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Parque dos Príncipes

Espaço dedicado à cobertura do Campeonato Europeu de Futebol de Selecções a decorrer em França de entre 10 de Junho e 10 de Julho

Parque dos Príncipes

Espaço dedicado à cobertura do Campeonato Europeu de Futebol de Selecções a decorrer em França de entre 10 de Junho e 10 de Julho

12
Jul16

Portugal 1 - 0 França, Visto por João Gonçalves


J.G.

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  Chego a estas linhas após um longo caminho que começou há mais de três décadas quando percebi o quanto gostava de futebol. Há três caminhos possíveis para se viver com paixão o futebol. O óbvio, que é começar a gostar tanto de um clube que o acabamos por seguir e defender até ao fim do mundo. O geral, que é perceber que se gosta tanto do jogo que a dedicação a ele vai muito além da paixão clubística. E o patriótico, naturalmente se gostamos de futebol queremos que o nosso país seja o melhor neste desporto.

O caminho clubístico foi interiorizado muito cedo e nem merece discussão.

O caminho de gostar do jogo em geral veio logo a seguir quando senti que os jogos de uma só equipa não satisfaziam o meu gozo de ver futebol. Veio o Mundial 1982 e tudo mudou, percebi que se podia vibrar com um emblema de forma incondicional mas também se podia ver futebol com prazer.
O caminho patriótico foi o mais complicado de sentir, explicar e viver até hoje. E é sobre esse que vou falar neste espaço dedicado à final do Euro 2016, o tal onde vim parar por paixão ao jogo e pela necessidade de me juntar com amigos, até de outros clubes, que vivam estas fases finais com o mesmo entusiasmo que eu.

 

Já o meu clube ganhava campeonatos e jogava finais europeias quando me encantei pela primeira vez pela Selecção portuguesa. Foi no verão de 1984, finalmente podia ver jogos com o prazer supremo da descoberta que já vinha do Mundial dois anos antes e, ao mesmo tempo, ter uma equipa com quem sofrer e torcer. Quando perdemos com a França fiquei de rastos. Por um lado não tinha noção do valor dos gauleses, só mais tarde percebi que era uma grande equipa, por outro lado começava a desconfiar que o futebol bonito não vencia taças, ainda não tinha recuperado da queda do Brasil'82. Mas o pior foi ouvir os comentários dos mais velhos a dizer que nunca iríamos fazer melhor do que aquilo. Nem o Eusébio em 1966 tinha conseguido melhor que um 3º lugar no Mundial, portanto...

Ou seja, cresci com a barreira invisível de nunca poder ver o meu país fazer melhor do que deixou feito num Mundial em que eu ainda nem era nascido. Interessei-me, li sobre a epopeia dos Magriços, vi as imagens icónicas do Rei a chorar. Portugal era aquilo. Fomos longe mas não nos deixaram fazer mais. Nem o Eusébio foi capaz. Era este o mote para a minha vida de adepto da Selecção.

 

Claro que a minha geração recusou acreditar nesta fatalidade e entre nós dizíamos que íamos ver mais e melhor. Estivemos em França em 84 graças a um milagre duplo, Chalana cavou um penalti e Jordão bateu o monstruoso Dasayev. Estava no 3º anel com os meus amigos de vários clubes da minha rua. Vibrámos e festejámos tão intensamente esse apuramento como o seguinte para o México. Outro milagre, Carlos Manuel do meio do campo manda uma bomba que "Toni" Schumacher, outro guardião monstruoso, não segurou. Portugal batia a RFA em Estugarda, coisa inédita! Crescia entre nós, putos, a convicção que íamos celebrar grandes feitos da nossa Selecção. O entusiasmo durou até ao final do jogo com a Inglaterra, vitória épica por 1-0. Olhava para os mais veteranos com o orgulho de dizer aos 13 anos que a tal derrota em Wembley estava agora vingada, tínhamos caminho livre para o sonho que José Torres alimentou. Acabámos atraiçoados com o que se passou a seguir. Derrota com a Polónia e humilhação com Marrocos. Que facada, Saltillo!

Ficámos sozinhos na dor já que as gerações mais velhas encolhiam os ombros e pareciam pouco surpreendidas com tamanha vergonha. Se calhar 1966 era mesmo irrepetível.
Atraiçoados mas não convencidos, continuámos a acreditar que Portugal ia dar a volta e apresentar uma Selecção à medida da nossa paixão e ambição. Mesmo sabendo que íamos para um apuramento para o Euro da Alemanha em 1988 com uma equipa de segunda escolhida por um advogado(!), lá fomos para o Jamor ver o empate com a Suécia e a derrota com a Itália. O jogo com Malta foi marcado para o Funchal e acabou num embaraçoso empate 2-2. Falhámos a presença no Euro 1988 e o nosso orgulho estava cada vez mais ferido. Já não havia como gostar e vibrar com a nossa Selecção, tiraram-nos todos os argumentos.

 

É aqui que a minha geração fica com uma cicatriz difícil de sarar, olhamos sempre desconfiados para a Selecção depois de tantas esperanças nela depositadas. Como a paixão pelo jogo se mantinha intacta, é por estas alturas que somos obrigados a eleger selecções alheias para dar mais emoção ao acompanhamento de fases finais que Portugal teimava em ficar de fora. Uns torciam pelo rigor italiano visto em 1982, outros ficaram para sempre encantados pela canarinha de 82, muitos ainda hoje torcem pela Argentina de D10S Maradona e há quem goste da Alemanha. Eu, neste caso.

Foi no Euro'88 que um amigo da minha mãe a viver em Hamburgo ao saber da minha dedicação ao futebol ofereceu-me aquela camisola da RFA com listas frontais com as cores da bandeira. Foi antes do torneio e fiquei fascinado com o futebol alemão desde aí. Tão simples como isto, passei a ter uma equipa pela qual torcia nas fases finais de Euros e Mundiais. Eu fiquei com a Alemanha, os meus amigos e vizinhos torciam por outras equipas. Sem problema nenhum, sem ninguém nos apontar o dedo acusador de traição. Foi adopção por ausência própria.

