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Parque dos Príncipes

Espaço dedicado à cobertura do Campeonato Europeu de Futebol de Selecções a decorrer em França de entre 10 de Junho e 10 de Julho

Parque dos Príncipes

Espaço dedicado à cobertura do Campeonato Europeu de Futebol de Selecções a decorrer em França de entre 10 de Junho e 10 de Julho

11
Jul16

Portugal 1-0 França, visto por Pedro Varela


Pedro Varela

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O árbitro apita, o jogo termina e Portugal é campeão da Europa em futebol. Gritos, meus e dos amigos com quem via o jogo. Olho para o lado e está a minha mulher que fazia anos nesse dia. Sorri-o, dou-lhe um beijo e digo "até logo, vou festejar para a rua!"

Era impensável ficar em casa a ver a festa pela televisão. Naquele momento só pensava no raio do dia em que estive para comprar o bilhete para a final, há uns meses. Mas, como muitos Portugueses, no fundo, no fundo, eu não acreditava que era possível Portugal estar ali em Saint-Denis, coração de Paris, a festejar um dos mais importantes títulos do desporto mundial.

 

Por isso, tal como o tinha feito feito há dias quando vencemos a meia final, os parabéns, os primeiros, vão para Fernandos Santos, uma espécie de Dom Quixote, onde as suas fantasias eram desmontadas pelas nossa, dos adeptos, realidade. Mas afinal, nós é que fantasiávamos e ele é que nos trouxe à realidade. A realidade, dura e crua para os franceses, mas tão gostosa em que Portugal é o campeão da Europa de futebol.

 

Antes de sair de casa, telefona-me o meu avô. Responsável por eu ser tão doente pelo futebol, "Pedrocas, não pensei que estaria por cá neste mundo para ver isto. Festeja meu filho que bem mereces porque tu adoras o futebol!"

 

Voltando aos festejos. Desço as escadas e avanço para o carro para apanhar o meu pai. amos estacionar o mais próximo possível da Ponte Luiz I, entre Gaia e Porto, e depois a pé vamos percorrer as diferentes artérias principais destas duas belíssimas cidades onde ocorrem os festejos. Começo em Gaia e posso garantir que não me lembro de ver um festa tão grande nestes 40 anos que por cá vivo. O S. João, ou os festejos dos títulos do Porto são sempre enormes festas, mas ontem tudo era diferente. Pequenos, graúdos, de todos os credos futebolísticos, juntos a uma só voz, numa celebração absolutamente fantástica. Avanço de Metro para o Porto. Parecia uma sardinha enlatada, felizmente era apenas uma estação. Mas na curta viagem percebia-se a emoção de todos a falar da magnífica vitória.

 

Começo a subir as escadas da linha para a rua, cânticos, cânticos e mais cânticos. Mas vejo um casal de namorados, sem sorriso, sem festejos a caminhar pelo meio de todos. Não devem gostar de futebol, tenho pena deles!

 

As ruas do Porto no eixo S. Bento, Aliados, até à Câmara do Porto, estão completamente lotadas. Que festa incrível. Dança-se, canta-se, festeja-se, olha-se para o ecrã onde os jogos passaram, agora sem som da emissão, e fica-se a olhar para os lances de golo, do Ronaldo a chorar, da traça a pousar na sobrancelha, do Éder a marcar e a festejar o golo, do Fernando Santos a falar, e mesmo sem se ouvir o que ele está a dizer, são muitos os que estão a olhar para ecrã. 

Eu paro e olho durante uns segundos para a multidão e penso, "será isto mesmo verdade?". Sou um doente por futebol, pelo meu clube e, como disse no primeiro texto aqui no Parque, adoro a Selecção. Ontem, passadas umas horas depois da vitória ainda me custava a acreditar que éramos, finalmente, campeões da Europa. 

