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Parque dos Príncipes

Espaço dedicado à cobertura do Campeonato Europeu de Futebol de Selecções a decorrer em França de entre 10 de Junho e 10 de Julho

Parque dos Príncipes

Espaço dedicado à cobertura do Campeonato Europeu de Futebol de Selecções a decorrer em França de entre 10 de Junho e 10 de Julho

11
Jul16

Portugal 1-0 França, visto por Pedro Varela


Pedro Varela

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O árbitro apita, o jogo termina e Portugal é campeão da Europa em futebol. Gritos, meus e dos amigos com quem via o jogo. Olho para o lado e está a minha mulher que fazia anos nesse dia. Sorri-o, dou-lhe um beijo e digo "até logo, vou festejar para a rua!"

Era impensável ficar em casa a ver a festa pela televisão. Naquele momento só pensava no raio do dia em que estive para comprar o bilhete para a final, há uns meses. Mas, como muitos Portugueses, no fundo, no fundo, eu não acreditava que era possível Portugal estar ali em Saint-Denis, coração de Paris, a festejar um dos mais importantes títulos do desporto mundial.

 

Por isso, tal como o tinha feito feito há dias quando vencemos a meia final, os parabéns, os primeiros, vão para Fernandos Santos, uma espécie de Dom Quixote, onde as suas fantasias eram desmontadas pelas nossa, dos adeptos, realidade. Mas afinal, nós é que fantasiávamos e ele é que nos trouxe à realidade. A realidade, dura e crua para os franceses, mas tão gostosa em que Portugal é o campeão da Europa de futebol.

 

Antes de sair de casa, telefona-me o meu avô. Responsável por eu ser tão doente pelo futebol, "Pedrocas, não pensei que estaria por cá neste mundo para ver isto. Festeja meu filho que bem mereces porque tu adoras o futebol!"

 

Voltando aos festejos. Desço as escadas e avanço para o carro para apanhar o meu pai. amos estacionar o mais próximo possível da Ponte Luiz I, entre Gaia e Porto, e depois a pé vamos percorrer as diferentes artérias principais destas duas belíssimas cidades onde ocorrem os festejos. Começo em Gaia e posso garantir que não me lembro de ver um festa tão grande nestes 40 anos que por cá vivo. O S. João, ou os festejos dos títulos do Porto são sempre enormes festas, mas ontem tudo era diferente. Pequenos, graúdos, de todos os credos futebolísticos, juntos a uma só voz, numa celebração absolutamente fantástica. Avanço de Metro para o Porto. Parecia uma sardinha enlatada, felizmente era apenas uma estação. Mas na curta viagem percebia-se a emoção de todos a falar da magnífica vitória.

 

Começo a subir as escadas da linha para a rua, cânticos, cânticos e mais cânticos. Mas vejo um casal de namorados, sem sorriso, sem festejos a caminhar pelo meio de todos. Não devem gostar de futebol, tenho pena deles!

 

As ruas do Porto no eixo S. Bento, Aliados, até à Câmara do Porto, estão completamente lotadas. Que festa incrível. Dança-se, canta-se, festeja-se, olha-se para o ecrã onde os jogos passaram, agora sem som da emissão, e fica-se a olhar para os lances de golo, do Ronaldo a chorar, da traça a pousar na sobrancelha, do Éder a marcar e a festejar o golo, do Fernando Santos a falar, e mesmo sem se ouvir o que ele está a dizer, são muitos os que estão a olhar para ecrã. 

Eu paro e olho durante uns segundos para a multidão e penso, "será isto mesmo verdade?". Sou um doente por futebol, pelo meu clube e, como disse no primeiro texto aqui no Parque, adoro a Selecção. Ontem, passadas umas horas depois da vitória ainda me custava a acreditar que éramos, finalmente, campeões da Europa. 

