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Parque dos Príncipes

Espaço dedicado à cobertura do Campeonato Europeu de Futebol de Selecções a decorrer em França de entre 10 de Junho e 10 de Julho

Parque dos Príncipes

Espaço dedicado à cobertura do Campeonato Europeu de Futebol de Selecções a decorrer em França de entre 10 de Junho e 10 de Julho

27
Jun16

Inglaterra 1-2 Islândia : heróis vulcânicos!


Pedro Varela

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♫♫

Small island is on fire
Big island is terrified
NA NA NA NA NA NANA NANA NANANA

♫♫

 

Acabamos de assistir a história do futebol mundial, verdade seja dita, o Europeu de 2016 já valeu pelo que há momentos se passou em Nice. A Islândia, com pouco mais de 300 mil habitantes, venceu a Inglaterra e eliminou-a da competição, uma nação que tem mais de 8 milhões de pessoas a praticar futebol, e pelo que assistimos em campo não foi um escândalo!

Se a passada semana tinha sido, a nível político para os ingleses um adeus à Europa, a Selecção em campo não quis ficar atrás e seguiu os passos da maioria que votou pela saída do Reino Unido da Europa. Já se fala da possibilidade da Selecção dos "Três Leões" passar a "Três Gatinhos" agora que se isolaram do velho do continente. A acompanhar!

 

Roy Hodgson fez um campanha incrível de qualificação, em 10 jogos conseguiu 10 vitórias. Qualificou-se para os oitavos de final sem fazer um jogo verdadeiramente de possível candidato. Hoje operou 5 substituições, diria que todas elas previsíveis Rose, Sterling, Kane, Rooney e Alli, pois o jogo da terceira jornada serviu para poupar jogadores, mas continuou a praticar um futebol medonho.

Do lado Islandês, Lagerbäck manteve o 11 titular que venceu na última jornada a Áustria. É caso para perguntar, percebem porque a Islândia lutou para vencer esse jogo sabendo que iria encontrar a Inglaterra? A resposta na vitória de hoje!

 

A derrota da Inglaterra, que diga-se de passagem, é completamente justa, ainda é mais acentuada e frustrante para os Ingleses, quando aos 4 minutos Rooney marca o 1-0 de grande penalidade. Era complicado começar de melhor forma.

Mas, como sabemos, Islândia é o país do vulcões, os jogadores estavam adormecidos mas a erupção estava para começar. O primeiro abalo foi logo aos 6 minutos com Gunnarsson a fazer um lançamento longo para Árnasson que coloca a bola na área e Sigurdsson marca o golo do empate.

E como bem sabemos da actividade vulcânica, depois das tremideiras iniciais, a lava explode e vem por aí abaixo, e numa jogada bem trabalhada à entrada da área Inglesa, ninguém pressiona Sigthórsson que atira para o fundo da baliza de Hart, que deixa a ideia de ser mal batido!

 

A partir deste momento, com a lava a expandir-se a toda a velocidade, bem sabemos que é difícil parar este movimento. O intervalo chegou com um aviso muito sério: já só faltavam 45 minutos para recambiar os ingleses de volta para a ilha!

 

E o que fez Roy?

 

Tira Dier e coloca Wilshere. A Selecção Inglesa continuou apática, sem fio de jogo, sem a minha noção de como livrar-se da camisa de forças em que estava metida. Deu pena ver Rooney completamente desgastado por ter actuado quase 90 minutos fora da sua melhor posição, ou Kane a enviar bolas para fora como quem está em dia de apresentação num novo clube a mandar bolas para os adeptos nas bancadas e Vardy que entrou e quase sem jogo, sem oportunidades, sem bola, tal eram as fracas assistências dos seus companheiros. O momento "malucos do riso" é lançar Rashford com o jogo mesmo a terminar e já desesperado numa óptica de "pode ser que dê!"

 

Não quero com isto tirar o mérito da Islândia. Que força da natureza neste Europeu nos lances de bola pelo ar, e até pelo chão, que os seus jogadores empregam em cada lance. Tudo é uma batalha, um duro embate como se própria vida dependesse da bola que se vence. E depois, tivemos Sigurdsson. Batalha, batalha, marca o golo, atira de pontapé de bicicleta, batalha, remata e ficamos cansados de o ver em campo. Mas felizes, porque aquilo é tudo genuíno!

 

Uma Selecção que empata com Portugal, vence à Áustria e Inglaterra, merece continuar a maravilhar o mundo do futebol, dentro de campo com um futebol aguerrido e fora de campo com o apoio incrível dos seus adeptos.

