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Parque dos Príncipes

Espaço dedicado à cobertura do Campeonato Europeu de Futebol de Selecções a decorrer em França de entre 10 de Junho e 10 de Julho

Parque dos Príncipes

Espaço dedicado à cobertura do Campeonato Europeu de Futebol de Selecções a decorrer em França de entre 10 de Junho e 10 de Julho

06
Jul16

Portugal 2-0 País de Gales : o sonho tão perto!


Pedro Varela

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Portugal está na final do Europeu de França!

Há um homem que sempre acreditou que isto era possível: Fernando Santos, o Seleccionador Nacional. Colocou o título como objectivo principal, sem rodeios, sem receios e uma parte importante do caminho está feita. Para ele vão os meus primeiros parabéns!

 

Depois, os emigrantes. Porra, durante um mês estiveram no hotel, estágios, estádios, acessos, falaram e choraram para as televisões e vibraram, muito. Sem clubismos, rivalidades, lamechices ou outras índoles. Sentiram a Selecção como nunca. Merecem tanto, mas tanto esta final que quando soou o apito final soltei umas lágrimas por eles. Um bem haja a todos, que são muitos espalhados pelo mundo fora.

 

Coleman admitiu, e não creio que tenha sido jogo psicológico, que Portugal era favorito. O País de Gales fez uma campanha fantástica neste Europeu, mas, no dia em que percebeu que Ramsey não iria jogar contra Portugal, parte das chances de se qualificarem perderam-se. A aposta em King no meio campo foi insuficiente!

 

Do lado Português, Danilo era a opção óbvia para o lugar de William Carvalho castigado, e que excelente exibição do trinco português, e Bruno Alves foi a escolha para substituir Pepe lesionado. Tudo a prever o perigoso jogo aéreo galês.

 

Que primeira parte tivemos em Lyon? Domínio de jogo Português, mas sem oportunidades e com poucos remates, um País de Gales irreconhecível que apareceu pela primeira vez aos 18 minutos e aos 22 e pouco mais.

Portugal voltou a ver uma grande penalidade não ser assinalada pela "gravata" de Collins a Ronaldo, foram escassos os momentos de perigo na baliza defendida por Hennessey. O intervalo chegou com um nulo perfeitamente compreensível.

 

É por estas alturas que se solta o treinador de bancada que existe em todos nós. Porque raio nesta primeira parte se encostou tanto João Mário à esquerda e Renato Sanches à direita, colados à linha, quando os nossos laterais são jogadores que podem perfeitamente subir no terreno, levando a que os médios procurarem-se mais o jogo interior?

 

Mas como eu não percebo nada disto, Ronaldo numa "tolada" incrível, após centro muito bem executado por Raphael Guerreiro, marca o primeiro do jogo. Naquele momento, com a calma que assisti a primeira parte, não fiquei com grandes dúvidas que já estávamos a caminho de Paris. A Selecção de Gales estava apática, sem capacidade de reacção, sempre à espera da explosão de Gareth Bale. Que nunca aconteceu!

 

Foi preciso esperar apenas mais 4 minutos para chegar o segundo golo, por Nani num desvio intencional após remate falhado de Ronaldo. O jogo acabou ao minuto 53!

 

A partir desta altura era irreversível, de Lyon a Paris a viagem iria demorar menos de meia hora. Ronaldo de livre directo, Nani, João Mário e até Danilo, todos falharam o terceiro golo. Bale aos 79' e 82' bem tentou marcar um golo que animasse a partida, mas Patrício estava intransponível!

 

Vitória justíssima de Portugal, principalmente pelo que fez na segunda parte, Paris é o próximo e último destino, voltamos a uma final europeia 12 anos depois. Se a Alemanha vencer a França, conquistamos também o acesso à Taça das Confederações.

 

Quanto a Gales, não tenho dúvida que os seus adeptos estarão orgulhosos do que a sua Selecção fez neste Europeu de 2016, mas hoje, Portugal foi claramente superior!

 

Homem do jogo: Cristiano Ronaldo

 

 

 

 

05
Jul16

E agora, País de Gales?


J.G.

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 Agora, tudo parece ser possível para os bravos heróis de Gales, os únicos sobreviventes da invasão britânica ao Europeu de França.

Estar nas meias finais num Euro alargado com mais uma eliminatória do que era normal, já é um feito que marcará a história do futebol da nação galesa, mais conhecida pelos seus feitos no rugby.