 

Eu estive na Luz em 2004. Aliás, nesse ano vi 10 jogos ao vivo do Euro. Foi absolutamente épico. Para o bom, pela festa que esta competição traz a um país. Convivi com pessoas de diferentes nacionalidades e falava-se de tudo um pouco. Para o mal, esse jogo na Luz contra os Gregos, que ditou a nossa derrota num cenário quase imprevisível.

 

Essa derrota estava atravessada na minha garganta, eu sentia uma dificuldade incrível de respirar sempre que via os jogos da Selecção e pensava nesse fatídico dia. Ontem, o título, a vitória, esta união entre os 23 jogadores, equipa técnica, emigrantes e nós por cá, libertou-me e finalmente pude gritar bem alto, "Nós Somos Campeões!". 

 

Do jogo, perdoem-me, foram mais de 30 dias a escrevermos sobre tácticas, jogadores, treinadores e tudo mais, hoje o texto é sobre a alegria de ser campeão europeu. Eu estou muito contente por este título. Os meus olhos ainda brilham enquanto escrevo estas breves linhas. Somos Campeões da Europa!

 

Viva Portugal!

 

Homem do jogo: Rui Patrício

11
Jul16

Portugal 1-0 França, visto por Ricardo Solnado


RSolnado

Decidimos que cada autor do Parque fará a sua crónica da final. Ainda não recomposto dos festejos, atiro-me de cabeça para a tentativa de fazer uma crónica mais objectiva de um jogo carregado de emoções.

Lançamento das equipas, a França com o mesmo 11 dos últimos 2 jogos, Portugal a fazer regressar os ausentes nas meias-finais, Pepe e William. O jogo começou animado, e depois de três remates chegou o primeiro momento tenso da noite: uma carga dura de Payet sobre Cristiano Ronaldo deixou o capitão português lesionado, e depois de alguns minutos a tentar o impossível, teria mesmo de deixar o terreno de jogo. Perdeu Portugal, mas perdeu o futebol.

Decorridos 10’ primeira grande ocasião de golo: Payet lançou na área e Griezmann cabeceou para grande defesa de Rui Patrício. O guarda-redes da selecção nacional iria iniciar uma noite de sonho, com sete defesas completas, algumas delas bem difíceis e sempre seguro no jogo aéreo. E sim, para ganhar 1x0 frente a uma selecção favorita o guarda-redes tem de fazer uma exibição fantástica. E fez!

Nos minutos seguintes Portugal procurou suster a cavalaria francesa, muito por culpa de Sissoko cujas cavalgadas criaram algumas dificuldades. Valeu a pontaria desafinada do médio do Newcastle… A França podia dizer-se que tinha mais iniciativa na primeira parte e conseguia chegar mais vezes ao ataque, ainda que sem muitas ocasiões claras de golo. Portugal, reorganizado em 4x3x3 depois de saída de Ronaldo, manteve a postura expectante durante o primeiro tempo.

A segunda parte começou morna e sem grandes ocasiões novamente, sentia-se a tensão do jogo e também algum cansaço, quer físico quer psicológico. A troca de Payet por Coman logo aos 57’ foi um sinal disso, e Coman agitou o jogo para o lado da equipa da casa, deixando a defesa portuguesa em cuidados. Mas sempre muito eficaz nas suas acções, Patrício voltou a negar o golo a Griezmann aos 58’ e aos 66’ o camisa 7 gaulês teria uma grande perdida, ao direccionar o cabeceamento por cima da trave.

Portugal tinha reagir e veio do banco a resposta com duas substituições separadas por 12 minutos mas que podiam ter sido imediatas: Moutinho rendeu Adrien, Éder rendeu Renato Sanches, passando João Mário para o trio de meio-campo e podendo Nani e Quaresma jogarem como extremos. A entrada de Éder foi decisiva, mas não foi só no prolongamento. Fisicamente mais disponível que a maioria dos jogadores em campo, ganhou muitos duelos, “sacou” faltas, e deu referência para o jogo lateralizado da equipa de Fernando Santos.