 

Euro 1988, Mundial 1990, Euro 1992, Mundial 1994, tudo torneios onde Portugal não entrou. Cheguei aos meus vinte anos, já adulto trabalhador sem esperar absolutamente nada de Portugal. Foi assim que cresci, foi este contexto que me apresentaram. E o fantasma de 1966 cada vez maior e mais pesado.

 

No entanto, houve uma esperança muito importante que nos voltou a dar algum alento. Ainda em 1989 quando os juniores se sagram campeões do Mundo em Riade, com direito a dispensa das aulas para ir ver a final, voltou o direito ao sonho. Direito esse que foi reforçado dois anos depois na Luz com renovação do título mundial na Luz contra o Brasil. Em 1991 fui ver os jogos todos de Portugal em Lisboa e vivi, ainda com os amigos de infância, toda a aventura rumo ao título mundial. A final na Luz foi dos ambientes mais impressionantes e loucos que presenciei na minha vida. A chama voltava a estar acesa. Mas foi preciso esperar por 1996 para voltarmos a vibrar com Portugal.

Novamente em Inglaterra caímos no antepenúltimo jogo antes do sonho. O fantasma de 1966 estava maior que nunca.

Para piorar o cenário, voltámos a falhar uma presença num Mundial em 1998. Era o regresso a França. Nova facada.

O triste fado parecia não ter fim, as fases finais eram vividas com picardias em base de apoios em países emprestados, não era a mesma coisa que torcer pelo nosso país. Foram muitos anos nisto.

Até que em 2000 tudo mudo. Portugal passou a ser presença habitual nas fases finais. Também porque os formatos de Europeus e Mundiais foram evoluindo no sentido de se alargarem e receberem muito mais equipas de acordo com o desenvolvimento europeu e mundial. Passou a ser mais acessível e Portugal aproveitou para se fixar entre os grandes.

 

O Europeu de 2000 devolveu a felicidade juvenil de vestir a camisola das quinas, juntar os amigos e voltar a sonhar. Um trajecto orgulhoso que nos levou ao penúltimo jogo. Caímos contra os franceses. Lá vinha o fantasma.

O entusiasmo voltou e carregou a equipa nacional para o apuramento para o primeiro Mundial asiático. Depois de tão boa prestação na Bélgica e Holanda a esperança era enorme. Voltámos a ser atraiçoados por uma comitiva que ficou mais conhecida por episódios pouco dignos em Macau do que pelo futebol que não apresentou perante Estados Unidos da América e Coreia do Sul. Voltávamos aos tempos humilhantes.

 

E, 2004 o ponto alto de toda uma vida a acompanhar a Selecção. Finalmente, tinha chegado o nosso momento. Íamos mostrar ao mundo que podemos ir mais longe que os Magriços e ganhar uma prova importante. Acabou numa tragédia grega. Nunca sofri tanto com uma derrota de Portugal como em 2004. Meto a final perdida no meu Top10 de momentos angustiantes vividos no futebol.

 

Mesmo assim, voltei a acreditar no Mundial da Alemanha, as bases estavam lançadas e não havia Grécia pela frente. Eliminados pela França, não era uma surpresa, só mais uma desilusão anunciada. E tal como em 1988 a "minha" Alemanha também não venceu em casa, desilusão a dobrar.

 

O tempo passava e o respeito pela Federação Portuguesa de Futebol era cada vez menos existente a nível pessoal. Deixei de acreditar. Quando vi Carlos Queirós de regresso torci o nariz. Queria uma boa prestação no primeiro Mundial africano de 2010 mas não acreditava. Já nem senti grande dor quando caímos frente aos espanhóis.

No Euro 2012 voltámos a sair por causa da Espanha, desta vez nos penaltis e com Paulo Bento a não entusiasmar. Mais uma desilusão nas meias finais. Já não tinha dúvidas, não nasci para ver Portugal ser feliz. Lá está, isto nem com o Eusébio fomos lá...

 

Chegava o Mundial do Brasil e, apesar, de continuarmos sem ganhar nada, tínhamos feito progressos, jogámos uma final, andámos em meias finais, já não éramos o país que nem ia às fases finais, estávamos mais perto de ganhar.

A esperança numa boa campanha no Brasil em 2014 era legitima. Como sempre, o nosso entusiasmo voltou a ser traído por uma presença humilhante em que não passámos a fase de grupos! Passei a vida nisto, dar um passo para a frente para depois dar dois para trás.

 

Passei a ver os jogos da Selecção com aquela indiferença de quem não acredita nada nisto mas se correr bem fico contente. Reparem, desde 1984 à espera de algo maior, desde 1991 à espera de ver a nossa qualidade provada com um troféu nos seniores.

 

Nos tempos mais recentes senti uma enorme melhoria na FPF. Mudança de atitude, mudança de mentalidade, sangue novo, ambição e muito trabalho à mostra. Falo com conhecimento de causa, conheço duas pessoas que entraram para a organização e que me devolveram a esperança de ver a Federação de futebol do meu país a ir de encontro às minhas expectativas.

Os resultados estavam à vista antes deste europeu, a Taça de Portugal foi revista, aumentada e muito melhorada. Um excelente trabalho que merece todos os elogios, embora achemos sempre que se pode melhorar ainda mais. Mas é um facto que a competição deu um grande salto qualitativo.

Depois, o meu projecto favorito, a renovação da 3ª divisão do futebol nacional. Um patrocinador capaz de impulsionar um campeonato com forte componente regional, jogos em directo num canal por cabo, grande visibilidade de um torneio que tem tudo para ser acarinhado por todos.

Também uma revista que dá eco de todas estas melhorias, enfim, senti que se deu um salto qualitativo e ambicioso na FPF. Depois a estreia da casa das Selecções, algo que ouvia falar desde miúdo, a aposta no futsal e, especialmente, no futebol feminino. Uma modernização que passa pela presença inteligente nas redes sociais e a aposta num treinador que passou pelos três clubes de futebol com mais adeptos no nosso país.