Mas na verdade todos sonham com algo mais e os resultados conseguidos são uma excelente base para alimentar esse sonho. O País de Gales chegou a França após uma qualificação dramática. O facto de estarem presentes num Europeu pela primeira vez já deu para motivar o país e deixar os seus adeptos em festa até agora. Sabia-se que tinham argumentos individuais para lutarem por um apuramento na fase de grupos, desde logo com a estrela do Real Madrid, Gareth Bale, à cabeça.

O desempenho ultrapassou as melhores expectativas, 5 jogos, 4 vitorias! A única derrota aconteceu com os vizinhos ingleses e teve sabor a injustiça. As vitórias categóricas contra Rússia e Bélgica dão toda a legitimidade a Gales para estarem confiantes para a meia final.

 

O seleccionar tem utilizado um 5-3-2 que vem a ser aperfeiçoado desde o primeiro jogo.Enorme solidez defensiva com dois alas incríveis tanto a defender como a atacar, Chris Gunter e Neil Taylor. Estes também são os dois homens em foco por estes dias por simbolizarem a proeza inesperada com reflexos na vida pessoal. Taylor teve que pedir compreensão à sua companheira por não irem ver o concerto de Beyoncé em Wembley, ele tinha comprado os bilhetes mas a aventura em França está a ser mais comprida do que esperava. Já Gunter tem um problema mais complicado, aceitou ser padrinho de casamento do seu irmão no México e vai improvisar o discurso à distância via Skype. Os pais optaram por acompanhar o filho que está no Euro, o casamento não será a festa familiar esperada...

Joe Ledley, outro jogador em destaque com belas exibições e danças estilosas no final dos jogos com os adeptos, ia casar no próximo sábado em Ibiza mas já pedir compreensão à sua noiva que estará em Lyon para o apoiar.

 

Com Gareth Bale um pouco mais livre entre o meio campo e o ataque, Gales consegue dar forma a uma táctica que tira mesmo o melhor dos seus jogadores mesmo com trocas pontuais de jogadores. Ter um ataque construído por Joe Allen, Aron Ramsey e Bale, só pode dar bons resultados, se tudo for bem organizado temos uma nação a sonhar.

 

O problema para Coleman nesta meia final é como substituir Ramsey e Ben Davies . O jovem central do Tottenham é peça muito útil no sector defensivo, pois pode ocupar o centro ou a faixa esquerda mas é substituível sem grande mossa. Já o jogador do Arsenal é mais complicado de se fazer esquecer, tem sido um dos elementos chave da equipa neste Euro, além do golo que marcou à Rússia leva já 4 passes para golo.

 

Escolha quem escolher, Coleman sabe que todos se vão entregar com o mesmo espírito conquistador que mostraram até aqui. Só sabem jogar para vencer, quando se encolheram com os vizinhos ingleses correu mal e serviu de lição. A moral está mais alta que nunca e vão querer mostrar a Portugal que querem ir mais longe na estreia da competição do que fizeram os Patrícios em 1984.

01
Jul16

País de Gales 3–1 Bélgica: O fado do maestro Ramsey


RSolnado

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Segunda partida dos quartos-de-final entre duas formações à procura de um apuramento histórico, embora a Bélgica tenha sido finalista há 36 anos. Os treinadores mexeram nas equipas, Coleman manteve os “10” base e mudou Vokes por Robson-Kanu, do outro lado duas mudanças forçadas na defesa e uma por opção no ataque. E foi a defesa belga que deu muitos problemas a Wilmots e custou-lhe a eliminação. Mas já lá vamos.

Naquela que foi uma das melhores primeiras partes do Euro até ao momento, foram os belgas a entrar melhor, mais incisivos e mais esclarecidos nas suas acções,  logo aos 3 minutos uma transição rápida resultou numa tripla ocasião de golo, mas Carrasco e Meunir viram os seus remates bloqueados e Hazard viu o seu desviado para canto. Era um aviso, que não teria continuidade até aos 13’, quando Nainggolan fez um golaço num tiro de fora da área. Fica em dois dos golos mais bonitos do Euro, se nos lembrarmos do golo contra a Suécia.

Um quarto de hora de jogo a Bélgica estava nas suas sete quintas, saindo na transição rápida com perigo aos 25’ já tinha “arrancado” 3 amarelos a 5 dos defesas de Gales. Havia alguma curiosidade para ver como Gales iria reagir em desvantagem, mas os homens de Coleman mostraram uma frieza e uma organização impressionantes. Assumiram o jogo e trocaram a bola sem rodeios, sempre com Ramsey a assumir a batuta, e foram explorando as debilidades da defesa belga, em particular Jordan Lukaku. Avisaram primeiro, num jogada de Ramsey pela esquerda (lá está) a cruzar para Taylor rematar para monstruosa defesa de Courtois.