Aos 80’, um cruzamento falhado de Nani quase dava em golo, grande defesa de Lloris que parou também a recarga acrobática de Quaresma. Respondeu Sissoko com mais uma cavalgada e desta feita um grande tiro para um voo de Patrício para a defesa da noite.
O jogo caminhava para o final e pela primeira vez íamos ter uma final de Euro com 0x0 ao cabo de 90 minutos. E tivemos mesmo, porque os deuses estiveram com Portugal, aos 90+2’ grande trabalho de Gignac (que havia rendido Giroud) na área, tudo bem feito mas o remate a embater no poste da baliza de Portugal!

O prolongamento não foi fácil para nenhuma das partes, o jogo endureceu com bastantes faltas, na altura em que a fadiga física e mental se apoderava dos jogadores. E apoderou-se mais dos franceses, e o tempo-extra foi a melhor altura de Portugal em jogo.

Aos 108’, o aviso: livre directo superiormente executado por Raphael Guerreiro a embater com estrondo na trave. No minuto seguinte, o momento de história: Éder recebeu de Moutinho, galgou alguns metros naquele jeito dele e mesmo de longe encheu-se de fé e atirou à baliza contrária, o remate saiu cruzado e forte, batendo no chão mesmo à frente de Lloris que viu a bola passar por cima da sua mão. Sem hipóteses! Loucura total no banco de Portugal!

Faltam 12 minutos, onde como convinha a Portugal pouco se jogou. A França em desespero e sem esclarecimento algum arriscou tudo, mas até para fazer “chuveirinho” é preciso alguma razão. Pepe e Fonte foram limpando tudo, tal como Patrício. Portugal defendeu com todos, até ao apito final que soltou a festa.

Está vingada a final do Euro 2004, está feito o que ainda não tinha sido feito. Portugal é campeão da Europa, Portugal vai estar na Taça das Confederações em 2017, Fernando Santos e os seus jogadores fazem história. É o primeiro 3ºclassificado da fase de grupos a ganhar a competição, em sete jogos somente ganhou um em 90 minutos. Mas levou a Taça para casa, e é isso que conta. E num Euro com somente 108 golos em 51 jogos, uma final decidida com um só golo pelo mais improvável dos heróis, no tempo extra e contra a equipa da casa é como que o epílogo perfeito para um mês intenso de futebol.

Homem do jogo: Rui Patrício

06
Jul16

Portugal 2-0 País de Gales : o sonho tão perto!


Pedro Varela

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Portugal está na final do Europeu de França!

Há um homem que sempre acreditou que isto era possível: Fernando Santos, o Seleccionador Nacional. Colocou o título como objectivo principal, sem rodeios, sem receios e uma parte importante do caminho está feita. Para ele vão os meus primeiros parabéns!

 

Depois, os emigrantes. Porra, durante um mês estiveram no hotel, estágios, estádios, acessos, falaram e choraram para as televisões e vibraram, muito. Sem clubismos, rivalidades, lamechices ou outras índoles. Sentiram a Selecção como nunca. Merecem tanto, mas tanto esta final que quando soou o apito final soltei umas lágrimas por eles. Um bem haja a todos, que são muitos espalhados pelo mundo fora.

 

Coleman admitiu, e não creio que tenha sido jogo psicológico, que Portugal era favorito. O País de Gales fez uma campanha fantástica neste Europeu, mas, no dia em que percebeu que Ramsey não iria jogar contra Portugal, parte das chances de se qualificarem perderam-se. A aposta em King no meio campo foi insuficiente!

 

Do lado Português, Danilo era a opção óbvia para o lugar de William Carvalho castigado, e que excelente exibição do trinco português, e Bruno Alves foi a escolha para substituir Pepe lesionado. Tudo a prever o perigoso jogo aéreo galês.

 

Que primeira parte tivemos em Lyon? Domínio de jogo Português, mas sem oportunidades e com poucos remates, um País de Gales irreconhecível que apareceu pela primeira vez aos 18 minutos e aos 22 e pouco mais.