 

Eu estive na Luz em 2004. Aliás, nesse ano vi 10 jogos ao vivo do Euro. Foi absolutamente épico. Para o bom, pela festa que esta competição traz a um país. Convivi com pessoas de diferentes nacionalidades e falava-se de tudo um pouco. Para o mal, esse jogo na Luz contra os Gregos, que ditou a nossa derrota num cenário quase imprevisível.

 

Essa derrota estava atravessada na minha garganta, eu sentia uma dificuldade incrível de respirar sempre que via os jogos da Selecção e pensava nesse fatídico dia. Ontem, o título, a vitória, esta união entre os 23 jogadores, equipa técnica, emigrantes e nós por cá, libertou-me e finalmente pude gritar bem alto, "Nós Somos Campeões!". 

 

Do jogo, perdoem-me, foram mais de 30 dias a escrevermos sobre tácticas, jogadores, treinadores e tudo mais, hoje o texto é sobre a alegria de ser campeão europeu. Eu estou muito contente por este título. Os meus olhos ainda brilham enquanto escrevo estas breves linhas. Somos Campeões da Europa!

 

Viva Portugal!

 

Homem do jogo: Rui Patrício

11
Jul16

Portugal 1-0 França, visto por Ricardo Solnado


RSolnado

Decidimos que cada autor do Parque fará a sua crónica da final. Ainda não recomposto dos festejos, atiro-me de cabeça para a tentativa de fazer uma crónica mais objectiva de um jogo carregado de emoções.

Lançamento das equipas, a França com o mesmo 11 dos últimos 2 jogos, Portugal a fazer regressar os ausentes nas meias-finais, Pepe e William. O jogo começou animado, e depois de três remates chegou o primeiro momento tenso da noite: uma carga dura de Payet sobre Cristiano Ronaldo deixou o capitão português lesionado, e depois de alguns minutos a tentar o impossível, teria mesmo de deixar o terreno de jogo. Perdeu Portugal, mas perdeu o futebol.

Decorridos 10’ primeira grande ocasião de golo: Payet lançou na área e Griezmann cabeceou para grande defesa de Rui Patrício. O guarda-redes da selecção nacional iria iniciar uma noite de sonho, com sete defesas completas, algumas delas bem difíceis e sempre seguro no jogo aéreo. E sim, para ganhar 1x0 frente a uma selecção favorita o guarda-redes tem de fazer uma exibição fantástica. E fez!

Nos minutos seguintes Portugal procurou suster a cavalaria francesa, muito por culpa de Sissoko cujas cavalgadas criaram algumas dificuldades. Valeu a pontaria desafinada do médio do Newcastle… A França podia dizer-se que tinha mais iniciativa na primeira parte e conseguia chegar mais vezes ao ataque, ainda que sem muitas ocasiões claras de golo. Portugal, reorganizado em 4x3x3 depois de saída de Ronaldo, manteve a postura expectante durante o primeiro tempo.

A segunda parte começou morna e sem grandes ocasiões novamente, sentia-se a tensão do jogo e também algum cansaço, quer físico quer psicológico. A troca de Payet por Coman logo aos 57’ foi um sinal disso, e Coman agitou o jogo para o lado da equipa da casa, deixando a defesa portuguesa em cuidados. Mas sempre muito eficaz nas suas acções, Patrício voltou a negar o golo a Griezmann aos 58’ e aos 66’ o camisa 7 gaulês teria uma grande perdida, ao direccionar o cabeceamento por cima da trave.

Portugal tinha reagir e veio do banco a resposta com duas substituições separadas por 12 minutos mas que podiam ter sido imediatas: Moutinho rendeu Adrien, Éder rendeu Renato Sanches, passando João Mário para o trio de meio-campo e podendo Nani e Quaresma jogarem como extremos. A entrada de Éder foi decisiva, mas não foi só no prolongamento. Fisicamente mais disponível que a maioria dos jogadores em campo, ganhou muitos duelos, “sacou” faltas, e deu referência para o jogo lateralizado da equipa de Fernando Santos.