Aos 30’ veio o golo do empate, canto de Ramsey e terrível defesa zonal da Bélgica com Jordan Lukaku e Denayer a deixarem o capitão Ashley Williams entrar de rompante para um cabeceamento fulminante, mais parecia um remate com o pé. Loucura nas hostes galesas. Bale em grande cavalgada iria rematar de pé direito fraco, mas até ao intervalo ficou a clara sensação de que eram os belgas com pressa de chegar o tempo de descanso.

E mais ficou essa ideia quando das cabines veio a mudança, saiu Carrasco e entrou Fellaini. Reforço do meio-campo e do jogo aéreo, mas vou admitir que Dembelé estará mesmo lesionado (estava no banco, sem meias de jogo), pois já se sabe que Fellaini geralmente só atrapalha, e hoje não foi excepção.

A Bélgica começou forte na segunda parte, um pouco à imagem da primeira, e Hazard e De Bruyne ameaçaram o golo. Mas foi Gales a marcar aos 55 minutos. E numa jogada desenhada na perfeição: Bale no passe para o espaço a meio-campo, Ramsey a desmarcar-se e tirar um contrário do caminho (Jordan Lukaku novamente nas covas), cruzamento para a área onde as dobras não funcionaram, Fellaini muito passivo a abordar o lance, Meunier e Denayer muito ingénuos a serem enganados por uma rotação de Robson-Kanu, que celebrou o seu primeiro dia de desemprego com um golo nas meias-finais do Euro!

E este golo fez mossa nos belgas, que não esboçaram reacção. Muita posse de bola mas inconsequente, e Gales a fechar-se cada vez mais, encantando da vida e muito concentrado na sua missão. Só a partir do minuto 75 a Bélgica, já no desespero, começou a criar perigo, nomeadamente de cabeça. Saíram os Lukaku’s, tarde demais. A saída de Jordan para entrada de Mertens deixou a equipa em 3-3-3-1, e a saída de Romelu só aos 83 minutos causa estranheza já que passou completamente ao lado do jogo.

Pelo meio terrível notícia para o País de Gales. Já tinham perdido Ben Davies, agora ficavam sem Aaron Ramsey para o jogo das meias-finais. E é uma baixa de peso, Ramsey e Bale são os 2 jogadores acima da média nesta equipa, e não têm substituto à altura. E Ramsey alimenta o jogo todo de Gales, hoje fez 2 assistências, tem mais 2 na prova e 1 golo.

No desespero belga, e para por ponto final num belo jogo de futebol, e também para deixar mais uma marca neste verdadeiro conto de fadas de Gales, surgiu o 3x1 aos 85’. Cruzamento perfeito de Gunter da direita e cabeçada irrepreensível do suplente Vokes (tinha rendido Robson-Kanu) para acabar com as dúvidas. Triunfo justíssimo do País de Gales, sublinhado em campo e no resultado.

O País de Gales chega às meias-finais na sua primeira participação em Europeus. E agora, mesmo sem o maestro Ramsey, irá lutar com tudo contra Portugal por um lugar na final. E diga-se que, apesar da campanha acidentada, Portugal é claramente favorito nesta meia-final.

Homem do jogo: Aaron Ramsey.

25
Jun16

País de Gales 1-0 Irlanda do Norte: À lei de Bale


RSolnado

Duelo improvável nos oitavos de final, País de Gales e Irlanda do Norte a medirem forças com um árbitro inglês a orientar o jogo. Ironias extra-futebol. Coleman manteve o 11 que tinha dizimado a Rússia, na Irlanda o rebelde Laffertty voltou ao rol de titulares, mantendo-se os restantes dez jogadores  que iniciaram os últimos dois jogos.

Não foi uma primeira parte rica em grandes ocasiões de golo, mas o jogo foi interessante de acompanhar. A Irlanda do Norte surpreendeu ao apresentar-se com uma postura mais agressiva em campo, a pressionar mais alto e a assumir o jogo, conseguindo manter a bola no meio-campo contrário, apesar das suas limitações e dificuldades em fazer uma posse de bola objectiva. Exemplo disso o número de cruzamentos da primeia parte (21) nenhum deles teve aproveitamento prático, tendo sido todos cortados pela defesa. Gales pareceu surpreendido e acusou um bocado isso, e raramente conseguiu sair com discernimento para o ataque.