Portugal voltou a ver uma grande penalidade não ser assinalada pela "gravata" de Collins a Ronaldo, foram escassos os momentos de perigo na baliza defendida por Hennessey. O intervalo chegou com um nulo perfeitamente compreensível.

 

É por estas alturas que se solta o treinador de bancada que existe em todos nós. Porque raio nesta primeira parte se encostou tanto João Mário à esquerda e Renato Sanches à direita, colados à linha, quando os nossos laterais são jogadores que podem perfeitamente subir no terreno, levando a que os médios procurarem-se mais o jogo interior?

 

Mas como eu não percebo nada disto, Ronaldo numa "tolada" incrível, após centro muito bem executado por Raphael Guerreiro, marca o primeiro do jogo. Naquele momento, com a calma que assisti a primeira parte, não fiquei com grandes dúvidas que já estávamos a caminho de Paris. A Selecção de Gales estava apática, sem capacidade de reacção, sempre à espera da explosão de Gareth Bale. Que nunca aconteceu!

 

Foi preciso esperar apenas mais 4 minutos para chegar o segundo golo, por Nani num desvio intencional após remate falhado de Ronaldo. O jogo acabou ao minuto 53!

 

A partir desta altura era irreversível, de Lyon a Paris a viagem iria demorar menos de meia hora. Ronaldo de livre directo, Nani, João Mário e até Danilo, todos falharam o terceiro golo. Bale aos 79' e 82' bem tentou marcar um golo que animasse a partida, mas Patrício estava intransponível!

 

Vitória justíssima de Portugal, principalmente pelo que fez na segunda parte, Paris é o próximo e último destino, voltamos a uma final europeia 12 anos depois. Se a Alemanha vencer a França, conquistamos também o acesso à Taça das Confederações.

 

Quanto a Gales, não tenho dúvida que os seus adeptos estarão orgulhosos do que a sua Selecção fez neste Europeu de 2016, mas hoje, Portugal foi claramente superior!

 

Homem do jogo: Cristiano Ronaldo

 

 

 

 

04
Jul16

E agora, Portugal?


Pedro Varela

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Portugal chegou ao Europeu de França como possível candidato à vitória final. Não era favorito a ser campeão europeu, não é considerada uma selecção temível, mas respeitada pelo facto de contar nas suas fileiras com um dos melhores jogadores do mundo. A grande questão, que hoje ainda continua a ser debatida, a dependência de Ronaldo para conseguir bons resultados. A caminhada até às meias finais mostra que, afinal, mesmo não estando o jogador do Real Madrid no seu melhor momento, é possível conseguir bons resultados. Isso e, obviamente, estarmos perante um renovado modelo de fase final de competição alargado a 24 selecções onde os terceiros classificados dos grupos podem passar aos oitavos de final.

 

Entre a fase de grupos e as eliminatórias, Portugal apresentou duas selecções bem distintas. Comecemos pela primeira fase, onde Fernando Santos evidenciou alguns problemas ao nível das escolhas para o onze titular, principalmente no meio campo. Nos três jogos diante da Islândia, Áustria e Hungria foram opções certas nesta zona do terreno: João Moutinho, André Gomes, William Carvalho e João Mário deslocado da sua posição, estes dois últimos falharam o primeiro jogo. A discórdia, na minha opinião, passa pela não inclusão de Adrien e Renato Sanches desde que o Euro começou. Para mim seriam sempre escolhas óbvias. Vejamos que ambos os jogadores estiveram impecáveis ao longo da época, nos seus clubes, sendo preponderantes nos resultados conseguidos. Chegavam a França cansados, sem dúvida, como todos os outros, mas em excelente forma. A questão, para mim, sempre se colocou em quem os acompanharia no meio campo?

Danilo ou William Carvalho? Quaresma, o talismã? João Mário? Para Fernando Santos isso não era óbvio!