 

Fernando Santos apanhou uma Selecção deixada em cacos por Paulo Bento. Trouxe pragmatismo e realidade, que ele tanto usa nas suas palestras, à equipa. O Engenheiro veio provar o que eu já desconfiava há uns tempos, é muito melhor seleccionador do que treinador. Parecendo que é a mesma coisa, não é. Santos trouxe um ambiente de paz, chamou jogadores afastados por outras guerras, motivou os mais novos, confiou nos melhores e tentou fugir à inevitável pressão externa de agentes ligados ao futebol. Ganhou o respeito de todos e até a simpatia de quem não tinha saudades dele pelas passagens nos clubes. Recuperou a equipa na fase de apuramento que parecia perdida e qualificou directamente Portugal.

Soube fazer crescer a onda de entusiasmo. Tudo na FPF foi em crescendo nos últimos meses.

 

Eu e a minha geração sorrimos, ao menos voltámos a ter alguém que quer nos dar novamente o direito a sonhar. Mesmo que não tenhamos acreditado em nenhum momento que ia ser desta que ia acontecer magia.

 

O Euro em França começou, eu juntei amigos que adoram futebol e fizemos este espaço porque gostamos de escrever sobre a competição e tudo o que engloba todas as equipas e todos os jogadores. Temos uma paixão pelo jogo que vai muito além da confiança na Selecção, que era cerca de zero da minha parte.

Além da curiosidade sobre Portugal, lá vinham as picardias com amigos que torcem pela Itália ou Inglaterra e que não gostam que a Alemanha ganhe. Portugal faz uma fase de grupos ridícula e apura-se em 3º. É a antítese de tudo o que conheci no futebol até agora. Em 1984 eram 8 equipas a disputar o Euro, hoje uma equipa que empata todos os jogos segue em frente.

Nos jogos a eliminar já a conversa era outra. Já que ali estamos não quero ver Portugal perder mas a confiança continua a ser zero. Gostei do golo do Quaresma à Croácia. Já sofri qualquer coisa com os penaltis contra a Polónia. Tinha a certeza que íamos ganhar ao País de Gales. Mas tinha a mesma certeza que não ia servir de nada porque na final vinha um papão daqueles que nunca dobrámos nas fases finais.

Mas estar na final já era um grande feito. Fruto de uma incrível onda de sorte que nos meteu a jogar com os adversários mais acessíveis possíveis. E é aqui que comecei a desconfiar que o fado podia mudar. O Fernando Santos sempre foi um homem com ar de perdedor, era aquele treinador que num jogo com o Boavista na Luz viu a sua equipa acertar no poste vezes sem conta, por exemplo. Mas as vitórias da fase de apuramento, o golo da Islândia fora de horas da fase grupos, a sorte do jogo com a Croácia, tudo indicava que a fortuna só queria o Engenheiro como Seleccionador de Portugal para o premiar.

 

O jogo com a França foi o único que vi no meio da multidão, no Terreiro do Paço em frente a um écran gigante. Estive mais de 100 minutos em crescendo. Fui da fase de acreditar zero à euforia do festejo. Mas passei pela motivação comovente dada por um grupo de jovens turistas estrangeiros que sofriam mais com o jogo do que eu. Gritavam por Portugal com convicção. Acabei completamente envolvido no jogo quando percebi que atrás de mim estava um grupo de franceses cheios de soberba à espera do seu golo para nos humilhar. Riram-se na bola à trave do Raphael e das imagens de Ronaldo a sofrer no banco. Eu sorri quando vi a bola de Gignac a bater no poste. Pensei mesmo, ora aqui está! Isto com Fernando Santos treinador era o golo da ordem no final dramático. Com Fernando Santos seleccionador vai tão acontecer epicismo.

Foi o que aconteceu naquele golo surreal de ... Éder! Andei 32 anos a conviver com esta estranha ligação à nossa Selecção para tudo ser resolvido com um golo do... Éder? Um pontapé em corrida sem olhar para a baliza matou os franceses. Finalmente, fui feliz com as cores do meu país no final de um jogo decisivo. Graças ao Éder e com o Fernando Santos a treinar. O futebol é mesmo algo de maravilhoso.

 

Sei que não mereci tamanha alegria de ver Portugal campeão da Europa, sei que o futebol tem sido mesmo muito generoso para com a minha paixão e toda a minha dedicação ao jogo mas não me esqueço que nas inúmeras caminhadas infelizes de Portugal ao longo destas décadas estive muitas vezes a torcer por dentro. Lembro também que no outro caminho paralelo de viver o futebol com dedicação a um clube passei mais de uma década de amargas tardes e noites e mesmo assim nunca desisti, nunca virei costas ao meu clube. Reforcei anualmente a minha paixão ao clube, ao futebol e de dois em dois anos às fases finais de grandes torneios internacionais que continuam a deliciar-me como no primeiro momento em 1982. Acabou-se o fantasma de 1966 e eu vivi o suficiente para testemunhar isso. Estou grato.

 

Viva Portugal

Viva o futebol.

 

 

11
Jul16

Portugal 1-0 França, visto por Ricardo Solnado


RSolnado

Decidimos que cada autor do Parque fará a sua crónica da final. Ainda não recomposto dos festejos, atiro-me de cabeça para a tentativa de fazer uma crónica mais objectiva de um jogo carregado de emoções.

Lançamento das equipas, a França com o mesmo 11 dos últimos 2 jogos, Portugal a fazer regressar os ausentes nas meias-finais, Pepe e William. O jogo começou animado, e depois de três remates chegou o primeiro momento tenso da noite: uma carga dura de Payet sobre Cristiano Ronaldo deixou o capitão português lesionado, e depois de alguns minutos a tentar o impossível, teria mesmo de deixar o terreno de jogo. Perdeu Portugal, mas perdeu o futebol.

Decorridos 10’ primeira grande ocasião de golo: Payet lançou na área e Griezmann cabeceou para grande defesa de Rui Patrício. O guarda-redes da selecção nacional iria iniciar uma noite de sonho, com sete defesas completas, algumas delas bem difíceis e sempre seguro no jogo aéreo. E sim, para ganhar 1x0 frente a uma selecção favorita o guarda-redes tem de fazer uma exibição fantástica. E fez!

