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Parque dos Príncipes

Espaço dedicado à cobertura do Campeonato Europeu de Futebol de Selecções a decorrer em França de entre 10 de Junho e 10 de Julho

Parque dos Príncipes

Espaço dedicado à cobertura do Campeonato Europeu de Futebol de Selecções a decorrer em França de entre 10 de Junho e 10 de Julho

20
Jun16

País de Gales 3-0 Rússia : russos BALEados!


Pedro Varela

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Quando fizemos as previsões aqui no Parque sobre quem seriam os dois primeiros qualificados neste grupo B, foi unânime que Inglaterra e Rússia ocupariam esses lugares, e, provavelmente, País de Gales o terceiro posto com possível qualificação.

 

A verdade é que País de Gales chegava à última jornada a depender apenas de si para seguir em frente, caso vencesse, e até o empate no jogo de hoje podia dar a qualificação. Já a Rússia tinha que, obrigatoriamente, vencer hoje e esperar pelos restantes jogos para perceber o seu destino. Compreende-se assim que Slutsky tenha efectuado 4 alterações no 11 titular, uma delas por lesão de Shatov, fazendo entrar Shirokov, Kombarov, Mamaev e Glushakov.

Do lado Galês, Chris Coleman apenas mexeu na frente de ataque, Vokes entrou para o lugar de Robson-Kanu.

 

O jogo foi totalmente dominado por Gales desde o primeiro minuto. A Rússia foi uma pálida imagem do que se poderia esperar, principalmente no jogo de hoje onde teria de apresentar-se de forma completamente ofensiva e batalhar pela vitória. Mas Bale não concordou e a noite foi dele!

 

Logo aos 3', Bale em posição de fora de jogo quase marcava, ficava o aviso da estrela do País de Gale. O espaço que era concedido pelos russos era amplamente aproveitado por Ramsey, Allen e claro, pelas estonteantes corridas de Bale. 

O golo surgiu, naturalmente, aos 10' por Ramsey, num fantástico chapéu a Akinfeev após assistência de Joe Allen.

Aos 20', Neil Taylor, lateral esquerdo aparece completamente sozinho em frente ao guardião russo, após assistência de Bale que Shirokov corta mal, e faz o segundo golo para Gales com toda a calma do mundo. 

 

A Rússia estava desorientada, temeu-se que o resultado pudesse escalar ainda mais rapidamente do que estava a acontecer e só aos 26', Dzyuba conseguiu criar perigo na baliza de Hennessey. Por esta altura, o esquema táctico russo era bola para a frente e logo se via!

 

Aos 30', sim, a uma hora do final do jogo, e com tanto para se jogar, Gareth Bale faz um das jogadas que mais o celebrizou, bola colada aos pés, corrida em alta velocidade a passar pelos adversários todos que lhe apareciam pela frente, como quem faz slalom, assistiu Vokes que...falhava o terceiro golo.

 

E depois ainda houve Ramsey, e Bale novamente e...intervalo, para sorte dos russos!

 

A segunda parte inicia-se com a troca dos irmãos Berezutski no centro da defesa da Rússia, mas pouco havia a fazer. Bale estava completamente endiabrado e não marcou aos 54', mas doze minutos depois elevou o marcador para 3-0 e tornou-se no melhor marcador do Europeu. Três golos em três jogos da fase de grupos.

 

A Rússia, bem, já não podia fazer muito mais no jogo e, provavelmente, poderia ter sido mais criativa que Alexander Shprygin, o responsável pela ligação do clubes aos adeptos, que tinha sido deportado pelos incidentes na primeira jornada e que hoje estava novamente em Toulouse a ver o jogo enganando tudo e todos. Só aos 84', Dzuyba, o inconformado, voltou a ter uma oportunidade para alterar o resultado do jogo. Inconsequente!

 

Para o País de Gales o final de jogo não podia ser mais saboroso, porque de Saint-etienne as notícias não podiam ser melhores, Inglaterra e Eslováquia empatavam, o que significava a vitória no grupo B. Fantástico!

 

A Rússia, tal como alguns dos seus adeptos, abandona o Europeu de França com uma imagem desgastada, estragada e a pedir uma rápida renovação!

 

Homem do jogo: Gareth Bale

15
Jun16

Rússia 1-2 Eslováquia: Às costas de Hamsik e Weiss!


RSolnado

 

Ao segundo jogo surgiram os craques da Eslováquia a carregar a equipa para uma vitória muito sofrida e que os deixa na rota da qualificação, e a Rússia obrigada a ganhar a Gales na última jornada.

Os russos mantiveram o mesmo 11 do primeiro jogo, os eslovacos apresentaram três alterações, uma em cada sector. O jogo começou a bom ritmo, cedo de se percebeu que a Eslováquia sabia que nada tinha a perder depois da derrota do primeiro jogo, e que a Rússia ia procurar ser um pouco mais afoita do que no jogo de estreia, muito por culpa da acção solista de Shatov.

