema para Coleman nesta meia final é como substituir Ramsey e Ben Davies . O jovem central do Tottenham é peça muito útil no sector defensivo, pois pode ocupar o centro ou a faixa esquerda mas é substituível sem grande mossa. Já o jogador do Arsenal é mais complicado de se fazer esquecer, tem sido um dos elementos chave da equipa neste Euro, além do golo que marcou à Rússia leva já 4 passes para golo.

 

Escolha quem escolher, Coleman sabe que todos se vão entregar com o mesmo espírito conquistador que mostraram até aqui. Só sabem jogar para vencer, quando se encolheram com os vizinhos ingleses correu mal e serviu de lição. A moral está mais alta que nunca e vão querer mostrar a Portugal que querem ir mais longe na estreia da competição do que fizeram os Patrícios em 1984.

04
Jul16

E agora, Portugal?


Pedro Varela

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Portugal chegou ao Europeu de França como possível candidato à vitória final. Não era favorito a ser campeão europeu, não é considerada uma selecção temível, mas respeitada pelo facto de contar nas suas fileiras com um dos melhores jogadores do mundo. A grande questão, que hoje ainda continua a ser debatida, a dependência de Ronaldo para conseguir bons resultados. A caminhada até às meias finais mostra que, afinal, mesmo não estando o jogador do Real Madrid no seu melhor momento, é possível conseguir bons resultados. Isso e, obviamente, estarmos perante um renovado modelo de fase final de competição alargado a 24 selecções onde os terceiros classificados dos grupos podem passar aos oitavos de final.

 

Entre a fase de grupos e as eliminatórias, Portugal apresentou duas selecções bem distintas. Comecemos pela primeira fase, onde Fernando Santos evidenciou alguns problemas ao nível das escolhas para o onze titular, principalmente no meio campo. Nos três jogos diante da Islândia, Áustria e Hungria foram opções certas nesta zona do terreno: João Moutinho, André Gomes, William Carvalho e João Mário deslocado da sua posição, estes dois últimos falharam o primeiro jogo. A discórdia, na minha opinião, passa pela não inclusão de Adrien e Renato Sanches desde que o Euro começou. Para mim seriam sempre escolhas óbvias. Vejamos que ambos os jogadores estiveram impecáveis ao longo da época, nos seus clubes, sendo preponderantes nos resultados conseguidos. Chegavam a França cansados, sem dúvida, como todos os outros, mas em excelente forma. A questão, para mim, sempre se colocou em quem os acompanharia no meio campo?

Danilo ou William Carvalho? Quaresma, o talismã? João Mário? Para Fernando Santos isso não era óbvio!

 

Chegamos à fase de "mata-mata". Do conjunto de 5 jogos que a Selecção efectuou até ao momento, foi diante da Polónia que, provavelmente, fizemos o melhor jogo perante um adversário forte, que sofria poucos golos e que, por exemplo, tinha batido o pé aos campeões do mundo, a Alemanha. O meio campo de Portugal? William, Renato, Adrien e João Mário. Na frente não há grandes dúvidas, Ronaldo e Nani, na defesa, se Pepe tem lugar cativo pelas exibições protagonizadas, Fonte agarrou bem o lugar que Ricardo Carvalho deixou.

Cédric e Eliseu sem deslumbrar, assumem-se com as melhores soluções, ainda que Raphael Guerreiro tenha uma palavra a dizer.

 

Quero com isto dizer que Fernando Santos demorou a perceber, aproximadamente 270 minutos, que Moutinho e André Gomes não podem ser titulares, Danilo eventualmente poderá ser opção, e vai ser pelo castigo de William, mas, o complicómetro do treinador Português continua ligado quando coloca Renato tão colado à linha, quase ao ponto de o pôr fora do campo, ou quando João Mário está no lado contrário ao que habitualmente joga no Sporting e fez mais de 40 jogos. 

 

Mas isto são apenas as minhas reflexões de bancada, mais simples e fáceis de fazer, porque na generalidade, se olharmos apenas para o resultado prático, o que foi até ao momento conseguido é de elogiar. Estamos no top-4 de uma competição que muitos desconfiariam que iríamos chegar tão longe. Não foi bonito, foi eficaz, é a quarta vez nas últimas cinco edições do Europeu que Portugal atinge as meias finais, provavelmente a menos brilhante em termos exibicionais e certamente a menos conseguida em resultados, mas chegaram lá, que é praticamente tudo o que importa!

 

Até onde podemos chegar?

Nesta altura, mesmo respeitando a Selecção Galesa, que apresenta excelentes argumentos e demonstrou-o dentro de campo, primeiro lugar no grupo onde estava a Inglaterra, o melhor jogador, Gareth Bale em forma, só podemos ambicionar um lugar na final.