 

A Inglaterra volta à estaca zero. Desilusão incrível, Roy Hodgson já se demitiu!

 

Homem do jogo: Sigurdsson

 

20
Jun16

Inglaterra 0 - 0 Eslováquia: Resistência Eslovaca


J.G.

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Hodgson ameaçou uma revolução no onze e cumpriu. Entraram Clyne, Bertrand, Henderson, Wilshere, Sturridge e Vardy, para o lugar a Walker, Rose, Alli, Rooney, Sterling e Kane. 

No lado eslovaco a aposta foi para a base da equipa que venceu a Russia.

 

Muito bom jogo dos ingleses nos primeiros minutos da primeira parte, dinâmica muito interessante, futebol ofensivo e criativo a colocar a defesa liderada por Skrtel em respeito desde o começo. A tendência do jogo foi sempre em direcção à baliza de Kozacik, um dos principais culpados pela falta de golo nesta partida.

Apesar dos bons sinais ingleses, o ritmo baixou e a Eslováquia conseguiu procurar o seu ponto de referência atacante, Hamsik, tentando contrariar o sentido único do jogo. Num desentendimento entre Smalling e Hart, os eslovacos sonharam mas tudo ficou resolvido pelo guardião do Manchester City.

 

Na 2º parte mais intensidade no ataque inglês e as equipas adaptaram-se ao contexto pontual que era favorável à Eslováquia no sentido em que podia esperar um apuramento no 3º lugar com 4 pontos. Isto porque o País de Gales despachava sem dificuldade a decepção do grupo, a Rússia.

Assim, sobrava aos ingleses a hipóteses de ganhar este jogo para ficarem mais confortavelmente no 1º lugar do grupo. Mas mesmo com as entradas de Alli, Rooney e Kane, a muralha eslovaca não cedia. Foi uma verdadeira prova de resistência dos estreantes no Europeu que aguentaram até ao fim o precioso ponto que os faz sonhar com a passagem à próxima fase.

 

Do lado inglês fica o sabor amargo e um pouco injusto de um empate num jogo em que mostraram argumentos e qualidade para um melhor resultado. O apuramento está garantido e agora Hodgson terá que escolher os 11 com quer começar os jogos a eliminar.

 

Melhor em Campo: Henderson

16
Jun16

Inglaterra 2-1 País de Gales: E tudo o banco mudou!


RSolnado

 

 

Roy Hodgson manteve o mesmo onze do jogo contra a Rússia, Coleman fez regressar os consagrados Hennessey (à baliza) e Ledley, e promoveu a titularidade do herói do primeiro jogo, Robson-Kanu. Manteve a organização da equipa em 5-3-2.

A primeira parte foi um enorme bocejo, fruto da previsibilidade do jogo da Inglaterra e da postura defensiva e organizada do País de Gales. Harry Kane perdido entre os 3 centrais contrários, Lallana e Sterling sem desequilibrarem, e a meio-campo tudo controlado de parte a parte. É certo que o jogo podia ter sido diferente se logo aos 7 minutos Sterling tivesse a capacidade de finalização que, por exemplo, Schweinsteiger já mostrou neste Euro; num lance com algumas semelhanças finalizou de primeira depois de um cruzamento de primeira de Lallana, mas de forma terrível.

De resto só de bola parada a Inglaterra causou algum perigo, curiosamente em dois lances cobrados por Rooney para os centrais. Num livre apareceu Cahill a cabecear à figura, num canto Smalling cabeceou ao lado. Muito pobre, muito fraco, muito mau.

Para castigar esta inércia, apareceu Gareth Bale ao minuto 42. Livre directo de muito longe, uns bons 30 metros da baliza, remate com força e efeito a ultrapassar a ténue barreira (3 elementos), Hart estava posicionado para o lado direito da baliza e a ver claramente a bola, deu dois passos ao lado voou e defendeu… para dentro da baliza. Que grande frango do guardião inglês, que deveria ter defendido a bola com facilidade.

Estava dado o mote para a segunda parte, pois a Inglaterra tinha de mudar tudo… e mudou. Ficaram Kane e Sterling no balneário, entravam Vardy e Sturridge. E desde cedo se percebeu que a dinâmica ia ser bem diferente, nomeadamente pela acção de Sturridge, muito mais consequente do que Sterling. Rooney também apareceu mais solto e foi dele o primeiro aviso, aos 55’ bom trabalho e remate para excelente parada de Hennessey.

