Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Parque dos Príncipes

Espaço dedicado à cobertura do Campeonato Europeu de Futebol de Selecções a decorrer em França de entre 10 de Junho e 10 de Julho

Parque dos Príncipes

Espaço dedicado à cobertura do Campeonato Europeu de Futebol de Selecções a decorrer em França de entre 10 de Junho e 10 de Julho

30
Jun16

Polónia 1-1 (4-5, GP) Portugal: Entregaram-se à sorte, sorriu Portugal.


RSolnado

Abertura dos quartos-de-final, a Polónia com o seu 11 de gala, Portugal com o 5º onze diferente em 5 jogos e com Renato Sanches pela primeira vez titular, no lugar de André Gomes, uma de duas trocas relativas ao último jogo, também Raphael Guerreiro saiu por lesão, reentrando Eliseu.

E foi uma entrada em falso de Portugal. Nem 2 minutos de jogo iam concluídos, passe longo de Piszczek a variar o flanco, abordagem infantil de Cedric a deixar a bola bater no chão e passar-lhe por cima, Grosicki ficou com via aberta no corredor, cruzou para área e Lewandowski a finalizar de primeira antecipando-se a William, que não chegou a tempo da dobra já que os 2 centrais foram arrastados por Milik.

Um golo tão madrugador num jogo dá sempre algo de diferente a um jogo, e os polacos sentiram-se bastante confortáveis nos minutos seguintes, perante uma equipa contrária que acusou o golo, muitos passes errados, muitas decisões precipitadas e pouca lucidez no jogo. Algumas tentativas de remate, mas sem direcção ou perigo. Renato era o único jogador a transportar bola e tentar variar o jogo, jogando com um à vontade de quem faz isto há muitos anos, e afinal tem 18 anos. Como dissemos na antevisão do Euro aqui no Parque, a sua força e poder de explosão permite impor uma velocidade e intensidade no jogo que mais ninguém pode oferecer.

Do outro lado na tentativa de resposta rápida, muitas vezes potenciada por um ataque português desorganizado, a Polónia tentava criar perigo. Lewandowski ameaçou aos 17’, Grosicki teria nova incursão pela esquerda cortada por Pepe. Do outro lado o primeiro remate enquadrado chegou aos 28’ por Ronaldo, fraco e à figura.

Aos 33’ minutos surgiu o golo do empate, o mais inconformado até ao momento foi feliz, Renato recebeu na direita, flectiu para o meio fazendo a tabelinha com Nani (que classe de assistência com o calcanhar), e rematou depois de puxar para o pé esquerdo para o fundo da baliza de Fabianski. Tudo empatado, jogo em aberto. Até ao intervalo, Portugal mais tranquilo em campo e uma Polónia a gerir o estrago causado pelo golo do empate.

O segundo tempo começou mais refreado que o primeiro, muito por culpa do posicionamento demasiado aberto de Renato na direita e João Mário na esquerda, ficando demasiado tempo fora do jogo. A Polónia atacou pela certa, e sem muito perigo. Aos 49’ Lewandowski antecipou-se a Cédric mas Patrício defendeu com segurança. Aos 61’ respondeu Cédric com um tiraço de longe. Aos 67’ Milik antecipou-se a Pepe (sinceramente na única distracção na exibição magistral no comando da defesa) e rematou para grande defesa de Patrício.

Os treinadores começaram a mexer no jogo, Moutinho rendeu Adrien e Quaresma rendeu João Mário, do outro lado Kapustka rendeu Grosicki. De bola parada Fonte assustou Fabianski, e a grande passe de Moutinho, Cristiano Ronaldo falhou na bola, irreconhecível na finalização.

O jogo foi correndo e todos perceberam que iria a prolongamento. E os 30 minutos adicionais foram um arrastar de uma segunda parte onde as equipas se entregaram à sorte da lotaria das grandes penalidades, com alguns remates mas nem um lance de real perigo.

No desempate, todos os jogadores que bateram enganaram os guarda-redes até à oitava grande penalidade: Kuba rematou para a sua direita, voou Patrício para uma enorme defesa a um mão. Quaresma converteu o penalty decisivo e colocou Portugal nas meias-finais. Está igualada a prestação de 1984, 2000 e 2012. E ainda sem uma vitória em 90 minutos…

Melhor em campo: Renato Sanches

27
Jun16

Inglaterra 1-2 Islândia : heróis vulcânicos!