Aos 80’, um cruzamento falhado de Nani quase dava em golo, grande defesa de Lloris que parou também a recarga acrobática de Quaresma. Respondeu Sissoko com mais uma cavalgada e desta feita um grande tiro para um voo de Patrício para a defesa da noite.
O jogo caminhava para o final e pela primeira vez íamos ter uma final de Euro com 0x0 ao cabo de 90 minutos. E tivemos mesmo, porque os deuses estiveram com Portugal, aos 90+2’ grande trabalho de Gignac (que havia rendido Giroud) na área, tudo bem feito mas o remate a embater no poste da baliza de Portugal!

O prolongamento não foi fácil para nenhuma das partes, o jogo endureceu com bastantes faltas, na altura em que a fadiga física e mental se apoderava dos jogadores. E apoderou-se mais dos franceses, e o tempo-extra foi a melhor altura de Portugal em jogo.

Aos 108’, o aviso: livre directo superiormente executado por Raphael Guerreiro a embater com estrondo na trave. No minuto seguinte, o momento de história: Éder recebeu de Moutinho, galgou alguns metros naquele jeito dele e mesmo de longe encheu-se de fé e atirou à baliza contrária, o remate saiu cruzado e forte, batendo no chão mesmo à frente de Lloris que viu a bola passar por cima da sua mão. Sem hipóteses! Loucura total no banco de Portugal!

Faltam 12 minutos, onde como convinha a Portugal pouco se jogou. A França em desespero e sem esclarecimento algum arriscou tudo, mas até para fazer “chuveirinho” é preciso alguma razão. Pepe e Fonte foram limpando tudo, tal como Patrício. Portugal defendeu com todos, até ao apito final que soltou a festa.

Está vingada a final do Euro 2004, está feito o que ainda não tinha sido feito. Portugal é campeão da Europa, Portugal vai estar na Taça das Confederações em 2017, Fernando Santos e os seus jogadores fazem história. É o primeiro 3ºclassificado da fase de grupos a ganhar a competição, em sete jogos somente ganhou um em 90 minutos. Mas levou a Taça para casa, e é isso que conta. E num Euro com somente 108 golos em 51 jogos, uma final decidida com um só golo pelo mais improvável dos heróis, no tempo extra e contra a equipa da casa é como que o epílogo perfeito para um mês intenso de futebol.

Homem do jogo: Rui Patrício

07
Jul16

Alemanha 0-2 França: Griezmann aproveita erros capitais!


RSolnado

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Segunda meia-final do Euro, um muito antecipado (quase desde o sorteio dos grupos) histórico duelo entre alemães e franceses.

Entrou forte a França, a correr e pressionar muito num estilo que não parecia ir durar muito tempo. Mas aos 6 minutos deu para Griezmann assustar Neuer, duas tabelinhas e remate para a estirada do guardião. A Alemanha pegou no jogo e assumiu o controlo das operações. Muita posse de bola, mas objectiva, futebol trabalhado em constantes triangulações e variações de flanco. E começaram as oportunidades de golo, Muller ao lado, no minuto seguinte Can, a grande surpresa no onze, a rematar para brilhante voo de Lloris.

O capitão francês estava atento e foi sendo a grande figura da equipa na primeira parte, respondendo com segurança quando chamado a intervir. Cerca dos 35 minutos a França começou a sacudir a pressão, conseguindo ter bola no meio-campo contrário. Griezmann deu mais um aviso com um remate às malhas laterais, Giroud isolou-se após um corte falhado de Boateng mas em vez de passar temporizou em demasia, e quando atirou já Höwedes tinha recuperado posição para cortar a bola.

Parecia que íamos para o intervalo sem golos, mas já na compensação surgiu o golo da França. Que nasce de uma nova abordagem idiota da Alemanha em jogo aéreo, canto e o capitão e experientíssimo Schweinsteiger a abordar o lance de braços no ar… e a bola foi mesmo cortada pelo seu braço. Rizzoli demorou a apitar, certamente que não viu e por isso mérito ao seu assistente ou ao árbitro de baliza. Na conversão, bola para um lado, Neuer para o outro, Griezmann levava o Velodrome à loucura.