O País de Gales recuou no terreno, instalando o autocarro na sua área. Neste modelo em que passam 16 equipas de 24 às eliminatórias, Gales jogou para o pontinho uma vez que o empate neste jogo deixava a qualificação practicamente garantida. Logo a seguir ao aviso de Rooney, veio o empate. Na insistência após uma bola parada, Sturridge cruzou da esquerda e na área um péssimo corte do capitão Ashley Williams permitiu a Vardy fazer um golo simples. Completamente acampado, ficou a dúvida se o ponta de lança teve fé que fosse assistido por um adversário… Para a história fica que estava no sítio certo.

O jogou continuou com um só sentido, só dava Inglaterra. Walker e Rose funcionavam como autênticos extremos esticando e bem o jogo da sua equipa que pese embora trabalhar bem a bola, na hora da verdade tinha dificuldades em decidir bem perante a floresta de Gales montada na grande área. Foi rematando bastante, mas contra a muralha. Aos 72’ o também inconsequente Lallana saiu para entrar o jogador mais novo do Europeu, Rashford. O avançado do Manchester United foi jogar para a esquerda e num par de arrancadas tentou fazer a diferença.

A partida caminha para o fim, e nos descontos fez-se história: Pela primeira vez em fases finais de grandes competições, a Inglaterra conseguiu vencer um jogo depois de estar a perder ao intervalo! O herói só podia ser Daniel Sturridge, o avançado do Liverpool e a jogada decisiva começa nele e numa tentativa de penetração na área, a combinação com o delicioso passe em devolução de Delle Alli de calcanhar para a finalização certeira de Sturridge.

O comedido Hodgson festejou eufórico e suspirou de alívio. A vitória é merecida, e para o decano seleccionador fica a constatação óbvia: ainda ninguém tinha percebido a escolha do 11 inicial para estas duas partidas, foram 135 minutos de futebol inconsequente e provavelmente veremos Sturridge e Vardy a titulares no próximo jogo. Veremos  se Lallana manterá o lugar, ou se com Milner, Wilshire ou Barkley; candidatos não faltam para ser utilizado o meio-campo em losango que deu bons resultados na fase de preparação. O País de Gales pode sair de cabeça bem levantada deste jogo, a qualificação vai ser disputada diante de uma Rússia desesperada e sem ideias.

Homem do jogo: Daniel Sturridge

11
Jun16

Inglaterra 1-1 Rússia : a história repete-se!


Pedro Varela

Photo by Laurence Griffiths

Infelizmente para os Ingleses a história repete-se e não conseguem vencer o jogo de abertura de uma fase final do Europeu. São já 9 jogos, onde registam 5 empates e 4 derrotas, Roy Hodgson não conseguiu manter a senda das vitórias que trazia da qualificação e há, no empate de hoje, questões pertinentes que se colocam à equipa escolhida.

Para a Rússia, que normalmente vence os jogos inaugurais, apesar de duas derrotas contra a Espanha nos últimos europeus, o empate nos descontos foi muito saboroso com alguma justiça poética!

 

No 11 titular inglês foi com alguma surpresa que Vardy e Milner ficaram de fora, como dizia o Ricardo Solnado na discussão sobre este jogo, a convocatória inglesa tem 1 extremo e 5 avançados, testa-se um losango e no primeiro jogo apresenta-se um 4x3x3. Estranho, caro Roy!

Nem vou falar do Rooney a jogar no meio campo. Percebo a sua influência, a inteligência em campo de um jogador experiente, mas nota-se uma dificuldade enorme na construção de jogo que se pede a um jogador que, na minha modesta opinião, rendia melhor atrás do ponta de lança ou mesmo na frente. Ainda vale mais de 50 golos pela Selecção.

Do lado Russo a aposta no ataque foi grande, Smolov, Kokorin e Dzyuba, no entanto, era a defesa a grande preocupação desta Selecção, como avançamos aqui, mas, decorridos 90 minutos de Europeu, podemos afirmar sem problemas que Ignashevich e Berezutski revelaram-se suficientes para quase todas as investidas inglesas.

 

A Inglaterra começou bem o jogo e rapidamente tomou conta da partida, os primeiros 15 minutos mostraram excelentes movimentações entre Alli, Walker e Lallana, não sendo por isso estranho que a posse de bola tenha atingido os 75%, com a Rússia a responder apenas com a bola para a frente na esperança que Dzyuba pudesse fazer algo mais. Mas claramente desapoiado, faltavam os extremos para lhe colocar a bola.