Nos minutos seguintes Portugal procurou suster a cavalaria francesa, muito por culpa de Sissoko cujas cavalgadas criaram algumas dificuldades. Valeu a pontaria desafinada do médio do Newcastle… A França podia dizer-se que tinha mais iniciativa na primeira parte e conseguia chegar mais vezes ao ataque, ainda que sem muitas ocasiões claras de golo. Portugal, reorganizado em 4x3x3 depois de saída de Ronaldo, manteve a postura expectante durante o primeiro tempo.

A segunda parte começou morna e sem grandes ocasiões novamente, sentia-se a tensão do jogo e também algum cansaço, quer físico quer psicológico. A troca de Payet por Coman logo aos 57’ foi um sinal disso, e Coman agitou o jogo para o lado da equipa da casa, deixando a defesa portuguesa em cuidados. Mas sempre muito eficaz nas suas acções, Patrício voltou a negar o golo a Griezmann aos 58’ e aos 66’ o camisa 7 gaulês teria uma grande perdida, ao direccionar o cabeceamento por cima da trave.

Portugal tinha reagir e veio do banco a resposta com duas substituições separadas por 12 minutos mas que podiam ter sido imediatas: Moutinho rendeu Adrien, Éder rendeu Renato Sanches, passando João Mário para o trio de meio-campo e podendo Nani e Quaresma jogarem como extremos. A entrada de Éder foi decisiva, mas não foi só no prolongamento. Fisicamente mais disponível que a maioria dos jogadores em campo, ganhou muitos duelos, “sacou” faltas, e deu referência para o jogo lateralizado da equipa de Fernando Santos.

Aos 80’, um cruzamento falhado de Nani quase dava em golo, grande defesa de Lloris que parou também a recarga acrobática de Quaresma. Respondeu Sissoko com mais uma cavalgada e desta feita um grande tiro para um voo de Patrício para a defesa da noite.
O jogo caminhava para o final e pela primeira vez íamos ter uma final de Euro com 0x0 ao cabo de 90 minutos. E tivemos mesmo, porque os deuses estiveram com Portugal, aos 90+2’ grande trabalho de Gignac (que havia rendido Giroud) na área, tudo bem feito mas o remate a embater no poste da baliza de Portugal!

O prolongamento não foi fácil para nenhuma das partes, o jogo endureceu com bastantes faltas, na altura em que a fadiga física e mental se apoderava dos jogadores. E apoderou-se mais dos franceses, e o tempo-extra foi a melhor altura de Portugal em jogo.

Aos 108’, o aviso: livre directo superiormente executado por Raphael Guerreiro a embater com estrondo na trave. No minuto seguinte, o momento de história: Éder recebeu de Moutinho, galgou alguns metros naquele jeito dele e mesmo de longe encheu-se de fé e atirou à baliza contrária, o remate saiu cruzado e forte, batendo no chão mesmo à frente de Lloris que viu a bola passar por cima da sua mão. Sem hipóteses! Loucura total no banco de Portugal!

Faltam 12 minutos, onde como convinha a Portugal pouco se jogou. A França em desespero e sem esclarecimento algum arriscou tudo, mas até para fazer “chuveirinho” é preciso alguma razão. Pepe e Fonte foram limpando tudo, tal como Patrício. Portugal defendeu com todos, até ao apito final que soltou a festa.

Está vingada a final do Euro 2004, está feito o que ainda não tinha sido feito. Portugal é campeão da Europa, Portugal vai estar na Taça das Confederações em 2017, Fernando Santos e os seus jogadores fazem história. É o primeiro 3ºclassificado da fase de grupos a ganhar a competição, em sete jogos somente ganhou um em 90 minutos. Mas levou a Taça para casa, e é isso que conta. E num Euro com somente 108 golos em 51 jogos, uma final decidida com um só golo pelo mais improvável dos heróis, no tempo extra e contra a equipa da casa é como que o epílogo perfeito para um mês intenso de futebol.

Homem do jogo: Rui Patrício

07
Jul16

Alemanha 0-2 França: Griezmann aproveita erros capitais!


RSolnado

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Segunda meia-final do Euro, um muito antecipado (quase desde o sorteio dos grupos) histórico duelo entre alemães e franceses.

Entrou forte a França, a correr e pressionar muito num estilo que não parecia ir durar muito tempo. Mas aos 6 minutos deu para Griezmann assustar Neuer, duas tabelinhas e remate para a estirada do guardião. A Alemanha pegou no jogo e assumiu o controlo das operações. Muita posse de bola, mas objectiva, futebol trabalhado em constantes triangulações e variações de flanco. E começaram as oportunidades de golo, Muller ao lado, no minuto seguinte Can, a grande surpresa no onze, a rematar para brilhante voo de Lloris.

O capitão francês estava atento e foi sendo a grande figura da equipa na primeira parte, respondendo com segurança quando chamado a intervir. Cerca dos 35 minutos a França começou a sacudir a pressão, conseguindo ter bola no meio-campo contrário. Griezmann deu mais um aviso com um remate às malhas laterais, Giroud isolou-se após um corte falhado de Boateng mas em vez de passar temporizou em demasia, e quando atirou já Höwedes tinha recuperado posição para cortar a bola.

Parecia que íamos para o intervalo sem golos, mas já na compensação surgiu o golo da França. Que nasce de uma nova abordagem idiota da Alemanha em jogo aéreo, canto e o capitão e experientíssimo Schweinsteiger a abordar o lance de braços no ar… e a bola foi mesmo cortada pelo seu braço. Rizzoli demorou a apitar, certamente que não viu e por isso mérito ao seu assistente ou ao árbitro de baliza. Na conversão, bola para um lado, Neuer para o outro, Griezmann levava o Velodrome à loucura.

A Alemanha ia com um sabor amargo para o intervalo, e tinha de dar a volta ao texto na segunda parte. Mas a Alemanha do primeiro tempo ficou no balneário. A França entrou melhor na segunda parte, apertou e espreitou o golo. Depois voltaram a ser os alemães a tomar conta do jogo, mas num registo muito diferente do primeiro tempo.