Pedro Varela

islandia2.jpg

 

♫♫

Small island is on fire
Big island is terrified
NA NA NA NA NA NANA NANA NANANA

♫♫

 

Acabamos de assistir a história do futebol mundial, verdade seja dita, o Europeu de 2016 já valeu pelo que há momentos se passou em Nice. A Islândia, com pouco mais de 300 mil habitantes, venceu a Inglaterra e eliminou-a da competição, uma nação que tem mais de 8 milhões de pessoas a praticar futebol, e pelo que assistimos em campo não foi um escândalo!

Se a passada semana tinha sido, a nível político para os ingleses um adeus à Europa, a Selecção em campo não quis ficar atrás e seguiu os passos da maioria que votou pela saída do Reino Unido da Europa. Já se fala da possibilidade da Selecção dos "Três Leões" passar a "Três Gatinhos" agora que se isolaram do velho do continente. A acompanhar!

 

Roy Hodgson fez um campanha incrível de qualificação, em 10 jogos conseguiu 10 vitórias. Qualificou-se para os oitavos de final sem fazer um jogo verdadeiramente de possível candidato. Hoje operou 5 substituições, diria que todas elas previsíveis Rose, Sterling, Kane, Rooney e Alli, pois o jogo da terceira jornada serviu para poupar jogadores, mas continuou a praticar um futebol medonho.

Do lado Islandês, Lagerbäck manteve o 11 titular que venceu na última jornada a Áustria. É caso para perguntar, percebem porque a Islândia lutou para vencer esse jogo sabendo que iria encontrar a Inglaterra? A resposta na vitória de hoje!

 

A derrota da Inglaterra, que diga-se de passagem, é completamente justa, ainda é mais acentuada e frustrante para os Ingleses, quando aos 4 minutos Rooney marca o 1-0 de grande penalidade. Era complicado começar de melhor forma.

Mas, como sabemos, Islândia é o país do vulcões, os jogadores estavam adormecidos mas a erupção estava para começar. O primeiro abalo foi logo aos 6 minutos com Gunnarsson a fazer um lançamento longo para Árnasson que coloca a bola na área e Sigurdsson marca o golo do empate.

E como bem sabemos da actividade vulcânica, depois das tremideiras iniciais, a lava explode e vem por aí abaixo, e numa jogada bem trabalhada à entrada da área Inglesa, ninguém pressiona Sigthórsson que atira para o fundo da baliza de Hart, que deixa a ideia de ser mal batido!

 

A partir deste momento, com a lava a expandir-se a toda a velocidade, bem sabemos que é difícil parar este movimento. O intervalo chegou com um aviso muito sério: já só faltavam 45 minutos para recambiar os ingleses de volta para a ilha!

 

E o que fez Roy?

 

Tira Dier e coloca Wilshere. A Selecção Inglesa continuou apática, sem fio de jogo, sem a minha noção de como livrar-se da camisa de forças em que estava metida. Deu pena ver Rooney completamente desgastado por ter actuado quase 90 minutos fora da sua melhor posição, ou Kane a enviar bolas para fora como quem está em dia de apresentação num novo clube a mandar bolas para os adeptos nas bancadas e Vardy que entrou e quase sem jogo, sem oportunidades, sem bola, tal eram as fracas assistências dos seus companheiros. O momento "malucos do riso" é lançar Rashford com o jogo mesmo a terminar e já desesperado numa óptica de "pode ser que dê!"

 

Não quero com isto tirar o mérito da Islândia. Que força da natureza neste Europeu nos lances de bola pelo ar, e até pelo chão, que os seus jogadores empregam em cada lance. Tudo é uma batalha, um duro embate como se própria vida dependesse da bola que se vence. E depois, tivemos Sigurdsson. Batalha, batalha, marca o golo, atira de pontapé de bicicleta, batalha, remata e ficamos cansados de o ver em campo. Mas felizes, porque aquilo é tudo genuíno!

 

Uma Selecção que empata com Portugal, vence à Áustria e Inglaterra, merece continuar a maravilhar o mundo do futebol, dentro de campo com um futebol aguerrido e fora de campo com o apoio incrível dos seus adeptos.

 

A Inglaterra volta à estaca zero. Desilusão incrível, Roy Hodgson já se demitiu!

 

Homem do jogo: Sigurdsson

 

27
Jun16

Itália 2-0 Espanha: Supremacia total


RSolnado

Jogo grande do cartaz dos oitavos de final, entre os finalistas de 2012. A Espanha apresentou a mesma equipa dos três primeiros jogos, do lado italiano Candreva lesionado foi rendido por Florenzi, De Sciglio o escolhido para jogar à esquerda.