Mas apesar do bom ritmo a primeira meia-hora não teve oportunidades de golo clara, as equipas tinham dificuldades em chegar à área contrária e os tiros exteriores não levavam perigo. Aos 28’ numa transição rápida, Shatov serviu Smolov que rematou forte e tirou tinta ao poste da baliza contrária.

A Rússia voltou a desiludir, num modelo de jogo demasiado obsoleto em que um meio-campo sem o lesionado Dzagoev deixa tudo para Shatov – Golovin é um menino e ainda não está pronto para assumir a batuta do jogo, Neustadter chegou este ano à Selecção. E sobretudo este ataque com 3 avançados centro, 2 mais móveis sobre as alas e o armário na frente, não tem imaginação, não tem improviso. É certo que falta Cheryshev por lesão, mas no banco estão Samedov, Torbinsky ou Ivanov, podem não ser grandes jogadores mas são extremos.

A Eslováquia fazia o seu jogo à espera do momento para aparecerem as suas estrelas maiores. E de que forma… aos 32 minutos Hamsik recuou no terreno fugindo com sucesso à marcação, e a 40 metros lançou a bola no espaço para Weiss que correu e dominou, com dois defesas a chegar cortou para dentro (os defesas foram ambos à queima e ficaram fora do lance), preparou e atirou de pronto. Belo golo! Primeiro remate à baliza por parte dos eslovacos e golo!

Nos minutos seguintes a Rússia não esboçou reacção e parecia estar desejosa de chegar o intervalo. Só que entrou em modo intervalo antes do apito de Skomina… Em cima dos 45, canto para a Eslováquia, tudo a dormir na defesa contrária, Weiss a bater curto em Hamsik que entrou pela lateral da área, puxou para dentro e enviou um bilhete para a baliza de Akinfeev, um tiraço com bola a fugir para o poste mais afastando, embatendo mesmo no ferro antes de entrar na baliza, sem qualquer hipóteses de defesa. Sem dúvida candidato a golo do torneio.

Para o segundo tempo pedia-se mudança radical na equipa russa, do banco veio o sinal com a troca do duplo pivot. A tendência de jogo mudou, como seria de esperar. Iniciativa da Rússia, mas sempre com irresolúveis problemas na criação e a Eslováquia na expectativa a espreitar o contra-ataque, que também não deu grandes frutos.

O jogo foi correndo, com o passar do tempo percebeu-se que o esforço dos eslovacos na primeira parte estava a custar caro, a equipa ia recuando em demasia no terreno, mostrando alguns nervos associados à falta de pernas. Aos 80’ e já depois de entrar Shirokov, a Rússia fez o golo, no seu único remate na direcção da baliza na segunda parte. Tudo começou num mau alivio de Durica contra Smolov, Shatov correu para ganhar o ressalto e depois de uma excelente tabela com Shirokov cruzou para Glushakov cabecear à matador.

Faltavam dez minutos, tempo em que a Rússia despejou, sem efeitos práticos, bolas de forma sucessiva para a área contrária. Vitória sofrida da Eslováquia, que caiu muito da primeira para a segunda parte, confirmando-se também o que já se sabia: estarão demasiado dependentes de Hamsik para ganhar qualquer jogo.

Melhor em campo: Marek Hamsik

11
Jun16

Inglaterra 1-1 Rússia : a história repete-se!


Pedro Varela

Photo by Laurence Griffiths

Infelizmente para os Ingleses a história repete-se e não conseguem vencer o jogo de abertura de uma fase final do Europeu. São já 9 jogos, onde registam 5 empates e 4 derrotas, Roy Hodgson não conseguiu manter a senda das vitórias que trazia da qualificação e há, no empate de hoje, questões pertinentes que se colocam à equipa escolhida.

Para a Rússia, que normalmente vence os jogos inaugurais, apesar de duas derrotas contra a Espanha nos últimos europeus, o empate nos descontos foi muito saboroso com alguma justiça poética!

 

No 11 titular inglês foi com alguma surpresa que Vardy e Milner ficaram de fora, como dizia o Ricardo Solnado na discussão sobre este jogo, a convocatória inglesa tem 1 extremo e 5 avançados, testa-se um losango e no primeiro jogo apresenta-se um 4x3x3. Estranho, caro Roy!

Nem vou falar do Rooney a jogar no meio campo. Percebo a sua influência, a inteligência em campo de um jogador experiente, mas nota-se uma dificuldade enorme na construção de jogo que se pede a um jogador que, na minha modesta opinião, rendia melhor atrás do ponta de lança ou mesmo na frente. Ainda vale mais de 50 golos pela Selecção.

Do lado Russo a aposta no ataque foi grande, Smolov, Kokorin e Dzyuba, no entanto, era a defesa a grande preocupação desta Selecção, como avançamos aqui, mas, decorridos 90 minutos de Europeu, podemos afirmar sem problemas que Ignashevich e Berezutski revelaram-se suficientes para quase todas as investidas inglesas.