Sem conseguirem chegar com bola à área contrária, muitos cruzamentos sem efeitos práticos e o desespero a apoderar-se dos campeões do mundo. Boateng saía por lesão, Götze era lançado em campo, mas a Alemanha só apareceu depois de… sofrer o 0x2. Já Kanté havia substituído Payet, quando um erro inacreditável de Kimmich na sua área deixou Pogba com a bola, este cruzou para Giroud, Neuer sacudiu mal com uma palmada para os pés de Griezmann (quem mais?) que atirou a contar. Aí vão 6 golos daquele que será provavelmente o melhor marcador do Euro e a maior ameaça a Portugal na final.

Faltavam 20 minutos, e foram 20 minutos de desespero alemão. Kimmich atirou ao poste, depois Draxler de livre directo ficou perto do golo. Nos minutos finais o futebol directo fez mossa na defesa francesa, e o perigo rondou a baliza de Lloris que foi sempre respondendo muito bem, e já nos descontos assinou a defesa do Europeu com um voo fantástico para responder a cabeçada a meias entre Kimmich e as costas de Muller. Com um guarda-redes nesta forma, fica difícil para alguém marcar golos!

A França está com toda a justiça na final, a Alemanha foi bastante melhor na primeira parte mas não soube reagir à adversidade, que nasceu de um erro próprio e logo do seu jogador mais experiente. E não satisfeitos, ainda entregaram o 2ºgolo, num lance com uma ingenuidade inexplicável. Arrisco dizer que nem nos melhores sonhos a França pensava que teria uma ocasião destas: não a desperdiçaram e bateram a Alemanha pela primeira vez em jogos oficiais desde 1958.

Na final de Saint-Denis teremos os anfitriões contra Portugal. O retomar de um duelo com muita história em fases finais, até aqui sempre favorável aos franceses. Altura de mudar a novamente a história para Portugal, heróis precisam-se!

Homem do jogo: Antoine Griezmann

03
Jul16

França 5-2 Islândia : domínio avassalador Gaulês!


Pedro Varela

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Acabou a aventura da Islândia no Euro 2016 de França aos pés da Selecção anfitriã. Foi bonito, emocionante e uma surpresa para todos. Vá, não tenhamos receio de o dizer, porque ninguém se atreveria a indicar a Islândia como uma das potenciais oitos selecções a estar presente nos quartos de final.

 

Durante o hino Islandês vimos fantástica imagens dos seus adeptos orgulhosamente a cantar e a sentir um momento único de um pequeno país. Em Saint-Dennis estavam presentes 3% da população. Claro que o futebol que apresentaram, principalmente hoje, dificilmente serve para bater os principais candidatos à vitória final e no único teste contra um deles, quando as coisas correm mal, a catástrofe pode estar próxima. Mas, não podemos deixar de referir que estes últimos 12 anos neste país nórdico foram absolutamente vitais para a evolução que o futebol assistiu no país e que hoje tive um final "feliz" em França.

 

Entre infra-estruturas que foram construídas de raiz para a prática de futebol, a treinadores de futebol qualificados pela UEFA, 1 para 500 jogadores, em Inglaterra é de 1 para 5.000, a equipas que se prepararam afincadamente para este momento, como é o caso de Breidablik nos subúrbios de Reykjavík, que tornou-se no melhor centro de jovens futebolistas do país e que contribuíu com 4 jogadores para os 23 desta Selecção, a Selecção da Islândia foi a grande surpresa do Euro mas a sorte está muito longe de ser o grande responsável pelos 5 jogos que realizou no Europeu.

 

O jogo de hoje para os Franceses era acessível, mas não podiam facilitar. Deschamps trocou Kante por Sissoko no meio campo e no centro da defesa colocou Umtiti no lugar de Rami.

Do lado contrário, a Selecção Islandesa apresentou o mesmo 11 titular, repetiu-o por 5 vezes, algo que nunca tinha acontecido em fases finais desta competição.

 

A entrada absolutamente violenta da França que até aos 20 minutos marcou dois golos, Giroud e Pogba, praticamente selou a qualificação para a meia final. Os Islandeses demoraram a reagir, só aos 24' tiveram a primeira oportunidade por Böðvarsson, mas, a característica que os tinha diferenciado nos quatro anteriores jogos, meio campo combativo não estava a funcionar. Era uma França dominadora e que em dois minutos voltou a marcar mais dois golos já perto do intervalo. Payet faz o 3-0, chegando nessa altura a igualar os melhores marcadores do Euro, mas Griezmann tinha outros planos e isolava-se como novo líder dos goleadores. Aliás, nos últimos 8 golos da França, Griezmann esteve em 6 deles: marcou 4, assistiu 2.

 

A segunda parte começa com duas mexidas na Selecção da Islândia, entravam Ingasson para a defesa e Finnbogason para o ataque. E ainda se sorriu nas bancadas dos adeptos do país dos vulcões quando Sigthórsson reduziu para 1-4. Sol de pouca dura, Payet, no minuto seguinte, marca um livre a mais de 35 metros da baliza e Giroud na alturas, tudo corria mal aos jogadores Islandeses, atirava para o fundo das redes com Halldórsson mal batido.

 

Deu tempo para Deschamps descansar alguns jogadores, já a pensar no embate diante da Alemanha, em jeito de final antecipada. A 7 minutos do final do jogo, Bjarnason, que já tinha marcado a Portugal, fixou o resultado final.

 

Dizem que o sonho Islandês terminou. Não concordo. Isto foi bem real e todos que os defrontaram estavam com os olhos bem abertos. A França, como candidata à vitória final no Euro, não facilitou e puxou dos galões para evitar qualquer tipo de surpresa!

 

Homem do jogo: Giroud

 

03
Jul16

Alemanha 1 - 1 Itália (6-5 em Grandes Penalidades): O Fim da Maldição Italiana Sobre a Alemanha


J.G.

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Foi mesmo uma espécie de final antecipada com golos, prolongamento, penaltis, emoção e final histórico. Pela primeira vez a Alemanha elimina a Itália numa fase final de um Euro ou Mundial. Foi muito sofrido mas os campeões mundiais abateram mesmo a sua besta negra.