Logo no primeiro minuto se percebeu a tal surpresa que Conte tinha preparada para a Espanha. Uma pressão feita logo à saída da área contrária, e sempre com Pellé a condicionar Busquets. Não respirava a Espanha, optando por sair em jogo directo, onde as torres italianas e da Juventus davam conta do seu antigo colega Morata. Durante a primeira parte a Espanha não conseguiu chegar à área contrária uma única vez em posse de bola.

Sem espanto, foi a Itália a criar perigo ainda nos primeiros dez minutos De Gea respondeu com uma grande defesa a um cabeceamento de Pellé e depois a uma bicicleta de Giaccherini, anulada por falta (que falta?) pelo árbitro turco. Sem se distrair e mesmos abrandando um pouco a profundidade da sua pressão, a Itália continuava com a Espanha no bolso.

E ofensivamente, com processos simples mas eficazes, o perigo espreitava. Sergio Ramos ficou perto de um auto-golo perto da meia-hora, e logo a seguir fica ligado ao primeiro golo do jogo. Falta em zona proibida, livre em posição frontal. Éder bateu forte e De Gea procurou agarrar mas o remate levava fogo, má decisão do GR espanhol, no ressalto toda a defesa foi muito lenta e o golo chegou: do pé de Gea contra a perna de Giaccherini, sobrou para Chiellini, que perdeu a final de 2012 por lesão, encostar para golo.

Teria de reagir a Espanha, e conseguiu então o seu único remate da primeira parte – e mais pareceu um passe a Buffon. Sem reagir, a Espanha só não foi em maior desvantagem para o intervalo porque De Gea voou para travar o remate de Giaccherini. A Itália respirava confiança na saída para o intervalo.

Del Bosque tirou Nolito e lançou Aduriz. Agora com 2 avançados para jogar na área, aguardavam-se as mudanças. E até arrancou a pressionar, e de bola parada Morata cabeceou à figura. A Itália baixava um pouco as linhas, mas mantendo-se bem posicionada e condicionando a acção de Busquets e Iniesta. A de Fabregas não era preciso condicionar, como é que Thiago não saiu so banco?

Aos 55’ o contra-ataque italiano quase resolvia o jogo, Éder isolou-se mas De Gea com uma enorme mancha voltou a deixar a equipa no jogo. O jogo espanhol só abanou com a entrada de Lucas (saiu Morata), que tentou dar nova dinâmica. Numa das poucas boas jogadas colectivas, Aduriz rematava ao lado.

Seria a hora de Buffon, sim a Itália estava muito bem mas há momentos em que o guarda-redes diz presente, aos 75’ negou o golo a Piqué com um voo a remate exterior, e aos 84 ‘ fez uma defesa soberba a cabeceamento do central do Barcelona. Conte tinha refrescado a equipa e no começo do período de descontos, o golpe final. Darmian a subir e aproveitar o caos na defesa contrária, cruzamento a desviar num defensor mas a não sair da rota de Pellé, que rematou em volley tal como contra a Bélgica.

Ponto final, adiós a uma Espanha que entrou bem no Euro mas não encarou o jogo com a Croácia com a seriedade devida, e “emparelhou” com uma Itália que já todos tinham visto estar forte. Conte quer sair em grande, e agora terá novo grande desafio pela frente: A Alemanha. Se a Alemanha ainda não sofreu golos, a Itália “titular”, com Buffon e companhia, também não.

Vamos ter um novo campeão da europa.

Homem do jogo: Buffon (em nome de toda a equipa, e com menção honrosa a De Gea que manteve a Espanha no jogo).

26
Jun16

Bélgica 4-0 Hungria : a melhor geração Belga de sempre?


Pedro Varela

Belgica.jpg

Bélgica e Hungria defrontaram-se nos oitavos de final do Europeu e havia duas dúvidas para esclarecer. Será esta a melhor geração Belga de sempre? A Hungria valia tanto como o primeiro lugar do grupo de Portugal demonstrou?

 

Wilmots quase não mexeu no 11 titular, apenas retirou Carrasco e colocou Mertens em campo. Do outro lado, Storck faz 3 substituições, uma delas a acontecer no aquecimento por lesão de Kleinheisler e fez entrar Nagy, Kadar e Pintér.

 

A primeira parte é claramente dominada pela Bélgica. O aviso chegou cedo aos seis minutos por Lukaku e Király a defender para canto. Foi uma constante batalha entre os jogadores da Bélgica e o guardião Húngaro e não foi preciso esperar muito até ao primeiro golo aos 10' por Alderweireld. Uma fortíssima cabeçada indefensável!

De Bruyne estava imparável, tinha assistido no primeiro golo,  com uma dinâmica ofensiva e relativa facilidade para driblar os adversários, muitas vezes com o caminho completamente escancarado em direcção à baliza contrária, mas, as oportunidades ou esbarravam em Király ou eram desperdiçadas com remates fora do alvo.