Dos primeiros 45 minutos, notar as tentativas de fora da área de Dallas e Ward, ambas defendidas por Hennessey para canto, e do outro lado o golo bem anulado por fora de jogo de Ramsey. Sinal mais para a Irlanda, ainda que sem consequências práticas.

Para a segunda parte o País de Gales pareceu determinado em mudar o rumo dos acontecimos, e espreitou o golo duas vezes ainda nos primeiros minutos. Primeiro com cabeceamento de Vokes, logo de seguida substituído por Robson-Kanu. Depois Bale, de livre directo, a rematar para grande defesa de McGovern. Coleman iria tirar o tampão Ledley e lançar Jonathan Williams, os dois suplentes jogavam agora na frente e móveis, com Bale e Ramsey com liberdade de movimentos para tentarem desposicionar a defesa contrária.

E foi assim que nasceu o golo da vitória. A 15 minutos do fim e numa jogada de insistência, Bale fugiu para a flanco esquerdo, recebeu o passe de Ramsey e cruzou de forma magistral: a bola pedia desvio para golo e Robson-Kanu estava lá para ser o herói, mas o veterano McAuley antecipou-se e fez auto-golo, desviando para dentro da baliza na desesperada tentativa de corte. Mérito para o excelente cruzamento de Bale.

Entraram McGinn e Magennis tal como contra a Alemanha, e novamente sem efeitos práticos. Gales fechou-se em 5-4-1 e limpou as bolas despejadas para a área. Podia ter dado para entrar o homem com golo, ou cantam eles, Grigg, que vai para casa com 0 minutos para com o cântico mais mediático do Euro.

O País de Gales está nos quartos-de-final, onde terá pela frente Hungria ou Bélgica. Estando neste lado do quadro, tudo é possível.

Homem do jogo: Gareth Bale

20
Jun16

País de Gales 3-0 Rússia : russos BALEados!


Pedro Varela

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Quando fizemos as previsões aqui no Parque sobre quem seriam os dois primeiros qualificados neste grupo B, foi unânime que Inglaterra e Rússia ocupariam esses lugares, e, provavelmente, País de Gales o terceiro posto com possível qualificação.

 

A verdade é que País de Gales chegava à última jornada a depender apenas de si para seguir em frente, caso vencesse, e até o empate no jogo de hoje podia dar a qualificação. Já a Rússia tinha que, obrigatoriamente, vencer hoje e esperar pelos restantes jogos para perceber o seu destino. Compreende-se assim que Slutsky tenha efectuado 4 alterações no 11 titular, uma delas por lesão de Shatov, fazendo entrar Shirokov, Kombarov, Mamaev e Glushakov.

Do lado Galês, Chris Coleman apenas mexeu na frente de ataque, Vokes entrou para o lugar de Robson-Kanu.

 

O jogo foi totalmente dominado por Gales desde o primeiro minuto. A Rússia foi uma pálida imagem do que se poderia esperar, principalmente no jogo de hoje onde teria de apresentar-se de forma completamente ofensiva e batalhar pela vitória. Mas Bale não concordou e a noite foi dele!

 

Logo aos 3', Bale em posição de fora de jogo quase marcava, ficava o aviso da estrela do País de Gale. O espaço que era concedido pelos russos era amplamente aproveitado por Ramsey, Allen e claro, pelas estonteantes corridas de Bale. 

O golo surgiu, naturalmente, aos 10' por Ramsey, num fantástico chapéu a Akinfeev após assistência de Joe Allen.

Aos 20', Neil Taylor, lateral esquerdo aparece completamente sozinho em frente ao guardião russo, após assistência de Bale que Shirokov corta mal, e faz o segundo golo para Gales com toda a calma do mundo. 

 

A Rússia estava desorientada, temeu-se que o resultado pudesse escalar ainda mais rapidamente do que estava a acontecer e só aos 26', Dzyuba conseguiu criar perigo na baliza de Hennessey. Por esta altura, o esquema táctico russo era bola para a frente e logo se via!

 

Aos 30', sim, a uma hora do final do jogo, e com tanto para se jogar, Gareth Bale faz um das jogadas que mais o celebrizou, bola colada aos pés, corrida em alta velocidade a passar pelos adversários todos que lhe apareciam pela frente, como quem faz slalom, assistiu Vokes que...falhava o terceiro golo.