 

Chegamos à fase de "mata-mata". Do conjunto de 5 jogos que a Selecção efectuou até ao momento, foi diante da Polónia que, provavelmente, fizemos o melhor jogo perante um adversário forte, que sofria poucos golos e que, por exemplo, tinha batido o pé aos campeões do mundo, a Alemanha. O meio campo de Portugal? William, Renato, Adrien e João Mário. Na frente não há grandes dúvidas, Ronaldo e Nani, na defesa, se Pepe tem lugar cativo pelas exibições protagonizadas, Fonte agarrou bem o lugar que Ricardo Carvalho deixou.

Cédric e Eliseu sem deslumbrar, assumem-se com as melhores soluções, ainda que Raphael Guerreiro tenha uma palavra a dizer.

 

Quero com isto dizer que Fernando Santos demorou a perceber, aproximadamente 270 minutos, que Moutinho e André Gomes não podem ser titulares, Danilo eventualmente poderá ser opção, e vai ser pelo castigo de William, mas, o complicómetro do treinador Português continua ligado quando coloca Renato tão colado à linha, quase ao ponto de o pôr fora do campo, ou quando João Mário está no lado contrário ao que habitualmente joga no Sporting e fez mais de 40 jogos. 

 

Mas isto são apenas as minhas reflexões de bancada, mais simples e fáceis de fazer, porque na generalidade, se olharmos apenas para o resultado prático, o que foi até ao momento conseguido é de elogiar. Estamos no top-4 de uma competição que muitos desconfiariam que iríamos chegar tão longe. Não foi bonito, foi eficaz, é a quarta vez nas últimas cinco edições do Europeu que Portugal atinge as meias finais, provavelmente a menos brilhante em termos exibicionais e certamente a menos conseguida em resultados, mas chegaram lá, que é praticamente tudo o que importa!

 

Até onde podemos chegar?

Nesta altura, mesmo respeitando a Selecção Galesa, que apresenta excelentes argumentos e demonstrou-o dentro de campo, primeiro lugar no grupo onde estava a Inglaterra, o melhor jogador, Gareth Bale em forma, só podemos ambicionar um lugar na final.

Não vejo outra ideia a ser passada dentro do balneário Português. Portugal volta a ter uma oportunidade de ouro para chegar a uma final do Europeu, 12 anos depois de o ter conseguido em Portugal. A acontecer, o adversário será Alemanha ou França, duas das Selecções que tinham o "selo" de candidatas à vitória final. Futurologia não é o meu forte, mas no dia 10, se lá estivermos, tudo poderá acontecer!

 

30
Jun16

Polónia 1-1 (4-5, GP) Portugal: Entregaram-se à sorte, sorriu Portugal.


RSolnado

Abertura dos quartos-de-final, a Polónia com o seu 11 de gala, Portugal com o 5º onze diferente em 5 jogos e com Renato Sanches pela primeira vez titular, no lugar de André Gomes, uma de duas trocas relativas ao último jogo, também Raphael Guerreiro saiu por lesão, reentrando Eliseu.

E foi uma entrada em falso de Portugal. Nem 2 minutos de jogo iam concluídos, passe longo de Piszczek a variar o flanco, abordagem infantil de Cedric a deixar a bola bater no chão e passar-lhe por cima, Grosicki ficou com via aberta no corredor, cruzou para área e Lewandowski a finalizar de primeira antecipando-se a William, que não chegou a tempo da dobra já que os 2 centrais foram arrastados por Milik.

Um golo tão madrugador num jogo dá sempre algo de diferente a um jogo, e os polacos sentiram-se bastante confortáveis nos minutos seguintes, perante uma equipa contrária que acusou o golo, muitos passes errados, muitas decisões precipitadas e pouca lucidez no jogo. Algumas tentativas de remate, mas sem direcção ou perigo. Renato era o único jogador a transportar bola e tentar variar o jogo, jogando com um à vontade de quem faz isto há muitos anos, e afinal tem 18 anos. Como dissemos na antevisão do Euro aqui no Parque, a sua força e poder de explosão permite impor uma velocidade e intensidade no jogo que mais ninguém pode oferecer.