A Alemanha ia com um sabor amargo para o intervalo, e tinha de dar a volta ao texto na segunda parte. Mas a Alemanha do primeiro tempo ficou no balneário. A França entrou melhor na segunda parte, apertou e espreitou o golo. Depois voltaram a ser os alemães a tomar conta do jogo, mas num registo muito diferente do primeiro tempo.

Sem conseguirem chegar com bola à área contrária, muitos cruzamentos sem efeitos práticos e o desespero a apoderar-se dos campeões do mundo. Boateng saía por lesão, Götze era lançado em campo, mas a Alemanha só apareceu depois de… sofrer o 0x2. Já Kanté havia substituído Payet, quando um erro inacreditável de Kimmich na sua área deixou Pogba com a bola, este cruzou para Giroud, Neuer sacudiu mal com uma palmada para os pés de Griezmann (quem mais?) que atirou a contar. Aí vão 6 golos daquele que será provavelmente o melhor marcador do Euro e a maior ameaça a Portugal na final.

Faltavam 20 minutos, e foram 20 minutos de desespero alemão. Kimmich atirou ao poste, depois Draxler de livre directo ficou perto do golo. Nos minutos finais o futebol directo fez mossa na defesa francesa, e o perigo rondou a baliza de Lloris que foi sempre respondendo muito bem, e já nos descontos assinou a defesa do Europeu com um voo fantástico para responder a cabeçada a meias entre Kimmich e as costas de Muller. Com um guarda-redes nesta forma, fica difícil para alguém marcar golos!

A França está com toda a justiça na final, a Alemanha foi bastante melhor na primeira parte mas não soube reagir à adversidade, que nasceu de um erro próprio e logo do seu jogador mais experiente. E não satisfeitos, ainda entregaram o 2ºgolo, num lance com uma ingenuidade inexplicável. Arrisco dizer que nem nos melhores sonhos a França pensava que teria uma ocasião destas: não a desperdiçaram e bateram a Alemanha pela primeira vez em jogos oficiais desde 1958.

Na final de Saint-Denis teremos os anfitriões contra Portugal. O retomar de um duelo com muita história em fases finais, até aqui sempre favorável aos franceses. Altura de mudar a novamente a história para Portugal, heróis precisam-se!

Homem do jogo: Antoine Griezmann

05
Jul16

E agora, França?


RSolnado

A jogar em casa a França era naturalmente uma das mais prováveis semifinalistas. E tal como o emparelhamento previa, para chegar à final terá de ultrapassar a Alemanha nas meias-finais. As grandes perguntas que se colocam são, estará a França pronta para um grande teste? Será que Deschamps mantém o plano que tão bons resultados deu nos últimos 135 minutos de futebol, ou volta à forma inicial?

Voltemos ao arranque do Europeu. Depois de dois anos a preparar esta competição com jogos amigáveis, Deschamps foi construído uma equipa com base clara em 4-3-3, com um médio mais posicional a dar liberdade a Pogba e Matuidi para auxiliarem o trio da frente. Só que nos primeiros jogos, muito por culpa da forma menos exuberante destes 2 jogadores, a equipa sentiu algumas dificuldades para fazer a diferença na frente. Griezmann demorou a aparecer, foram valendo Payet e Giroud para resolverem os problemas frente às menos cotadas Roménia e Albânia.

O jogo com a Suiça foi para “cumprir calendário”, mas foi nos oitavos de final que tudo começou a mudar. A perder ao intervalo, o treinador fez cair o médio mais defensivo (Kanté) e entrar Coman, passando do 4x3x3 para um 4x2x3x1, com Griezmann a jogar nas costas de Giroud. E esta foi a mudança chave no jogo dos franceses, que não só deram a volta ao jogo com a Irlanda em pouco tempo, como mantendo o plano para o jogo com a Islândia, agora com Sissoko como médio direito, dizimaram umas grandes surpresas da prova em apenas 45 minutos, e sempre com Griezmann. Payet e Giroud em plano de evidência. Dos 12 golos marcados até agora, 11 deles foram apontados por estes 3 jogadores, que também estiveram em 6 deles na assistência final.