Com o tempo a passar, o equilíbrio começou a tornar-se mais evidente, e a diferença entre a Inglaterra e a Rússia, na primeira parte, esteve principalmente na precisão dos passes. Os russos chegaram a falhar 1 em cada 2. Mas, Kane, apagado e apenas encarregue da marcação de cantos e Sterling muito perdulário, dava para perguntar...e Vardy?

 

A segunda parte foi mais dividida. Rooney atirou de livre por cima da baliza de Akinfeev, que parecia intransponível, Dier no lado oposto quase marcava na sua baliza. 

A Rússia conseguia responder melhor, essencialmente por Kokorin esteve mais activo na segunda parte.  Sendo que essa acção resultou quase em golo, aos 62' Smolov teve a melhor oportunidade do encontro, Dzuyba esteve na assistência.

 

Os últimos 25 minutos trouxeram um jogo mais partido, mas percebia-se que os golos poderiam aparecer. Rooney avisou com uma bomba que Akinfeev desviou para a trave e não demorou mais que 3 minutos para Eric Dier, de livre directo, marcar um grande golo. Os Ingleses respiravam de alívio, até deu para ouvir o Hey Jude e a história poderia estar a fazer sentido para Roy Hodgson, mas só para ele.

Esteve três quartos de jogo empatado, favorito a vencer, mas não sentia necessidade de mexer na equipa. Não se percebeu se Rooney saiu por opção ou lesionado e o golo rejuvenesceu os Russos, quando deveria ter tido outro efeito. Dizem que "velhos são os trapos" e Berezutski confirmou-o ao marcar o golo de empate nos descontos, numa cabeçada a fazer um arco em câmara lenta a Joe Hart, frustrando uma nação que, depois do jogo de hoje, terá os pés de volta à terra.

A fase final de um Euro será sempre, mas mesmo sempre, diferente de uma qualificação. A Rússia, pelo que fizeram os seus centrais,o avançado Kokorin e pelas mexidas de Slutsky mereceu este ponto que mantêm intactas as suas aspirações a seguir em frente.

 
Homem do jogo: Eric Dier
 
04
Jun16

Grupo B: Inglaterra


Pedro Varela

  • FIFA Ranking 11
  • Grupo B
  • Treinador Roy Hodgson
  • Primeiro jogo Rússia

 

Chegou o momento da Selecção Inglesa!

Depois de uma qualificação imaculada, 10 vitórias em 10 jogos, está na altura de mostrar o que a irreverência dos seus jovens jogadores como Stones, Kane ou Dele Alli, e a experiência de outros tantos, Sterling, Rooney ou Cahill, é capaz de fazer por terras gaulesas sob a orientação do experiente Roy Hodgson. 

Favoritos a vencer o grupo, acredito que os adeptos ingleses nem pensarão noutra posição neste grupo B, será um passo decisivo para perceber se esta Inglaterra está ou não habilitada a lutar pelo título de campeão europeu em terras gaulesas.

A aposta no 4x3x3 mais perigoso e aventureiro poderá marcar a caminhada desta Selecção no Europeu. Rooney atrás de Kane e Vardy, este último com a motivação extra do título inglês, Stones no eixo da defesa, embora, me pareça que Hodgson irá apostar em Smalling, que, não fez uma grande época, à semelhança do seu clube. A Selecção dos "Três Leões" está pronta para rugir neste Europeu!

 

Estrela

Wayne Rooney

109 internacionalizações e 51 golos, capitão e jogador com mais golos de sempre pela Selecção Inglesa. Experiência acumulada desde 2004, terá neste Europeu de França a última oportunidade para mostrar que este estatuto é merecido. O problema? Jogar atrás de Vardy e Kane, tal como algumas vezes aconteceu, este ano no Manchester United, pode não ajudar.

 

Revelação

John Stones

10 internacionalizações e 0 golos, o defesa do Everton entra no meu onze-tipo por detrimento de Smalling que não fez uma grande época, à semelhança do United. Classe não lhe falta, veremos se o facto de ser um dos mais novos jogadores da Selecção Inglesa não o trai nos grandes palcos, mas os 41 jogos que fez o serviço do Everton esta época, que totalizam mais 3.300 minutos são um aditivo à confiança necessária para fazer um bom Europeu.

 

Onze Tipo 

Hart; Clyne, Cahill, Stones, Rose; Dier, Henderson, Alli; Rooney, Kane e Vardy.