Não vejo outra ideia a ser passada dentro do balneário Português. Portugal volta a ter uma oportunidade de ouro para chegar a uma final do Europeu, 12 anos depois de o ter conseguido em Portugal. A acontecer, o adversário será Alemanha ou França, duas das Selecções que tinham o "selo" de candidatas à vitória final. Futurologia não é o meu forte, mas no dia 10, se lá estivermos, tudo poderá acontecer!

 

03
Jul16

França 5-2 Islândia : domínio avassalador Gaulês!


Pedro Varela

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Acabou a aventura da Islândia no Euro 2016 de França aos pés da Selecção anfitriã. Foi bonito, emocionante e uma surpresa para todos. Vá, não tenhamos receio de o dizer, porque ninguém se atreveria a indicar a Islândia como uma das potenciais oitos selecções a estar presente nos quartos de final.

 

Durante o hino Islandês vimos fantástica imagens dos seus adeptos orgulhosamente a cantar e a sentir um momento único de um pequeno país. Em Saint-Dennis estavam presentes 3% da população. Claro que o futebol que apresentaram, principalmente hoje, dificilmente serve para bater os principais candidatos à vitória final e no único teste contra um deles, quando as coisas correm mal, a catástrofe pode estar próxima. Mas, não podemos deixar de referir que estes últimos 12 anos neste país nórdico foram absolutamente vitais para a evolução que o futebol assistiu no país e que hoje tive um final "feliz" em França.

 

Entre infra-estruturas que foram construídas de raiz para a prática de futebol, a treinadores de futebol qualificados pela UEFA, 1 para 500 jogadores, em Inglaterra é de 1 para 5.000, a equipas que se prepararam afincadamente para este momento, como é o caso de Breidablik nos subúrbios de Reykjavík, que tornou-se no melhor centro de jovens futebolistas do país e que contribuíu com 4 jogadores para os 23 desta Selecção, a Selecção da Islândia foi a grande surpresa do Euro mas a sorte está muito longe de ser o grande responsável pelos 5 jogos que realizou no Europeu.

 

O jogo de hoje para os Franceses era acessível, mas não podiam facilitar. Deschamps trocou Kante por Sissoko no meio campo e no centro da defesa colocou Umtiti no lugar de Rami.

Do lado contrário, a Selecção Islandesa apresentou o mesmo 11 titular, repetiu-o por 5 vezes, algo que nunca tinha acontecido em fases finais desta competição.

 

A entrada absolutamente violenta da França que até aos 20 minutos marcou dois golos, Giroud e Pogba, praticamente selou a qualificação para a meia final. Os Islandeses demoraram a reagir, só aos 24' tiveram a primeira oportunidade por Böðvarsson, mas, a característica que os tinha diferenciado nos quatro anteriores jogos, meio campo combativo não estava a funcionar. Era uma França dominadora e que em dois minutos voltou a marcar mais dois golos já perto do intervalo. Payet faz o 3-0, chegando nessa altura a igualar os melhores marcadores do Euro, mas Griezmann tinha outros planos e isolava-se como novo líder dos goleadores. Aliás, nos últimos 8 golos da França, Griezmann esteve em 6 deles: marcou 4, assistiu 2.

 

A segunda parte começa com duas mexidas na Selecção da Islândia, entravam Ingasson para a defesa e Finnbogason para o ataque. E ainda se sorriu nas bancadas dos adeptos do país dos vulcões quando Sigthórsson reduziu para 1-4. Sol de pouca dura, Payet, no minuto seguinte, marca um livre a mais de 35 metros da baliza e Giroud na alturas, tudo corria mal aos jogadores Islandeses, atirava para o fundo das redes com Halldórsson mal batido.

 

Deu tempo para Deschamps descansar alguns jogadores, já a pensar no embate diante da Alemanha, em jeito de final antecipada. A 7 minutos do final do jogo, Bjarnason, que já tinha marcado a Portugal, fixou o resultado final.

 

Dizem que o sonho Islandês terminou. Não concordo. Isto foi bem real e todos que os defrontaram estavam com os olhos bem abertos. A França, como candidata à vitória final no Euro, não facilitou e puxou dos galões para evitar qualquer tipo de surpresa!

 

Homem do jogo: Giroud

 

03
Jul16

Alemanha 1 - 1 Itália (6-5 em Grandes Penalidades): O Fim da Maldição Italiana Sobre a Alemanha


J.G.

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Foi mesmo uma espécie de final antecipada com golos, prolongamento, penaltis, emoção e final histórico. Pela primeira vez a Alemanha elimina a Itália numa fase final de um Euro ou Mundial. Foi muito sofrido mas os campeões mundiais abateram mesmo a sua besta negra.