 

Vale a pena recuperar o começo da partida que pode não ter sido muito espectacular em pormenores técnicos mas foi gigante em termos tácticos. Desde logo com a Löw a surpreender ao apostar num 3-5-2 deixando de fora o melhor jogador da eliminatória anterior, Draxler. O treinador alemão mostrou ter compreendido muito bem o sucesso dos azuis contra os ainda campeões europeus espanhóis e não hesitou em mexer no seu sistema táctico. Basicamente, criou um espelho à táctica preferida de Conte e anulou qualquer vantagem que os italianos pudessem ter a meio campo. Löw também percebeu que a posição "6" de Itália sem De Rossi teria que viver de improviso e o facto da equipa italiana estar quase toda condicionada com cartões amarelos que ameaçavam os jogadores de perderem uma meia final foi bem explorado.

 

Por seu lado, a Itália não se mostrou muito incomodada com a aposta táctica alemã e mostrou-se confortável na sua postura defensiva baseada naquele autêntico muro formado pelo trio Barzagli, Bonucci e Chiellini. 

As equipas encaixaram-se no tal espelho de sistemas e a um ataque mais paciente, organizado e de posse de bola da Alemanha, os italianos respondiam com transições rápidas sempre procurando a velocidade de Eder e o posicionamento forte de Pellè. 

Acabou por ser uma primeira parte muito interessante embora sem grande oportunidades devido a anulação defensiva mutua.

 

Na 2ª parte a Alemanha assumiu ainda mais as despesas do jogo e estabilizou após o sobressalto de ter perdido cedo no jogo Khedira por lesão, Schweinsteiger na parte complementar entrou bem no jogo. A Itália acusava a pressão e o crescimento alemão na partida. Florenzi negou de forma acrobática o primeiro golo e Buffon ia chegando para tudo o que o seu trio de centrais não varria. Em 4 minutos, três italianos viram cartão amarelo anunciando o que aí vinha.

Aos 65' a Alemanha consegue criar desequilíbrios no lado esquerdo do seu ataque, enorme desmarcação de Gómez pela esquerda, o avançado deixa para Hector, que cruza rasteiro para Özil concretizar, sem hipótese para Buffon.

Era uma vantagem merecida para quem mais procurou ganhar. 

 

Esperava-se forte resposta transalpina mas foi a equipa de branco e preto a continuar por cima e só não resolveu o jogo porque Buffon mostrou toda a sua qualidade com uma defesa lendária que manteve a Itália em jogo.

O capitão italiano não só negou um golo fabuloso a Gómez com ainda motivou a sua equipa a ir à procura do golo. Pellè não conseguiu, pelo meio Gómez também sai lesionado dando o lugar a Draxler. Mas foi Boateng a ressuscitar a Itália com uma abordagem ridícula na sua área com os braços levantados mesmo a pedir que a bola lhe tocasse e desse penalti. Foi o que aconteceu. Bonucci agradeceu e empatou.

Um jogo que a Alemanha tinha na mão acaba por ir para prolongamento e o fantasma da tradição que apura sempre os italianos voltou forte.

 

Mesmo sem grandes oportunidades, o rigor táctico esbatia-se por esgotamento físico e o jogo ameaçava cair para qualquer lado se alguém fraquejasse num momento certo. Não aconteceu e tudo se ia decidir nos penaltis.

Conte lançou no prolongamento Insigne e Zaza, o último, claramente, como trunfo para os penaltis.

Löw só mexeu mesmo por obrigação de lesões e ficou com uma substituição por fazer ao fim de 120' dando sinal claro de confiança para os que jogaram.

 

A Alemanha é conhecida por não perder jogos em penaltis mas como do outro lado estava a Itália a emoção durou até ao fim.

Müller, Özil e Schweinsteiger falharam os seus penaltis, coisa tão rara que os adeptos alemães temeram o pior mais do que uma vez. Mas Zaza, Pellè e Bonucci não fizeram melhor, para Darmian deitar tudo a perder. Hector marcou o penalti decisivo e lançou a Alemanha para as meias finais.

A vitória fica bem aos campeões do mundo que procuraram mais o golo mas Buffon não merecia sair assim deste Euro. 

Com a besta negra abatida, a Alemanha é mais candidata que nunca.

 

 

01
Jul16

País de Gales 3–1 Bélgica: O fado do maestro Ramsey


RSolnado

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Segunda partida dos quartos-de-final entre duas formações à procura de um apuramento histórico, embora a Bélgica tenha sido finalista há 36 anos. Os treinadores mexeram nas equipas, Coleman manteve os “10” base e mudou Vokes por Robson-Kanu, do outro lado duas mudanças forçadas na defesa e uma por opção no ataque. E foi a defesa belga que deu muitos problemas a Wilmots e custou-lhe a eliminação. Mas já lá vamos.

Naquela que foi uma das melhores primeiras partes do Euro até ao momento, foram os belgas a entrar melhor, mais incisivos e mais esclarecidos nas suas acções,  logo aos 3 minutos uma transição rápida resultou numa tripla ocasião de golo, mas Carrasco e Meunir viram os seus remates bloqueados e Hazard viu o seu desviado para canto. Era um aviso, que não teria continuidade até aos 13’, quando Nainggolan fez um golaço num tiro de fora da área. Fica em dois dos golos mais bonitos do Euro, se nos lembrarmos do golo contra a Suécia.

Um quarto de hora de jogo a Bélgica estava nas suas sete quintas, saindo na transição rápida com perigo aos 25’ já tinha “arrancado” 3 amarelos a 5 dos defesas de Gales. Havia alguma curiosidade para ver como Gales iria reagir em desvantagem, mas os homens de Coleman mostraram uma frieza e uma organização impressionantes. Assumiram o jogo e trocaram a bola sem rodeios, sempre com Ramsey a assumir a batuta, e foram explorando as debilidades da defesa belga, em particular Jordan Lukaku. Avisaram primeiro, num jogada de Ramsey pela esquerda (lá está) a cruzar para Taylor rematar para monstruosa defesa de Courtois.

Aos 30’ veio o golo do empate, canto de Ramsey e terrível defesa zonal da Bélgica com Jordan Lukaku e Denayer a deixarem o capitão Ashley Williams entrar de rompante para um cabeceamento fulminante, mais parecia um remate com o pé. Loucura nas hostes galesas. Bale em grande cavalgada iria rematar de pé direito fraco, mas até ao intervalo ficou a clara sensação de que eram os belgas com pressa de chegar o tempo de descanso.