Esta nova geração francesa está a dar mostras do seu valor, e lembremos que já no Mundial 2014 tinha deixado boa impressão. Na altura caíram nos quartos ante a Alemanha, que agora reencontram, num jogo muito táctico e fechado, e decidido logo a abrir numa bola parada. O grande dilema de Didier Deschamps neste momento é se mantém o plano que tão bons resultados tem dado à equipa, o 4x2x3x1, ou se volta ao seu 4x3x3 predilecto.

A reentrada de Kanté permitirá controlar melhor as acções de Özil e Kroos, por quem passa todo o jogo alemão, mas pode tirar à França capacidade de improviso e de desequilibrar a defesa contrária. Mais, se Deschamps voltar ao posicionamento incompreensível de Matuidi como interior-direito e Pogba como interior-esquerdo, cortará ainda mais a capacidade da equipa desenvolver jogo ofensivo, ainda por mais com Griezmann a ter de voltar de jogar sobre um flanco, onde o seu rendimento tem sido muito inferior relativamente aos momentos em que joga nas costas de Giroud.

Outra hipótese passaria pela entrada de Kanté por Pogba ou Matuidi, mas seria uma decisão muito mais polémica, e apesar de Deschamps não fugir destas decisões, já teve uma boa quota parte delas ainda antes deste Euro. Mantendo a estratégia actual, Sissoko na direita não é uma solução muito forte ofensivamente, mas do ponto de vista defensivo e na dimensão física do jogo dá muito a equipa e pode vigiar Hector, o lateral alemão de gigante propensão ofensiva.

Defensivamente, a França tem tido alguns problemas. É certo que até ao intervalo do último jogo só tinha consentido 2 golos, ambos de grande penalidade mas 2 lances completamente escusados. Na segunda parte frente aos Islandeses facilitou e sofreu mais 2 golos. Rami estará de regresso, um improvável titular que tem cumprido, mas que poderá ter dificuldades frente a uma Alemanha que sem Gomez irá certamente ter uma frente de ataque móvel.

A jogar em casa, e inspirada pelos feitos do Euro 84 e Mundial 98, a França conta novamente com o seu público para fazer história. É que sendo o primeiro duelo de sempre entre alemães e franceses em Europeus, nos últimos 3 duelos em Mundiais, 2014, 1986 e 1982, foram os alemães que saíram sempre a rir. Só em 1958 a França ganhou à Alemanha em jogos oficiais. E diga-se sem rodeios, se passar a Alemanha a França será a grande favorita a vencer a final de dia 10. Se bem que isso às vezes de nada vale, como ficou provado em 2004.

Chegou a hora da melhor geração do futebol francês dos últimos 15 anos mostrar que está pronta para ficar na história. Veremos se estão prontos ultrapassarem o(s) desafio(s) que falta(m)!

 

 

03
Jul16

França 5-2 Islândia : domínio avassalador Gaulês!


Pedro Varela

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Acabou a aventura da Islândia no Euro 2016 de França aos pés da Selecção anfitriã. Foi bonito, emocionante e uma surpresa para todos. Vá, não tenhamos receio de o dizer, porque ninguém se atreveria a indicar a Islândia como uma das potenciais oitos selecções a estar presente nos quartos de final.

 

Durante o hino Islandês vimos fantástica imagens dos seus adeptos orgulhosamente a cantar e a sentir um momento único de um pequeno país. Em Saint-Dennis estavam presentes 3% da população. Claro que o futebol que apresentaram, principalmente hoje, dificilmente serve para bater os principais candidatos à vitória final e no único teste contra um deles, quando as coisas correm mal, a catástrofe pode estar próxima. Mas, não podemos deixar de referir que estes últimos 12 anos neste país nórdico foram absolutamente vitais para a evolução que o futebol assistiu no país e que hoje tive um final "feliz" em França.