Do outro lado na tentativa de resposta rápida, muitas vezes potenciada por um ataque português desorganizado, a Polónia tentava criar perigo. Lewandowski ameaçou aos 17’, Grosicki teria nova incursão pela esquerda cortada por Pepe. Do outro lado o primeiro remate enquadrado chegou aos 28’ por Ronaldo, fraco e à figura.

Aos 33’ minutos surgiu o golo do empate, o mais inconformado até ao momento foi feliz, Renato recebeu na direita, flectiu para o meio fazendo a tabelinha com Nani (que classe de assistência com o calcanhar), e rematou depois de puxar para o pé esquerdo para o fundo da baliza de Fabianski. Tudo empatado, jogo em aberto. Até ao intervalo, Portugal mais tranquilo em campo e uma Polónia a gerir o estrago causado pelo golo do empate.

O segundo tempo começou mais refreado que o primeiro, muito por culpa do posicionamento demasiado aberto de Renato na direita e João Mário na esquerda, ficando demasiado tempo fora do jogo. A Polónia atacou pela certa, e sem muito perigo. Aos 49’ Lewandowski antecipou-se a Cédric mas Patrício defendeu com segurança. Aos 61’ respondeu Cédric com um tiraço de longe. Aos 67’ Milik antecipou-se a Pepe (sinceramente na única distracção na exibição magistral no comando da defesa) e rematou para grande defesa de Patrício.

Os treinadores começaram a mexer no jogo, Moutinho rendeu Adrien e Quaresma rendeu João Mário, do outro lado Kapustka rendeu Grosicki. De bola parada Fonte assustou Fabianski, e a grande passe de Moutinho, Cristiano Ronaldo falhou na bola, irreconhecível na finalização.

O jogo foi correndo e todos perceberam que iria a prolongamento. E os 30 minutos adicionais foram um arrastar de uma segunda parte onde as equipas se entregaram à sorte da lotaria das grandes penalidades, com alguns remates mas nem um lance de real perigo.

No desempate, todos os jogadores que bateram enganaram os guarda-redes até à oitava grande penalidade: Kuba rematou para a sua direita, voou Patrício para uma enorme defesa a um mão. Quaresma converteu o penalty decisivo e colocou Portugal nas meias-finais. Está igualada a prestação de 1984, 2000 e 2012. E ainda sem uma vitória em 90 minutos…

Melhor em campo: Renato Sanches

26
Jun16

Portugal 1-0 Croácia : contra o aborrecimento apareceu Quaresma!


Pedro Varela

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Desculpem-me os leitores do Parque que não puderam ler a crónica imediatamente a seguir ao apito final do jogo, como tem sido habitual. A Selecção, por incrível que pareça, e sendo eu um adepto indefectível do futebol em Portugal, ainda consegue mexer comigo. Por isso, desloquei-me a um dos pontos da minha cidade onde habitualmente se instalam ecrãs gigantes, cerveja e malta que manda uns "bitaites" de bola e que são os verdadeiros treinadores de bancada. Assisti, comentei, vibrei e festejei uma vitória de Portugal!

 

Parece incrível que em 2016 se possa vibrar tanto pela Selecção, sabendo que atravessámos um período onde as quezílias entre adeptos de clubes rivais é enorme em torno da discussão de quem deve ou não ser titular, do "super-agente" que controla a convocatória, do futebol pálido e por vezes assustador que Fernando Santos consegue nos presentear, pela falta de cultura futebolística, ainda hoje confidenciava que olhámos para todas as Selecções que estão presentes no Europeu e há, nas bancadas, um apoio incrível que transcende todas as "guerrinhas" internas, mas, mesmo sabendo de tudo isso, quando chega a hora de cantar o hino e ver 90 (ou 120) minutos de pobre futebol, no momento do golo tudo se esquece e lá se solta um "venha de lá o próximo"!