 

Vale a pena recuperar o começo da partida que pode não ter sido muito espectacular em pormenores técnicos mas foi gigante em termos tácticos. Desde logo com a Löw a surpreender ao apostar num 3-5-2 deixando de fora o melhor jogador da eliminatória anterior, Draxler. O treinador alemão mostrou ter compreendido muito bem o sucesso dos azuis contra os ainda campeões europeus espanhóis e não hesitou em mexer no seu sistema táctico. Basicamente, criou um espelho à táctica preferida de Conte e anulou qualquer vantagem que os italianos pudessem ter a meio campo. Löw também percebeu que a posição "6" de Itália sem De Rossi teria que viver de improviso e o facto da equipa italiana estar quase toda condicionada com cartões amarelos que ameaçavam os jogadores de perderem uma meia final foi bem explorado.

 

Por seu lado, a Itália não se mostrou muito incomodada com a aposta táctica alemã e mostrou-se confortável na sua postura defensiva baseada naquele autêntico muro formado pelo trio Barzagli, Bonucci e Chiellini. 

As equipas encaixaram-se no tal espelho de sistemas e a um ataque mais paciente, organizado e de posse de bola da Alemanha, os italianos respondiam com transições rápidas sempre procurando a velocidade de Eder e o posicionamento forte de Pellè. 

Acabou por ser uma primeira parte muito interessante embora sem grande oportunidades devido a anulação defensiva mutua.

 

Na 2ª parte a Alemanha assumiu ainda mais as despesas do jogo e estabilizou após o sobressalto de ter perdido cedo no jogo Khedira por lesão, Schweinsteiger na parte complementar entrou bem no jogo. A Itália acusava a pressão e o crescimento alemão na partida. Florenzi negou de forma acrobática o primeiro golo e Buffon ia chegando para tudo o que o seu trio de centrais não varria. Em 4 minutos, três italianos viram cartão amarelo anunciando o que aí vinha.

Aos 65' a Alemanha consegue criar desequilíbrios no lado esquerdo do seu ataque, enorme desmarcação de Gómez pela esquerda, o avançado deixa para Hector, que cruza rasteiro para Özil concretizar, sem hipótese para Buffon.

Era uma vantagem merecida para quem mais procurou ganhar. 

 

Esperava-se forte resposta transalpina mas foi a equipa de branco e preto a continuar por cima e só não resolveu o jogo porque Buffon mostrou toda a sua qualidade com uma defesa lendária que manteve a Itália em jogo.

O capitão italiano não só negou um golo fabuloso a Gómez com ainda motivou a sua equipa a ir à procura do golo. Pellè não conseguiu, pelo meio Gómez também sai lesionado dando o lugar a Draxler. Mas foi Boateng a ressuscitar a Itália com uma abordagem ridícula na sua área com os braços levantados mesmo a pedir que a bola lhe tocasse e desse penalti. Foi o que aconteceu. Bonucci agradeceu e empatou.

Um jogo que a Alemanha tinha na mão acaba por ir para prolongamento e o fantasma da tradição que apura sempre os italianos voltou forte.

 

Mesmo sem grandes oportunidades, o rigor táctico esbatia-se por esgotamento físico e o jogo ameaçava cair para qualquer lado se alguém fraquejasse num momento certo. Não aconteceu e tudo se ia decidir nos penaltis.

Conte lançou no prolongamento Insigne e Zaza, o último, claramente, como trunfo para os penaltis.

Löw só mexeu mesmo por obrigação de lesões e ficou com uma substituição por fazer ao fim de 120' dando sinal claro de confiança para os que jogaram.

 

A Alemanha é conhecida por não perder jogos em penaltis mas como do outro lado estava a Itália a emoção durou até ao fim.

Müller, Özil e Schweinsteiger falharam os seus penaltis, coisa tão rara que os adeptos alemães temeram o pior mais do que uma vez. Mas Zaza, Pellè e Bonucci não fizeram melhor, para Darmian deitar tudo a perder. Hector marcou o penalti decisivo e lançou a Alemanha para as meias finais.

A vitória fica bem aos campeões do mundo que procuraram mais o golo mas Buffon não merecia sair assim deste Euro. 

Com a besta negra abatida, a Alemanha é mais candidata que nunca.

 

 

01
Jul16

País de Gales 3–1 Bélgica: O fado do maestro Ramsey


RSolnado

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Segunda partida dos quartos-de-final entre duas formações à procura de um apuramento histórico, embora a Bélgica tenha sido finalista há 36 anos. Os treinadores mexeram nas equipas, Coleman manteve os “10” base e mudou Vokes por Robson-Kanu, do outro lado duas mudanças forçadas na defesa e uma por opção no ataque. E foi a defesa belga que deu muitos problemas a Wilmots e custou-lhe a eliminação. Mas já lá vamos.