 

Entre infra-estruturas que foram construídas de raiz para a prática de futebol, a treinadores de futebol qualificados pela UEFA, 1 para 500 jogadores, em Inglaterra é de 1 para 5.000, a equipas que se prepararam afincadamente para este momento, como é o caso de Breidablik nos subúrbios de Reykjavík, que tornou-se no melhor centro de jovens futebolistas do país e que contribuíu com 4 jogadores para os 23 desta Selecção, a Selecção da Islândia foi a grande surpresa do Euro mas a sorte está muito longe de ser o grande responsável pelos 5 jogos que realizou no Europeu.

 

O jogo de hoje para os Franceses era acessível, mas não podiam facilitar. Deschamps trocou Kante por Sissoko no meio campo e no centro da defesa colocou Umtiti no lugar de Rami.

Do lado contrário, a Selecção Islandesa apresentou o mesmo 11 titular, repetiu-o por 5 vezes, algo que nunca tinha acontecido em fases finais desta competição.

 

A entrada absolutamente violenta da França que até aos 20 minutos marcou dois golos, Giroud e Pogba, praticamente selou a qualificação para a meia final. Os Islandeses demoraram a reagir, só aos 24' tiveram a primeira oportunidade por Böðvarsson, mas, a característica que os tinha diferenciado nos quatro anteriores jogos, meio campo combativo não estava a funcionar. Era uma França dominadora e que em dois minutos voltou a marcar mais dois golos já perto do intervalo. Payet faz o 3-0, chegando nessa altura a igualar os melhores marcadores do Euro, mas Griezmann tinha outros planos e isolava-se como novo líder dos goleadores. Aliás, nos últimos 8 golos da França, Griezmann esteve em 6 deles: marcou 4, assistiu 2.

 

A segunda parte começa com duas mexidas na Selecção da Islândia, entravam Ingasson para a defesa e Finnbogason para o ataque. E ainda se sorriu nas bancadas dos adeptos do país dos vulcões quando Sigthórsson reduziu para 1-4. Sol de pouca dura, Payet, no minuto seguinte, marca um livre a mais de 35 metros da baliza e Giroud na alturas, tudo corria mal aos jogadores Islandeses, atirava para o fundo das redes com Halldórsson mal batido.

 

Deu tempo para Deschamps descansar alguns jogadores, já a pensar no embate diante da Alemanha, em jeito de final antecipada. A 7 minutos do final do jogo, Bjarnason, que já tinha marcado a Portugal, fixou o resultado final.

 

Dizem que o sonho Islandês terminou. Não concordo. Isto foi bem real e todos que os defrontaram estavam com os olhos bem abertos. A França, como candidata à vitória final no Euro, não facilitou e puxou dos galões para evitar qualquer tipo de surpresa!

 

Homem do jogo: Giroud

 

26
Jun16

França 2 - 1 República da Irlanda: 2 Minutos para o 0-1, 3 para Griezmann Resolver


J.G.

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Mais uma primeira parte miserável da França para depois aparecer forte na 2ª e resolver. Tem sido a história dos organizadores deste Euro.

Hoje, ao fim de 1 minuto de jogo já a Irlanda vencia com Brady a aproveitar um penalti cometido por Pogba. O irlandês acabou o jogo com a Itália como herói e começou este da mesma forma.

Foi o lançamento para uma 1ª parte muito interessante da equipa de O'Neill que até teve perto de aumentar a vantagem com o seu futebol simples, físico e directo.