 

A Inglaterra começou bem o jogo e rapidamente tomou conta da partida, os primeiros 15 minutos mostraram excelentes movimentações entre Alli, Walker e Lallana, não sendo por isso estranho que a posse de bola tenha atingido os 75%, com a Rússia a responder apenas com a bola para a frente na esperança que Dzyuba pudesse fazer algo mais. Mas claramente desapoiado, faltavam os extremos para lhe colocar a bola.

Com o tempo a passar, o equilíbrio começou a tornar-se mais evidente, e a diferença entre a Inglaterra e a Rússia, na primeira parte, esteve principalmente na precisão dos passes. Os russos chegaram a falhar 1 em cada 2. Mas, Kane, apagado e apenas encarregue da marcação de cantos e Sterling muito perdulário, dava para perguntar...e Vardy?

 

A segunda parte foi mais dividida. Rooney atirou de livre por cima da baliza de Akinfeev, que parecia intransponível, Dier no lado oposto quase marcava na sua baliza. 

A Rússia conseguia responder melhor, essencialmente por Kokorin esteve mais activo na segunda parte.  Sendo que essa acção resultou quase em golo, aos 62' Smolov teve a melhor oportunidade do encontro, Dzuyba esteve na assistência.

 

Os últimos 25 minutos trouxeram um jogo mais partido, mas percebia-se que os golos poderiam aparecer. Rooney avisou com uma bomba que Akinfeev desviou para a trave e não demorou mais que 3 minutos para Eric Dier, de livre directo, marcar um grande golo. Os Ingleses respiravam de alívio, até deu para ouvir o Hey Jude e a história poderia estar a fazer sentido para Roy Hodgson, mas só para ele.

Esteve três quartos de jogo empatado, favorito a vencer, mas não sentia necessidade de mexer na equipa. Não se percebeu se Rooney saiu por opção ou lesionado e o golo rejuvenesceu os Russos, quando deveria ter tido outro efeito. Dizem que "velhos são os trapos" e Berezutski confirmou-o ao marcar o golo de empate nos descontos, numa cabeçada a fazer um arco em câmara lenta a Joe Hart, frustrando uma nação que, depois do jogo de hoje, terá os pés de volta à terra.

A fase final de um Euro será sempre, mas mesmo sempre, diferente de uma qualificação. A Rússia, pelo que fizeram os seus centrais,o avançado Kokorin e pelas mexidas de Slutsky mereceu este ponto que mantêm intactas as suas aspirações a seguir em frente.

 
Homem do jogo: Eric Dier
 
04
Jun16

Grupo B: Rússia


Pedro Varela

  • FIFA Ranking 29
  • Grupo B
  • Treinador Leonid Slutsky 
  • Primeiro jogo Inglaterra

 

A Selecção que apresenta num possível 11 titular nada mais, nada menos que 9 jogadores do CSKA Moscovo e Zenit. No banco, Slutsky, não pára um único segundo e vai ser, certamente, uma figura a acompanhar pela forma como comanda as "tropas". Foi chamado a substituir Fabio Capello, qualificou-se em segundo lugar no grupo que foi ganho pela Áustria, esta sem derrotas. Deixou, para trás, a Suécia de Ibrahimovic. Nada mau!

O que fica para já desta Rússia? O prazer que encontram dentro de campo a jogar futebol. Isso é inegável. No entanto, se Zhirkov e Kuzmin poderiam estar à partida na lista de alternativas aos 23, já quanto a deixar Kherzhakov de fora deste Euro, 91 internacionalizações e 30 golos, causou alguma surpresa.

Têm a palavra os 23 eleitos, os russos anseiam que em França comece uma caminhada de sucesso e que perdure pelo próximo Mundial, daqui a 2 anos, onde são o país organizador.

Fiel a uma esquema de 4x2x3x1 que teve como corolário a qualificação para o Europeu, para muitos, é no centro da defesa que poderá estar um problema, uma média de idade de 35 anos entre Berezutski e Ignashevich. Isso e o facto de Dzagoev falhar o Europeu por lesão.

A luta pelo primeiro lugar poderá não ser fácil, é a leitura que é possível fazer a esta distância, no entanto, lutar pelo segundo lugar será quase uma obrigatoriedade para esta Selecção Russa. 

 

Craque

Artyom Dzyuba

16 internacionalizações e 8 golos, o artilheiro da Rússia na qualificação para o Europeu, já no Zenit, ao lado de Hulk, formaram a dupla mais goleadora da Liga Russa. Um poderoso avançado centro, fortíssimo no jogo de cabeça e que, na minha opinião, merece o lugar de destaque.

 

Revelação

Aleksandr Golovin

3 internacionalizações e 2 golos, o jovem jogador do CSKA Moscovo é um diamante por lapidar, esteve no Europeu de Sub-19 onde foram vice-campeões, já começa a ganhar o seu espaço na equipa e na Selecção, tem agora uma oportunidade única para mostrar toda a qualidade que lhe é reconhecida.

 

Onze Tipo

Akinfeev; Smolnikov, Berezutski, Ignashevich, Kombarov; Denisov, Mamaev; Kokorin, Shirokov, Shatov e Dzyuba.