Naquela que foi uma das melhores primeiras partes do Euro até ao momento, foram os belgas a entrar melhor, mais incisivos e mais esclarecidos nas suas acções,  logo aos 3 minutos uma transição rápida resultou numa tripla ocasião de golo, mas Carrasco e Meunir viram os seus remates bloqueados e Hazard viu o seu desviado para canto. Era um aviso, que não teria continuidade até aos 13’, quando Nainggolan fez um golaço num tiro de fora da área. Fica em dois dos golos mais bonitos do Euro, se nos lembrarmos do golo contra a Suécia.

Um quarto de hora de jogo a Bélgica estava nas suas sete quintas, saindo na transição rápida com perigo aos 25’ já tinha “arrancado” 3 amarelos a 5 dos defesas de Gales. Havia alguma curiosidade para ver como Gales iria reagir em desvantagem, mas os homens de Coleman mostraram uma frieza e uma organização impressionantes. Assumiram o jogo e trocaram a bola sem rodeios, sempre com Ramsey a assumir a batuta, e foram explorando as debilidades da defesa belga, em particular Jordan Lukaku. Avisaram primeiro, num jogada de Ramsey pela esquerda (lá está) a cruzar para Taylor rematar para monstruosa defesa de Courtois.

Aos 30’ veio o golo do empate, canto de Ramsey e terrível defesa zonal da Bélgica com Jordan Lukaku e Denayer a deixarem o capitão Ashley Williams entrar de rompante para um cabeceamento fulminante, mais parecia um remate com o pé. Loucura nas hostes galesas. Bale em grande cavalgada iria rematar de pé direito fraco, mas até ao intervalo ficou a clara sensação de que eram os belgas com pressa de chegar o tempo de descanso.

E mais ficou essa ideia quando das cabines veio a mudança, saiu Carrasco e entrou Fellaini. Reforço do meio-campo e do jogo aéreo, mas vou admitir que Dembelé estará mesmo lesionado (estava no banco, sem meias de jogo), pois já se sabe que Fellaini geralmente só atrapalha, e hoje não foi excepção.

A Bélgica começou forte na segunda parte, um pouco à imagem da primeira, e Hazard e De Bruyne ameaçaram o golo. Mas foi Gales a marcar aos 55 minutos. E numa jogada desenhada na perfeição: Bale no passe para o espaço a meio-campo, Ramsey a desmarcar-se e tirar um contrário do caminho (Jordan Lukaku novamente nas covas), cruzamento para a área onde as dobras não funcionaram, Fellaini muito passivo a abordar o lance, Meunier e Denayer muito ingénuos a serem enganados por uma rotação de Robson-Kanu, que celebrou o seu primeiro dia de desemprego com um golo nas meias-finais do Euro!

E este golo fez mossa nos belgas, que não esboçaram reacção. Muita posse de bola mas inconsequente, e Gales a fechar-se cada vez mais, encantando da vida e muito concentrado na sua missão. Só a partir do minuto 75 a Bélgica, já no desespero, começou a criar perigo, nomeadamente de cabeça. Saíram os Lukaku’s, tarde demais. A saída de Jordan para entrada de Mertens deixou a equipa em 3-3-3-1, e a saída de Romelu só aos 83 minutos causa estranheza já que passou completamente ao lado do jogo.

Pelo meio terrível notícia para o País de Gales. Já tinham perdido Ben Davies, agora ficavam sem Aaron Ramsey para o jogo das meias-finais. E é uma baixa de peso, Ramsey e Bale são os 2 jogadores acima da média nesta equipa, e não têm substituto à altura. E Ramsey alimenta o jogo todo de Gales, hoje fez 2 assistências, tem mais 2 na prova e 1 golo.

No desespero belga, e para por ponto final num belo jogo de futebol, e também para deixar mais uma marca neste verdadeiro conto de fadas de Gales, surgiu o 3x1 aos 85’. Cruzamento perfeito de Gunter da direita e cabeçada irrepreensível do suplente Vokes (tinha rendido Robson-Kanu) para acabar com as dúvidas. Triunfo justíssimo do País de Gales, sublinhado em campo e no resultado.

O País de Gales chega às meias-finais na sua primeira participação em Europeus. E agora, mesmo sem o maestro Ramsey, irá lutar com tudo contra Portugal por um lugar na final. E diga-se que, apesar da campanha acidentada, Portugal é claramente favorito nesta meia-final.

Homem do jogo: Aaron Ramsey.