 

O onze que Portugal apresentou hoje diante da Croácia é, tendo em conta que vamos no quarto jogo o Europeu, uma autêntica surpresa. Não pelas alterações que foram efectuadas, que diria serem normais e que há muito já deveriam ter acontecido, mas porque colocar-se em campo 4 jogadores que não tinham feito um único minuto no Europeu, num jogo a eliminar, se não foi inédito, andou por lá perto.

Lembrou-me hoje Fernando Santos, o treinador brasileiro Scolari em 2004 quando teimou com um determinado 11 na abertura do Europeu em Portugal, alterando-o no jogo seguinte. O actual treinador Português demorou um pouco mais.

Do lado Croata, os regressos de Modric e Mandzukic, que recuperaram de lesões enão tinham defrontado a Espanha, foram as principais entradas num onze que se esperava ofensivo e, provavelmente, o mais forte que apresentaram no Europeu de França.

 

A primeira parte foi maçadora, sejamos sinceros. As equipas muito receosas, muito mais posse de bola para a Croácia, Portugal a deixar jogar, as Selecções tacticamente muito encaixadas uma na outra, com o jogo em velocidade lenta e sem grandes riscos. Ficava um sinal do que seria os restantes 45 ou mais minutos. A ideia que um golo seria o suficiente para vencer a eliminatória ou, no limite, as grandes penalidades eram a lotaria que poderia decidir quem iria passar, estava confirmada!

 

Com 5 minutos da segunda parte, Fernando Santos decide mexer. Podia ter sido no intervalo, deveria ter sido, na minha opinião, no início do jogo. Renato Sanches entrou e acabou por ter um papel importante no desfecho do jogo.

O jogo, no entanto, continuou fraco, sem oportunidades de golo, sem jogadas rápidas e desconcertantes, as Selecções de Portugal e Croácia não estavam dispostas a correr riscos. Ficou a ideia que Fernando Santos e Cacic teriam feito um pacto que não agressão e por isso o tédio manteve-se!

 

Não foi, portanto, de estranhar que os 90 minutos tenham sido atingidos sem que houvesse um remate à baliza de Patrício ou Subasic. Foi a primeira vez que aconteceu em Mundiais e Europeus desde 1966. Notável!

 

Fica a nota que aos 64' houve uma grande penalidade para Portugal e que não foi assinalada. Strinic pontapeou Nani e o árbitro espanhol nada assinalou.

 

Com mais 30 minutos para se jogar, em três jogos do dia, era o segundo a ir a prolongamento, previa-se um calvário muito idêntico ao que até agora tínhamos assistido. Já com Quaresma em campo, tinha entrado as 88', e do lado Croata já com Kalinic dentro das 4 linhas e mais tarde com Pjaca, o jogo foi-se arrastando para as grandes penalidades sem que se vislumbrasse um escapatória para qualquer das Selecções. Até que chegou o minuto 116!

 

Perisic ficará com esse momento para sempre na sua cabeça. Primeiro, pelo movimento que levou a bola ao poste de Patrício e em segundo, porque na recuperação defensiva de bola por Portugal, nasceu o golo da vitória e da qualificação. Ronaldo mete em Renato, que por sua vez encosta na esquerda para Nani, isto já com mais de 50 metros de campo percorridos, Nani num passe rasteiro, que de tão mau que foi enganou os defesas Croatas, isola Ronaldo que atira para a baliza, Subasic faz uma excelente defesa que por sua vez coloca a bola milagrosamente na cabeça de Quaresma que só tem de encostar para o fundo das redes, isto tudo perante o desespero dos adeptos da região dos Balcãs e o gáudio dos Portugueses. 