Sem tirarmos mérito aos irlandeses, há que dizer que Deschamps também se pôs muito a jeito para sofrer desta maneira. Voltou a insistir num 4-3-3 que, definitivamente, não serve à França. Kanté no meio, Pogba mais à esquerda e Matuidi mais à direita, é este o problema que o seleccionador inventa à sua própria equipa porque anula Pogba e Matuidi, expôe em demasia Kanté, que viu amarelo e fica de fora na próxima eliminatória. Aliás, também Rami fica na mesma posição, más notícias para a defesa azul.

 

Na 2ª parte O'Neill não quis proteger o seu meio campo reagindo à troca francesa de Kanté por Coman e acabou por sofrer a reviravolta num ápice.

A França soltou-se com a entrada de Coman, Griezmann ficou com mais espaço e resolveu o jogo. Primeiro a responder com uma cabeçada espectacular a um cruzamento de Sagna, depois a aproveitar uma bela assistência de Giroud que isolou o "7" gaulês para bisar.

Como se não chegasse, a Irlanda fica reduzida a 10 por expulsão de Duffy que terminou praticamente com o sonho irlandês.

 

Fica por perceber o que se passa com estas primeiras partes francesas e a excelente imagem da República da Irlanda na hora do adeus.

 

Melhor em Campo: Antoine Griezmann

 

19
Jun16

Suíça 0 - 0 França: Serviços Mínimos Franceses Apuram Suíça


J.G.

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Um jogo que muito prometeu na primeira parte acabou congelado de parte a parte gerindo o contexto pontual que apurava ambas as selecções para a próxima fase. 

A França entrou em Lille com algumas mudanças no onze. Kanté, Matuidi, Payet, Giroud e Martial sairam da equipa dando lugar a Cabaye, Pogba, Sissoko, Gignac e Griezmann. Deschamps entre gestão física, disciplinar e acerto de rotinas, rodou quase meia equipa. Se a ideia era dar mais dinâmica tirando proveito de uma maior motivação individual, então é certo dizer que a aposta não resultou de forma entusiasmante. 

Apenas Pogba entrou com tudo e quis mostrar serviço a sério. De tal maneira, que as melhores oportunidade da primeira parte passaram pelos seus pés. Sommer e a trave da sua baliza que o digam.

Do lado da Suíça, Petkovic manteve a estrutura e dez titulares. Lançou o jovem Embolo à procura de contra ataques rápidos e jogadas individuais para surpreender os homens da casa. Ironicamente, o jogo acabou por mostrar uma Suíça com mais posse de bola e com possibilidade de jogar em ataque construído pacificamente desenvolvendo transições ofensivas seguras. Criou poucas ocasiões de perigo mas andou sempre mais perto da área contrária.

Na primeira parte o jogo esteve interessante e com iniciativas de lado a lado que mostravam que a Suíça queria discutir o primeiro lugar.

 

Depois, na 2ª parte quando se soube que a Albânia estava em vantagem, o jogo em Lille mudou radicalmente. De repente, as duas equipas estavam contentes com o resultado. A Suíça continuou a pressionar e a ter mais bola mas já atacava muito mais desconfiada. 

A França optou mesmo pelos serviços mínimos e apenas Payet, vindo do banco, deu alguma emoção aquele ataque. Gignac tentou de longe após tabela com Griezmann mas Sommer resolveu todos os problemas criados.

 

A Suíça festeja um apuramento inédito e segue invicta em prova, a França cumpre a sua obrigação de passar em primeiro lugar mas falha na afirmação de um futebol convincente. Duas vitórias perto do fim de cada jogo e um cinzento 0-0 não é grande cartão de visita para os jogos mais duros que se adivinham. 

A marca de equipamentos helvéticos também terá ficado apreensiva com a imagem de três camisolas rasgadas no calor do jogo. 

 

Melhor em Campo: Sommer

15
Jun16

França 2-0 Albânia : vitória tardia vale qualificação!