E mais ficou essa ideia quando das cabines veio a mudança, saiu Carrasco e entrou Fellaini. Reforço do meio-campo e do jogo aéreo, mas vou admitir que Dembelé estará mesmo lesionado (estava no banco, sem meias de jogo), pois já se sabe que Fellaini geralmente só atrapalha, e hoje não foi excepção.

A Bélgica começou forte na segunda parte, um pouco à imagem da primeira, e Hazard e De Bruyne ameaçaram o golo. Mas foi Gales a marcar aos 55 minutos. E numa jogada desenhada na perfeição: Bale no passe para o espaço a meio-campo, Ramsey a desmarcar-se e tirar um contrário do caminho (Jordan Lukaku novamente nas covas), cruzamento para a área onde as dobras não funcionaram, Fellaini muito passivo a abordar o lance, Meunier e Denayer muito ingénuos a serem enganados por uma rotação de Robson-Kanu, que celebrou o seu primeiro dia de desemprego com um golo nas meias-finais do Euro!

E este golo fez mossa nos belgas, que não esboçaram reacção. Muita posse de bola mas inconsequente, e Gales a fechar-se cada vez mais, encantando da vida e muito concentrado na sua missão. Só a partir do minuto 75 a Bélgica, já no desespero, começou a criar perigo, nomeadamente de cabeça. Saíram os Lukaku’s, tarde demais. A saída de Jordan para entrada de Mertens deixou a equipa em 3-3-3-1, e a saída de Romelu só aos 83 minutos causa estranheza já que passou completamente ao lado do jogo.

Pelo meio terrível notícia para o País de Gales. Já tinham perdido Ben Davies, agora ficavam sem Aaron Ramsey para o jogo das meias-finais. E é uma baixa de peso, Ramsey e Bale são os 2 jogadores acima da média nesta equipa, e não têm substituto à altura. E Ramsey alimenta o jogo todo de Gales, hoje fez 2 assistências, tem mais 2 na prova e 1 golo.

No desespero belga, e para por ponto final num belo jogo de futebol, e também para deixar mais uma marca neste verdadeiro conto de fadas de Gales, surgiu o 3x1 aos 85’. Cruzamento perfeito de Gunter da direita e cabeçada irrepreensível do suplente Vokes (tinha rendido Robson-Kanu) para acabar com as dúvidas. Triunfo justíssimo do País de Gales, sublinhado em campo e no resultado.

O País de Gales chega às meias-finais na sua primeira participação em Europeus. E agora, mesmo sem o maestro Ramsey, irá lutar com tudo contra Portugal por um lugar na final. E diga-se que, apesar da campanha acidentada, Portugal é claramente favorito nesta meia-final.

Homem do jogo: Aaron Ramsey.

30
Jun16

Polónia 1-1 (4-5, GP) Portugal: Entregaram-se à sorte, sorriu Portugal.


RSolnado

Abertura dos quartos-de-final, a Polónia com o seu 11 de gala, Portugal com o 5º onze diferente em 5 jogos e com Renato Sanches pela primeira vez titular, no lugar de André Gomes, uma de duas trocas relativas ao último jogo, também Raphael Guerreiro saiu por lesão, reentrando Eliseu.

E foi uma entrada em falso de Portugal. Nem 2 minutos de jogo iam concluídos, passe longo de Piszczek a variar o flanco, abordagem infantil de Cedric a deixar a bola bater no chão e passar-lhe por cima, Grosicki ficou com via aberta no corredor, cruzou para área e Lewandowski a finalizar de primeira antecipando-se a William, que não chegou a tempo da dobra já que os 2 centrais foram arrastados por Milik.

Um golo tão madrugador num jogo dá sempre algo de diferente a um jogo, e os polacos sentiram-se bastante confortáveis nos minutos seguintes, perante uma equipa contrária que acusou o golo, muitos passes errados, muitas decisões precipitadas e pouca lucidez no jogo. Algumas tentativas de remate, mas sem direcção ou perigo. Renato era o único jogador a transportar bola e tentar variar o jogo, jogando com um à vontade de quem faz isto há muitos anos, e afinal tem 18 anos. Como dissemos na antevisão do Euro aqui no Parque, a sua força e poder de explosão permite impor uma velocidade e intensidade no jogo que mais ninguém pode oferecer.

Do outro lado na tentativa de resposta rápida, muitas vezes potenciada por um ataque português desorganizado, a Polónia tentava criar perigo. Lewandowski ameaçou aos 17’, Grosicki teria nova incursão pela esquerda cortada por Pepe. Do outro lado o primeiro remate enquadrado chegou aos 28’ por Ronaldo, fraco e à figura.

Aos 33’ minutos surgiu o golo do empate, o mais inconformado até ao momento foi feliz, Renato recebeu na direita, flectiu para o meio fazendo a tabelinha com Nani (que classe de assistência com o calcanhar), e rematou depois de puxar para o pé esquerdo para o fundo da baliza de Fabianski. Tudo empatado, jogo em aberto. Até ao intervalo, Portugal mais tranquilo em campo e uma Polónia a gerir o estrago causado pelo golo do empate.

O segundo tempo começou mais refreado que o primeiro, muito por culpa do posicionamento demasiado aberto de Renato na direita e João Mário na esquerda, ficando demasiado tempo fora do jogo. A Polónia atacou pela certa, e sem muito perigo. Aos 49’ Lewandowski antecipou-se a Cédric mas Patrício defendeu com segurança. Aos 61’ respondeu Cédric com um tiraço de longe. Aos 67’ Milik antecipou-se a Pepe (sinceramente na única distracção na exibição magistral no comando da defesa) e rematou para grande defesa de Patrício.

Os treinadores começaram a mexer no jogo, Moutinho rendeu Adrien e Quaresma rendeu João Mário, do outro lado Kapustka rendeu Grosicki. De bola parada Fonte assustou Fabianski, e a grande passe de Moutinho, Cristiano Ronaldo falhou na bola, irreconhecível na finalização.