 

Foi preciso esperar pelos 16' e um falhanço de Courtois, que escorregou, e a bola não entrou porque não levava a direcção da baliza, para se ver uma oportunidade da Hungria.

Com metade do jogo decorrido na primeira parte, a Bélgica já tinha conseguido uma mão cheia de oportunidades, do outro lado Dzsudzsák rematava de longe numa tentativa de inverter o rumo do encontro.

A mobilidade Belga estava a despedaçar o meio campo Húngaro, Nagy e Gera não conseguiam entender-se, Pintér estava muito desequilibrado e sem percepção da sua posição em campo, as oportunidades da Bélgica iam sucedendo-se. De Bruyne atira à barra aos 35', ainda desviada por Király, e Mertens mesmo a terminar a primeira parte falha escandalosamente o segundo golo.

O intervalo chega com justiça no marcador, mas ficava no ar aquela incerteza de "quem não marca, arrisca-se a sofrer"!

 

A segunda parte começa com uma substituição na Hungria, Gera perdido em campo saía para entrar Elek. Mas foi Hazard que começou a abrir o livro com nova oportunidade e excelente defesa de Király!

 

A Hungria ainda reagiu, Szalai que foi dos mais inconformados na segunda parte, podia ter empatado aos 53'. E é verdade que Pintér e Juhász também tiveram boas oportunidades para relançar o jogo. O momento da viragem aconteceu quando Wilmots colocou Batshuayi, estreia absoluta no Europeu, no lugar de Lukaku e não demorou 2 minutos a marcar o segundo golo da Bélgica. 

O jogo para a Hungria acabou nesse momento!

 

Ainda festejavam os diabos belgas o segundo golo, já Hazard marcava um dos melhores golos do Europeu, num jogada fantástica e Carrasco iria fechar o resultado do jogo já em período de descontos. A vitória da Bélgica é a maior goleada do Euro até ao momento.

 

Será esta geração Belga a melhor de sempre? Volto à questão inicial. É sem dúvida uma das mais entusiasmantes e com um conjunto de jogadores capaz de empolgar qualquer adepto de futebol Diria que Wilmots terá que mostrar se é capaz ou não de levar a máquina a bom porto e, do lado em que se encontram no caminho para a final, acredito que pensarão e muito na final de Paris.

Já a Hungria não é aquilo que, por exemplo, Fernando Santos achava, e foi, com alguma naturalidade afastada perante um adversário tecnicamente superior. Hoje sem ressaltos, foi mais complicado!

 

Homem do jogo: Eden Hazard

 

26
Jun16

Alemanha 3-0 Eslováquia: Máquina alemã a carburar


RSolnado

Os campeões do mundo tinham sido das equipas que melhor imagem tinha deixado na primeira fase, já se sabe que para os alemães não há jogos a brincar e tudo é encarado com seriedade.

Quase tudo aliás, a história deste jogo começa no dia 29 de Maio e num amigável de preparação onde a Eslováquia venceu por 3x1 a Alemanha em Dusseldorf. Low andava então apaixonado por um esquema difícil de compreender, entre o 3-5-2 e o 3-3-3-1. Esse jogo amigável serviu para se deixar de invenções e voltar à fórmula de sucesso, que parece agora ter recuperado quase toda a sua forma mais clássica, isto é, com um ponta de lança de referência.

Começamos por aí, foi o quarto onze diferente em quatro jogos, embora 7 jogadores tenham sido sempre titulares. Draxler rendeu Götze e Gomez continuou no centro do ataque. Do lado eslovaco várias mudanças, com a equipa a largar o 4x3x3 para jogar num 4x1x4x1, com um terceiro central como trinco e Kucka desviado para falso médio direito.

Só que a entrada alemã no jogo foi forte e deitou os planos de Kozak para o lixo. Aos 6 minutos Kozacik negou o golo a Khedira com uma fabulosa defesa para canto, desse canto nasce o primeiro golo, tiraço de ressaca de Boateng à entrada da área, tanto de improvável como de bem executado pelo central do Bayern. Ainda não ia decorrido o primeiro quarto de hora de jogo e Skrtel usou mãos e braços para lutar com Gomez por uma bola aérea, grande penalidade assinalada. Özil bateu sem muita convicção e tornou-se assim no primeiro alemão a falhar um penalty num Euro, Kozacik voou para o seu lado esquerdo e manteve a equipa no jogo.