 

E depois ainda houve Ramsey, e Bale novamente e...intervalo, para sorte dos russos!

 

A segunda parte inicia-se com a troca dos irmãos Berezutski no centro da defesa da Rússia, mas pouco havia a fazer. Bale estava completamente endiabrado e não marcou aos 54', mas doze minutos depois elevou o marcador para 3-0 e tornou-se no melhor marcador do Europeu. Três golos em três jogos da fase de grupos.

 

A Rússia, bem, já não podia fazer muito mais no jogo e, provavelmente, poderia ter sido mais criativa que Alexander Shprygin, o responsável pela ligação do clubes aos adeptos, que tinha sido deportado pelos incidentes na primeira jornada e que hoje estava novamente em Toulouse a ver o jogo enganando tudo e todos. Só aos 84', Dzuyba, o inconformado, voltou a ter uma oportunidade para alterar o resultado do jogo. Inconsequente!

 

Para o País de Gales o final de jogo não podia ser mais saboroso, porque de Saint-etienne as notícias não podiam ser melhores, Inglaterra e Eslováquia empatavam, o que significava a vitória no grupo B. Fantástico!

 

A Rússia, tal como alguns dos seus adeptos, abandona o Europeu de França com uma imagem desgastada, estragada e a pedir uma rápida renovação!

 

Homem do jogo: Gareth Bale

16
Jun16

Inglaterra 2-1 País de Gales: E tudo o banco mudou!


RSolnado

 

 

Roy Hodgson manteve o mesmo onze do jogo contra a Rússia, Coleman fez regressar os consagrados Hennessey (à baliza) e Ledley, e promoveu a titularidade do herói do primeiro jogo, Robson-Kanu. Manteve a organização da equipa em 5-3-2.

A primeira parte foi um enorme bocejo, fruto da previsibilidade do jogo da Inglaterra e da postura defensiva e organizada do País de Gales. Harry Kane perdido entre os 3 centrais contrários, Lallana e Sterling sem desequilibrarem, e a meio-campo tudo controlado de parte a parte. É certo que o jogo podia ter sido diferente se logo aos 7 minutos Sterling tivesse a capacidade de finalização que, por exemplo, Schweinsteiger já mostrou neste Euro; num lance com algumas semelhanças finalizou de primeira depois de um cruzamento de primeira de Lallana, mas de forma terrível.

De resto só de bola parada a Inglaterra causou algum perigo, curiosamente em dois lances cobrados por Rooney para os centrais. Num livre apareceu Cahill a cabecear à figura, num canto Smalling cabeceou ao lado. Muito pobre, muito fraco, muito mau.

Para castigar esta inércia, apareceu Gareth Bale ao minuto 42. Livre directo de muito longe, uns bons 30 metros da baliza, remate com força e efeito a ultrapassar a ténue barreira (3 elementos), Hart estava posicionado para o lado direito da baliza e a ver claramente a bola, deu dois passos ao lado voou e defendeu… para dentro da baliza. Que grande frango do guardião inglês, que deveria ter defendido a bola com facilidade.

Estava dado o mote para a segunda parte, pois a Inglaterra tinha de mudar tudo… e mudou. Ficaram Kane e Sterling no balneário, entravam Vardy e Sturridge. E desde cedo se percebeu que a dinâmica ia ser bem diferente, nomeadamente pela acção de Sturridge, muito mais consequente do que Sterling. Rooney também apareceu mais solto e foi dele o primeiro aviso, aos 55’ bom trabalho e remate para excelente parada de Hennessey.

O País de Gales recuou no terreno, instalando o autocarro na sua área. Neste modelo em que passam 16 equipas de 24 às eliminatórias, Gales jogou para o pontinho uma vez que o empate neste jogo deixava a qualificação practicamente garantida. Logo a seguir ao aviso de Rooney, veio o empate. Na insistência após uma bola parada, Sturridge cruzou da esquerda e na área um péssimo corte do capitão Ashley Williams permitiu a Vardy fazer um golo simples. Completamente acampado, ficou a dúvida se o ponta de lança teve fé que fosse assistido por um adversário… Para a história fica que estava no sítio certo.

O jogou continuou com um só sentido, só dava Inglaterra. Walker e Rose funcionavam como autênticos extremos esticando e bem o jogo da sua equipa que pese embora trabalhar bem a bola, na hora da verdade tinha dificuldades em decidir bem perante a floresta de Gales montada na grande área. Foi rematando bastante, mas contra a muralha. Aos 72’ o também inconsequente Lallana saiu para entrar o jogador mais novo do Europeu, Rashford. O avançado do Manchester United foi jogar para a esquerda e num par de arrancadas tentou fazer a diferença.