 

Respirou fundo Fernando Santos, apesar de continuar sem vencer nos 90 minutos, o objectivo de qualificação para os quartos de final estava conseguido e o adversário que se segue é a Polónia, que bateu a Suíça nas grandes penalidades e só hoje, ao quarto jogo sofreu o primeiro golo na competição.

A Croácia que tinha vencido a Espanha e o grupo D de qualificação onde estava República Checa e Turquia, pouco fez para conseguir algo mais neste jogo contra Portugal, teve mais azar que a Selecção Lusa e segue agora para casa. 

 

Na próxima quinta abrimos os quartos de final, esperemos que este jogo tenha aberto os olhos a Fernando Santos!

 

Homem do jogo: Pepe

22
Jun16

Hungria 3 - 3 Portugal: Sobrevivência Embaraçosa


J.G.

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Partir para um grupo com adversários tão acessíveis e assumir uma real candidatura ao título parece-nos razoável. Chegar lá e não ganhar um único jogo a Islândia, Áustria e Hungria é preocupante. Acabar o decisivo jogo contra uma equipa com várias reservas da Hungria e não acontecer uma vitória é embaraçoso.

Mais preocupante ainda, após uma miserável exibição em termos defensivos apareceu, finalmente, Cristiano Ronaldo a bisar. Não aproveitar esse balanço e acabar o jogo passivamente confortável a aceitar a "sorte" de um 2º lugar que nos ia levar para o lado negro do caminho para a final enfrentando já a Inglaterra, só pode ser um suicídio colectivo. Por acaso, depois aconteceu mesmo SORTE e a Islândia fez o favor de desviar Portugal para o caminho da Croácia. Menos mau.

Aliás, menos mau é o que caracteriza todo o Euro de Portugal até aqui. 

Hoje, parecia que o espírito das selecções da Hungria de 1954 e de Portugal de 1966 marcaram encontro em Lyon para um festival de golos. Seria entusiasmante se a qualidade do onze titular magiar não fosse tão, vamos lá, banal, e o nível de qualidade do bloco defensivo de Portugal não fosse tão vergonhoso.

À partida parece impossível sofrer 3 golos desta Hungria mas a verdade é que não só se sofreu como vimos Portugal a andar sempre atrás do resultado. Surreal!

Em termos de opções de Fernando Santos, o treinador foi igual a si mesmo. Optou por manter João Moutinho a titular sem que nada o justifique. Apostou em Eliseu por lesão de Guerreiro, e lançou João Mário, William e André Gomes para uma primeira parte para esquecer. 

Nem vale a pena falar dos golos sofridos de tão consentidos que foram, é preferível destacar a entrada de Renato Sanches na 2ª parte para o lugar de Moutinho e depois de Quaresma para o lugar do desgastado André Gomes. 

Com a loucura instalada no marcador, golo da Hungria, resposta de Portugal, o jogo pedia a velocidade e improviso de Rafa. Fernando Santos achou melhor fechar a equipa lançando... Danilo! Como os, já apurados, húngaros também já tinham encerrado as visitas ao meio campo adversário, o jogo arrastou-se de forma embaraçosa para o seu final. Isto mesmo sabendo que no outro jogo havia um empate que empurrava Portugal para o tal lado negro da competição. Incompreensível! 

 

Portugal passa a ser um dos símbolos deste anormal Europeu com novo figurino onde o mais complicado, quase impossível, é ser-se eliminado! É preciso ser muito medíocre para fazer as malas no final desta primeira fase. Portugal conseguiu estar ligeiramente acima desse horrível nível.

Não se vislumbra um onze tipo, não se entendeu o que pretenderam os responsáveis técnicos da Selecção a não ser evitar uma morte prematura e muito humilhante. Sobreviveu-se mas é preciso ser muito optimista para imaginar Ronaldo a levantar a Taça em Paris no próximo mês. Pelo menos, hoje Cristiano chegou ao Euro com estrondo, dentro e fora do relvado e isso é bom.

 

Melhor em Campo: Cristiano Ronaldo