Mas só dava Alemanha, e Özil e Müller iriam desperdiçar novas ocasiões para aumentar a contagem. A Eslováquia parecia amarrada e foi já perto do intervalo que surgiu no jogo numa jogada em que conseguiu profundidade pela direita; Perarik cruzou para Kucka cabecear, Neuer estava no jogo e disse presente com uma grande defesa. Na resposta foi Neuer a lançar o ataque para Draxler, o mágico dos Wolfsburgo fez a diferença e foi evitando os contrários entrando na área pelo lado esquerdo, da linha de fundo assistiu Gomez que finalizou como sabe, de primeira e para o fundo das redes.

Estava o assunto resolvido ao intervalo, pensaram todos e até o seleccionador eslovaco, que tirou Weiss e reforçou o meio-campo com Gregus. Foi a tentativa de suster a iniciativa alemã, e a Eslováquia até entrou melhor na segunda parte mas Neuer voltou a dizer presente. Aos 63 minutos Draxler culminou uma tarde em grande com um golo, aproveitando uma bola aérea após um canto para finalizar de primeira num bonito gesto técnico.

Se dúvidas restavam ficaram desfeitas, e no restante jogo foi tempo de poupanças na Alemanha, gerindo o jogo até final e estando naturalmente mais perto do quarto golo do que sofrer um. Ao cabo de quatro jogos, nenhum golo sofrido. Sólida, consistente e de ideias bem claras, aguarda agora por Itália ou Espanha naquele que será forçosamente o jogo grande do cartaz dos quartos de final.

Homem do jogo: Julian Draxler

26
Jun16

França 2 - 1 República da Irlanda: 2 Minutos para o 0-1, 3 para Griezmann Resolver


J.G.

543133196.jpg

Mais uma primeira parte miserável da França para depois aparecer forte na 2ª e resolver. Tem sido a história dos organizadores deste Euro.

Hoje, ao fim de 1 minuto de jogo já a Irlanda vencia com Brady a aproveitar um penalti cometido por Pogba. O irlandês acabou o jogo com a Itália como herói e começou este da mesma forma.

Foi o lançamento para uma 1ª parte muito interessante da equipa de O'Neill que até teve perto de aumentar a vantagem com o seu futebol simples, físico e directo.

Sem tirarmos mérito aos irlandeses, há que dizer que Deschamps também se pôs muito a jeito para sofrer desta maneira. Voltou a insistir num 4-3-3 que, definitivamente, não serve à França. Kanté no meio, Pogba mais à esquerda e Matuidi mais à direita, é este o problema que o seleccionador inventa à sua própria equipa porque anula Pogba e Matuidi, expôe em demasia Kanté, que viu amarelo e fica de fora na próxima eliminatória. Aliás, também Rami fica na mesma posição, más notícias para a defesa azul.

 

Na 2ª parte O'Neill não quis proteger o seu meio campo reagindo à troca francesa de Kanté por Coman e acabou por sofrer a reviravolta num ápice.

A França soltou-se com a entrada de Coman, Griezmann ficou com mais espaço e resolveu o jogo. Primeiro a responder com uma cabeçada espectacular a um cruzamento de Sagna, depois a aproveitar uma bela assistência de Giroud que isolou o "7" gaulês para bisar.

Como se não chegasse, a Irlanda fica reduzida a 10 por expulsão de Duffy que terminou praticamente com o sonho irlandês.

 

Fica por perceber o que se passa com estas primeiras partes francesas e a excelente imagem da República da Irlanda na hora do adeus.

 

Melhor em Campo: Antoine Griezmann

 

26
Jun16

Portugal 1-0 Croácia : contra o aborrecimento apareceu Quaresma!


Pedro Varela

portugal.jpg

 

 

Desculpem-me os leitores do Parque que não puderam ler a crónica imediatamente a seguir ao apito final do jogo, como tem sido habitual. A Selecção, por incrível que pareça, e sendo eu um adepto indefectível do futebol em Portugal, ainda consegue mexer comigo. Por isso, desloquei-me a um dos pontos da minha cidade onde habitualmente se instalam ecrãs gigantes, cerveja e malta que manda uns "bitaites" de bola e que são os verdadeiros treinadores de bancada. Assisti, comentei, vibrei e festejei uma vitória de Portugal!

 

Parece incrível que em 2016 se possa vibrar tanto pela Selecção, sabendo que atravessámos um período onde as quezílias entre adeptos de clubes rivais é enorme em torno da discussão de quem deve ou não ser titular, do "super-agente" que controla a convocatória, do futebol pálido e por vezes assustador que Fernando Santos consegue nos presentear, pela falta de cultura futebolística, ainda hoje confidenciava que olhámos para todas as Selecções que estão presentes no Europeu e há, nas bancadas, um apoio incrível que transcende todas as "guerrinhas" internas, mas, mesmo sabendo de tudo isso, quando chega a hora de cantar o hino e ver 90 (ou 120) minutos de pobre futebol, no momento do golo tudo se esquece e lá se solta um "venha de lá o próximo"!