Pedro Varela

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Não podíamos começar o texto sobre o jogo desta noite sem falar das alterações protagonizadas por Didier Deschamps para este encontro diante da Albânia. Porquê? Porque liberta tudo aquilo que existe de treinador de bancada dentro de nós, adeptos de futebol. Pogba e Griezmann saíram do 11 titular para entrar Coman e Martial. Ora, isso traduz-se em diversos comentários a favor e contra, com uma certeza, ambos estiveram mal no primeiro jogo. A saída, numa fase de grupos com 3 jogos é aceitável, procurar soluções num sector que se pede mais eficaz.

 

Do lado Albanês, Cana, capitão e defesa central expulso no último jogo, ficou de fora, tal como Xhaka, substituído por Memushaj, dos melhores em campo, na frente Roshi deu lugar a Lila. Como iria reagir a Albânia, neste novo figurino, após um primeiro jogo onde esteve mais de 60 minutos a jogar com dez, era a grande incógnita. Porque a qualidade, mesmo inferior à França, existe e já o tínhamos reforçado na apresentação do grupo A.

 

A primeira parte começa com o domínio natural da França, embora sem grandes ocasiões de golo. Rapidamente atingiu-se o primeiro quarto de hora, onde a posse de bola francesa era muito superior, mas com pouca penetração na área Albanesa. Que não só defendia bem, como contra-atacava com perigo, como aconteceu aos 23' após assistência de Hysaj para Sadiku falhar a emenda.

 

O jogo continuou adormecido, e se Kanté no meio campo era o mais esclarecido e só por bolas paradas de Payet a França tentava assustar a Albânia, já na baliza contrário, aos 38' Lenjani após canto estudado quase engava Lloris. Na realidade, os primeiros quarenta e cinco minutos acabam com as melhores oportunidades a pertencerem à Albânia.

 

Deschamps decide mexer no reatar do jogo com a saída de Martial, praticamente nula a sua exibição esta noite, para a entrada de Pogba que esteve particularmente melhor que no primeiro jogo.

 

Mas à reacção do treinador Francês, Memushaj, que já tinha referido em cima, um dos melhores em campo, atira ao poste colocando em sentido os gauleses. Pogba mostrou-se esta noite mais influente, boa oportunidade para marcar aos 53', mas digamos que neste jogo aconteceu algo muito interessante, pois com 60 minutos de jogo, apesar dos inúmeros remates de ambas as Selecções, nesta altura 17, nenhum tinha ido à baliza. Isso explicava o desacerto completo de França e porque a Albânia poderia aspirar a algo positivo esta noite. 

 

A eficácia Francesa continuava em queda, Giroud continuava a falhar oportunidades de golo feito, tal como acontecera na primeira jornada, e foi preciso entrar primeiro Griezmann e depois Gignac, como curiosidade foi o primeiro francês a actuar na Taça de Libertadores pelo Tigres do México, para o perigo voltar a rondar com frequência a baliza de Berisha.

 

Os últimos 10 minutos são de sufoco para os Albaneses, que já só pensavam no ponto que poderiam conquistar, já com Xhaka em campo, mas a pressão francesa era cada vez maior e praticamente já só se jogava no último terço do ataque francês.

Deschamps pôde respirar de alívio quando Griezmann, que tinha entrado na segunda parte, marcou de cabeça aos 89' o golo da França. 

Era o render por parte dos Albaneses que aguentaram até onde as forças conseguiram, o coração aguentou, mas, quando do outro lado há qualidade individual do nível de Payet, o segundo golo chegou para selar em definitivo a vitória Francesa.

 

Castigo injusto para a Albânia? Talvez. É complicado dizê-lo, porque fez 80 minutos de bom nível aguentando com cabeça as investidas Francesas e demonstrando que está, muito justamente, presente neste Europeu. A qualificação fica praticamente impossível!

 

A França, tal como em 1984 e 2000, arranca o Europeu com duas vitória seguidas e o desfecho é que aquele que sabemos. Mas para já, é a primeira Selecção a qualificar-se para os oitavos de final da competição!

 

Homem do Jogo: Payet