A partida caminha para o fim, e nos descontos fez-se história: Pela primeira vez em fases finais de grandes competições, a Inglaterra conseguiu vencer um jogo depois de estar a perder ao intervalo! O herói só podia ser Daniel Sturridge, o avançado do Liverpool e a jogada decisiva começa nele e numa tentativa de penetração na área, a combinação com o delicioso passe em devolução de Delle Alli de calcanhar para a finalização certeira de Sturridge.

O comedido Hodgson festejou eufórico e suspirou de alívio. A vitória é merecida, e para o decano seleccionador fica a constatação óbvia: ainda ninguém tinha percebido a escolha do 11 inicial para estas duas partidas, foram 135 minutos de futebol inconsequente e provavelmente veremos Sturridge e Vardy a titulares no próximo jogo. Veremos  se Lallana manterá o lugar, ou se com Milner, Wilshire ou Barkley; candidatos não faltam para ser utilizado o meio-campo em losango que deu bons resultados na fase de preparação. O País de Gales pode sair de cabeça bem levantada deste jogo, a qualificação vai ser disputada diante de uma Rússia desesperada e sem ideias.

Homem do jogo: Daniel Sturridge

11
Jun16

País de Gales 2 - 1 Eslováquia: 3 Pontos para o País de Gales


J.G.

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O título remete para o universo do rugby onde os galeses costumam ser fortes. Mas o País de Gales já não é só rugby. Depois das gerações de Ian Rush ou Ryan Giggs, nunca terem conseguido jogar uma fase final de uma grande competição, chegou a vez da estreia num Europeu com Gareth Bale ao leme.

Para o primeiro jogo um adversário também a estrear. A Eslováquia, que deu um ar da sua graça no Mundial de 2010 quando afastou a Itália, chegou a França também com um cabeça de cartaz de respeito, Hamsik.

Foi uma tarde de heróis prováveis mas quem resolveu foram os "desconhecidos".

O jogo começou bem para a Eslováquia que devia ter chegado à vantagem bem cedo numa genial jogada de Hamsik, pois claro, mas que o central dos Spurs (hoje central, no Tottenham joga na esquerda da defesa), Ben Davies, contrariou com um enorme corte. 

Gales estava com problemas em assumir o jogo quando aparece um livre directo bem ao jeito de Bale. Aos 10', o jogador do Real Madrid imitou a pose do seu companheiro Ronaldo, abriu as pernas, tirou as medidas à barreira e disparou para o meio da baliza onde Kozacik é batido por mau posicionamento. Loucura nas bancadas galeses.

 

O golo deu confiança a Gales que passou a dominar o jogo mesmo que a posse de bola tenha ido para os eslovacos. Defesa bem organizada, com três centrais e muita ajuda dos médios defensivos, tirou espaço a todas as iniciativas de Hamsik, Weiss e Mak.

Assim estivemos durante uma hora de jogo. Até que Kozak, treinador eslovaco, fartou-se da produção nula do avançado Duris e lançou o jovem Duda que foi a nossa aposta para revelação desta equipa na apresentação do Grupo B.

O jogador do Legia da Polónia, só precisou de dois toques na bola para fazer um golo em menos de um minuto! Um recorde e euforia nas hostes eslovacas. 

O jogo deu a volta e passou a ser a Eslováquia a estar mais perto do golo, apesar de Gales continuar a defender superiormente. 

Aos 71' foi a vez de Coleman mexer na equipa e acertar no Euromilhões. Fez entrar Robson-Kanu, uma lenda do Reading mas actualmente sem clube, e este agitou mesmo a partida. Em contra ataques rápidos, o País de Gales ameaçou mas foi numa jogada em total desequilibro de Ramsey que enganou o duro Skrtel para assistir Robson-Kanu que rematou atabalhoadamente mas com eficácia total para dar a primeira vitória de sempre a Gales num Europeu. Um momento de emoções diferentes, com os dragões em êxtase e os eslovacos de rastos.

Mesmo assim, houve tempo para Duda tentar aumentar a epicidade da sua entrada só que a bola foi devolvida pelo poste.

Vitória histórica do País de Gales que pela primeira vez podem gritar três pontos com alegria sem ser num jogo de rugby.

 

Melhor em Campo: Gareth Bale