 

O onze que Portugal apresentou hoje diante da Croácia é, tendo em conta que vamos no quarto jogo o Europeu, uma autêntica surpresa. Não pelas alterações que foram efectuadas, que diria serem normais e que há muito já deveriam ter acontecido, mas porque colocar-se em campo 4 jogadores que não tinham feito um único minuto no Europeu, num jogo a eliminar, se não foi inédito, andou por lá perto.

Lembrou-me hoje Fernando Santos, o treinador brasileiro Scolari em 2004 quando teimou com um determinado 11 na abertura do Europeu em Portugal, alterando-o no jogo seguinte. O actual treinador Português demorou um pouco mais.

Do lado Croata, os regressos de Modric e Mandzukic, que recuperaram de lesões enão tinham defrontado a Espanha, foram as principais entradas num onze que se esperava ofensivo e, provavelmente, o mais forte que apresentaram no Europeu de França.

 

A primeira parte foi maçadora, sejamos sinceros. As equipas muito receosas, muito mais posse de bola para a Croácia, Portugal a deixar jogar, as Selecções tacticamente muito encaixadas uma na outra, com o jogo em velocidade lenta e sem grandes riscos. Ficava um sinal do que seria os restantes 45 ou mais minutos. A ideia que um golo seria o suficiente para vencer a eliminatória ou, no limite, as grandes penalidades eram a lotaria que poderia decidir quem iria passar, estava confirmada!

 

Com 5 minutos da segunda parte, Fernando Santos decide mexer. Podia ter sido no intervalo, deveria ter sido, na minha opinião, no início do jogo. Renato Sanches entrou e acabou por ter um papel importante no desfecho do jogo.

O jogo, no entanto, continuou fraco, sem oportunidades de golo, sem jogadas rápidas e desconcertantes, as Selecções de Portugal e Croácia não estavam dispostas a correr riscos. Ficou a ideia que Fernando Santos e Cacic teriam feito um pacto que não agressão e por isso o tédio manteve-se!

 

Não foi, portanto, de estranhar que os 90 minutos tenham sido atingidos sem que houvesse um remate à baliza de Patrício ou Subasic. Foi a primeira vez que aconteceu em Mundiais e Europeus desde 1966. Notável!

 

Fica a nota que aos 64' houve uma grande penalidade para Portugal e que não foi assinalada. Strinic pontapeou Nani e o árbitro espanhol nada assinalou.

 

Com mais 30 minutos para se jogar, em três jogos do dia, era o segundo a ir a prolongamento, previa-se um calvário muito idêntico ao que até agora tínhamos assistido. Já com Quaresma em campo, tinha entrado as 88', e do lado Croata já com Kalinic dentro das 4 linhas e mais tarde com Pjaca, o jogo foi-se arrastando para as grandes penalidades sem que se vislumbrasse um escapatória para qualquer das Selecções. Até que chegou o minuto 116!

 

Perisic ficará com esse momento para sempre na sua cabeça. Primeiro, pelo movimento que levou a bola ao poste de Patrício e em segundo, porque na recuperação defensiva de bola por Portugal, nasceu o golo da vitória e da qualificação. Ronaldo mete em Renato, que por sua vez encosta na esquerda para Nani, isto já com mais de 50 metros de campo percorridos, Nani num passe rasteiro, que de tão mau que foi enganou os defesas Croatas, isola Ronaldo que atira para a baliza, Subasic faz uma excelente defesa que por sua vez coloca a bola milagrosamente na cabeça de Quaresma que só tem de encostar para o fundo das redes, isto tudo perante o desespero dos adeptos da região dos Balcãs e o gáudio dos Portugueses. 

 

Respirou fundo Fernando Santos, apesar de continuar sem vencer nos 90 minutos, o objectivo de qualificação para os quartos de final estava conseguido e o adversário que se segue é a Polónia, que bateu a Suíça nas grandes penalidades e só hoje, ao quarto jogo sofreu o primeiro golo na competição.

A Croácia que tinha vencido a Espanha e o grupo D de qualificação onde estava República Checa e Turquia, pouco fez para conseguir algo mais neste jogo contra Portugal, teve mais azar que a Selecção Lusa e segue agora para casa. 

 

Na próxima quinta abrimos os quartos de final, esperemos que este jogo tenha aberto os olhos a Fernando Santos!

 

Homem do jogo: Pepe

25
Jun16

País de Gales 1-0 Irlanda do Norte: À lei de Bale


RSolnado

Duelo improvável nos oitavos de final, País de Gales e Irlanda do Norte a medirem forças com um árbitro inglês a orientar o jogo. Ironias extra-futebol. Coleman manteve o 11 que tinha dizimado a Rússia, na Irlanda o rebelde Laffertty voltou ao rol de titulares, mantendo-se os restantes dez jogadores  que iniciaram os últimos dois jogos.

Não foi uma primeira parte rica em grandes ocasiões de golo, mas o jogo foi interessante de acompanhar. A Irlanda do Norte surpreendeu ao apresentar-se com uma postura mais agressiva em campo, a pressionar mais alto e a assumir o jogo, conseguindo manter a bola no meio-campo contrário, apesar das suas limitações e dificuldades em fazer uma posse de bola objectiva. Exemplo disso o número de cruzamentos da primeia parte (21) nenhum deles teve aproveitamento prático, tendo sido todos cortados pela defesa. Gales pareceu surpreendido e acusou um bocado isso, e raramente conseguiu sair com discernimento para o ataque.

Dos primeiros 45 minutos, notar as tentativas de fora da área de Dallas e Ward, ambas defendidas por Hennessey para canto, e do outro lado o golo bem anulado por fora de jogo de Ramsey. Sinal mais para a Irlanda, ainda que sem consequências práticas.

Para a segunda parte o País de Gales pareceu determinado em mudar o rumo dos acontecimos, e espreitou o golo duas vezes ainda nos primeiros minutos. Primeiro com cabeceamento de Vokes, logo de seguida substituído por Robson-Kanu. Depois Bale, de livre directo, a rematar para grande defesa de McGovern. Coleman iria tirar o tampão Ledley e lançar Jonathan Williams, os dois suplentes jogavam agora na frente e móveis, com Bale e Ramsey com liberdade de movimentos para tentarem desposicionar a defesa contrária.

E foi assim que nasceu o golo da vitória. A 15 minutos do fim e numa jogada de insistência, Bale fugiu para a flanco esquerdo, recebeu o passe de Ramsey e cruzou de forma magistral: a bola pedia desvio para golo e Robson-Kanu estava lá para ser o herói, mas o veterano McAuley antecipou-se e fez auto-golo, desviando para dentro da baliza na desesperada tentativa de corte. Mérito para o excelente cruzamento de Bale.

Entraram McGinn e Magennis tal como contra a Alemanha, e novamente sem efeitos práticos. Gales fechou-se em 5-4-1 e limpou as bolas despejadas para a área. Podia ter dado para entrar o homem com golo, ou cantam eles, Grigg, que vai para casa com 0 minutos para com o cântico mais mediático do Euro.

O País de Gales está nos quartos-de-final, onde terá pela frente Hungria ou Bélgica. Estando neste lado do quadro, tudo é possível.

Homem do jogo: Gareth Bale

25
Jun16

Suíça 1-1 Polónia (4-5 G.P.): Fabianski estragou a festa de Shaqiri


J.G.

  

A Polónia apresentou o mesmo 11 do empate frente à Alemanha, a Suíça optou pelo seu onze tipo, o mesmo em 3 dos 4 jogos.

Logo nos primeiro segundos ficou dado um mote importante do jogo, nervosismo na defesa helvética com Sommer a ser obrigado a aliviar por instinto e a bola a ficar à disposição de Milik que perdoou e mandou para fora. Tem sido este o problema dos polacos neste Euro, a dupla atacante é temível mas tem estado muito aquém da fama na hora de finalizar. Felizmente para o seleccionador Nawalka, os atacantes mostram outras qualidades como arrastar defesas e abrir espaços aproveitando as investidas de qualidade chegadas das alas, Grosicki na esquerda e Kuba na direita. Foi assim que a Polónia chegou ao 1-0 antes do intervalo, bola do ala esquerda para finalização do ala direita, Kuba festejou.

A Suíça aproveitou a falta de eficácia polaca para equilibrar o jogo e estar sempre dentro da disputa da elimantória, embora sem nunca criar grande perigo para Fabianski. Shaqiri sempre a assumir o jogo, Mehmedi no apoio e com a subida dos dois alas Lichtsteiner e Rodriguez.


Com o golo antes do intervalo a Suíça sentiu que tinha de entrar forte na 2ª parte e foi o que fez empurrando logo a Polónia para a sua área. O facto de pegarem no jogo fez com que a Polónia ficasse com via aberta para o contra ataque e com intérpretes bons de parte a parte acabámos por ter um jogo muito interessante e emocionante.

Petkovic mexeu cedo na sua equipa e foi lançando Embolo, Derdiyok e Gelson Fernandes nunca esperando pelos momentos finais para lutar pelo empate. A Suíça intensificou o ataque e Rodriguez só não marcou porque Fabianski fez uma monumental defesa num livre directo. Pouco depois foi a vez de Seferovic atirar com perigo mas a trave devolveu a bola e manteve a vantagem polaca.

Até que apareceu Shaqiri em grande. Pegou na bola, avançou no terreno, virou da direita para esquerda, Lichtsteiner cruzou para a área, a bola sobra para Shaqiri que imita o gesto que tinha ensaiado com a Roménia mas agora na perfeição, um pontapé de bicicleta épico que deu o empate merecido aos vermelhos.


Jogo para prolongamento onde nos primeiros minutos pouco aconteceu. Mas rapidamente se percebeu que os Polacos estavam de rastos, e aos 100 minutos Nawalka efectuou as primeiras substituições, refrescando o meio-campo. Sem efeitos práticos. Nos últimos 15 minutos a Suiça carregou e Fabianski negou a Derdiyok o golo da vitória com uma magnífica defesa a cabeçada do avançado, que cabeceou isolado, assistido, claro está, por Shaqiri. Nos derradeiros dois minutos, lances aos repelões em ambas as áreas resolvidos pelas respectivas defesas.

No desempate, só Xhaka falhou... e com estrondo. Remate em força mas muito ao lado da baliza. Todos os outros 9 jogadores chamados a bater marcaram, ficando Krychowiak para a história ao converter o penalty decisivo. A Polónia está nos quartos de final, a Suíça vai para casa ficando a ideia de que podia ter feito mais.

Homem do jogo: Fabianski

 

23
Jun16

Quem foram os Homens do Jogo na fase de grupos!


Pedro Varela

man.jpg

 

 

Já se realizaram 36 jogos no Europeu de França agora que terminou a fase de grupos. Quer isto dizer que cada jogador terá efectuado no máximo 3 jogos pela sua Selecção. Fomos analisar as escolhas de homem do jogo aqui do Parque para ver quem mais se destacou.

 

A nível individual apenas 4 jogadores, de um total de 552, foram distinguidos por 2 vezes: Payet (França), Bale (País de Gales), Iniesta (Espanha) e Sommer (Suíça). Nenhum jogador conseguiu o pleno!

Foram jogadores influentes nas suas Selecções, Payet com golos decisivos para a qualificação Francesa, Bale a carregar a sua Selecção para um primeiro lugar do seu grupo, de certa forma surpreendente, Iniesta imperial, principalmente no dois primeiros jogos com influência directa no resultado e na qualificação Espanhola e Sommer a defender a baliza Suíça rumo aos oitavos de final.

 

Curiosamente, se efectuarmos o mesmo exercício mas tivermos apenas em conta o país que cada jogador representa, encontrámos 4 Selecções que conseguiram o pleno de homem do jogo nas suas partidas: Suíça, Inglaterra, Polónia e Croácia. Obviamente, todas qualificadas para os oitavos de final.

Do lote com mais de duas nomeações temos: França, Gales, Espanha, Irlanda do Norte, Bélgica, Itália, Irlanda, Portugal e Hungria. Selecções que também estão qualificadas para a fase seguinte do Europeu.

 

Fica a lista organizada por grupo para memória futura:

 

Grupo A

Payet (França) e Sommer (Suíça) - 2

Ledian Memushaj (Albânia)

Xhaka (Suíça)

 

Grupo B

Gareth Bale (Gales) -  2

Henderson (Inglaterra)

Sturridge (Inglaterra)

Hamsik (Eslováquia)

Eric Dier (Inglaterra)

 

Grupo C

Kuba (Polónia)

MGovern (Irlanda do Norte)

Michal Pazdan (Polónia)

McAuley (Irlanda do Norte)

Neuer (Alemanha)

Milik (Polónia)

 

Grupo D

Iniesta (Espanha) - 2

Emre Mor (Turquia)

Perisic (Croácia)

Srna (Croácia)

Modric (Croácia)

 

Grupo E

Brady (Irlanda)

Courtois (Bélgica)

Meunier (Bélgica)

Éder (Itália)

Bonucci (Itália)

Wes Hoolahan (Irlanda)

 

Grupo F

Ronaldo (Portugal)

Árnason (Islândia) 

Almer (Áustria)

Nagy (Hungria)

Nani (Portugal)

Kleinheisler (Hungria)

 

Pág. 1/11