O jogo foi correndo e todos perceberam que iria a prolongamento. E os 30 minutos adicionais foram um arrastar de uma segunda parte onde as equipas se entregaram à sorte da lotaria das grandes penalidades, com alguns remates mas nem um lance de real perigo.

No desempate, todos os jogadores que bateram enganaram os guarda-redes até à oitava grande penalidade: Kuba rematou para a sua direita, voou Patrício para uma enorme defesa a um mão. Quaresma converteu o penalty decisivo e colocou Portugal nas meias-finais. Está igualada a prestação de 1984, 2000 e 2012. E ainda sem uma vitória em 90 minutos…

Melhor em campo: Renato Sanches

27
Jun16

Inglaterra 1-2 Islândia : heróis vulcânicos!


Pedro Varela

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♫♫

Small island is on fire
Big island is terrified
NA NA NA NA NA NANA NANA NANANA

♫♫

 

Acabamos de assistir a história do futebol mundial, verdade seja dita, o Europeu de 2016 já valeu pelo que há momentos se passou em Nice. A Islândia, com pouco mais de 300 mil habitantes, venceu a Inglaterra e eliminou-a da competição, uma nação que tem mais de 8 milhões de pessoas a praticar futebol, e pelo que assistimos em campo não foi um escândalo!

Se a passada semana tinha sido, a nível político para os ingleses um adeus à Europa, a Selecção em campo não quis ficar atrás e seguiu os passos da maioria que votou pela saída do Reino Unido da Europa. Já se fala da possibilidade da Selecção dos "Três Leões" passar a "Três Gatinhos" agora que se isolaram do velho do continente. A acompanhar!

 

Roy Hodgson fez um campanha incrível de qualificação, em 10 jogos conseguiu 10 vitórias. Qualificou-se para os oitavos de final sem fazer um jogo verdadeiramente de possível candidato. Hoje operou 5 substituições, diria que todas elas previsíveis Rose, Sterling, Kane, Rooney e Alli, pois o jogo da terceira jornada serviu para poupar jogadores, mas continuou a praticar um futebol medonho.

Do lado Islandês, Lagerbäck manteve o 11 titular que venceu na última jornada a Áustria. É caso para perguntar, percebem porque a Islândia lutou para vencer esse jogo sabendo que iria encontrar a Inglaterra? A resposta na vitória de hoje!

 

A derrota da Inglaterra, que diga-se de passagem, é completamente justa, ainda é mais acentuada e frustrante para os Ingleses, quando aos 4 minutos Rooney marca o 1-0 de grande penalidade. Era complicado começar de melhor forma.

Mas, como sabemos, Islândia é o país do vulcões, os jogadores estavam adormecidos mas a erupção estava para começar. O primeiro abalo foi logo aos 6 minutos com Gunnarsson a fazer um lançamento longo para Árnasson que coloca a bola na área e Sigurdsson marca o golo do empate.

E como bem sabemos da actividade vulcânica, depois das tremideiras iniciais, a lava explode e vem por aí abaixo, e numa jogada bem trabalhada à entrada da área Inglesa, ninguém pressiona Sigthórsson que atira para o fundo da baliza de Hart, que deixa a ideia de ser mal batido!

 

A partir deste momento, com a lava a expandir-se a toda a velocidade, bem sabemos que é difícil parar este movimento. O intervalo chegou com um aviso muito sério: já só faltavam 45 minutos para recambiar os ingleses de volta para a ilha!

 

E o que fez Roy?

 

Tira Dier e coloca Wilshere. A Selecção Inglesa continuou apática, sem fio de jogo, sem a minha noção de como livrar-se da camisa de forças em que estava metida. Deu pena ver Rooney completamente desgastado por ter actuado quase 90 minutos fora da sua melhor posição, ou Kane a enviar bolas para fora como quem está em dia de apresentação num novo clube a mandar bolas para os adeptos nas bancadas e Vardy que entrou e quase sem jogo, sem oportunidades, sem bola, tal eram as fracas assistências dos seus companheiros. O momento "malucos do riso" é lançar Rashford com o jogo mesmo a terminar e já desesperado numa óptica de "pode ser que dê!"

 

Não quero com isto tirar o mérito da Islândia. Que força da natureza neste Europeu nos lances de bola pelo ar, e até pelo chão, que os seus jogadores empregam em cada lance. Tudo é uma batalha, um duro embate como se própria vida dependesse da bola que se vence. E depois, tivemos Sigurdsson. Batalha, batalha, marca o golo, atira de pontapé de bicicleta, batalha, remata e ficamos cansados de o ver em campo. Mas felizes, porque aquilo é tudo genuíno!

 

Uma Selecção que empata com Portugal, vence à Áustria e Inglaterra, merece continuar a maravilhar o mundo do futebol, dentro de campo com um futebol aguerrido e fora de campo com o apoio incrível dos seus adeptos.

 

A Inglaterra volta à estaca zero. Desilusão incrível, Roy Hodgson já se demitiu!

 

Homem do jogo: Sigurdsson

 

27
Jun16

Itália 2-0 Espanha: Supremacia total


RSolnado

Jogo grande do cartaz dos oitavos de final, entre os finalistas de 2012. A Espanha apresentou a mesma equipa dos três primeiros jogos, do lado italiano Candreva lesionado foi rendido por Florenzi, De Sciglio o escolhido para jogar à esquerda.

Logo no primeiro minuto se percebeu a tal surpresa que Conte tinha preparada para a Espanha. Uma pressão feita logo à saída da área contrária, e sempre com Pellé a condicionar Busquets. Não respirava a Espanha, optando por sair em jogo directo, onde as torres italianas e da Juventus davam conta do seu antigo colega Morata. Durante a primeira parte a Espanha não conseguiu chegar à área contrária uma única vez em posse de bola.

Sem espanto, foi a Itália a criar perigo ainda nos primeiros dez minutos De Gea respondeu com uma grande defesa a um cabeceamento de Pellé e depois a uma bicicleta de Giaccherini, anulada por falta (que falta?) pelo árbitro turco. Sem se distrair e mesmos abrandando um pouco a profundidade da sua pressão, a Itália continuava com a Espanha no bolso.

E ofensivamente, com processos simples mas eficazes, o perigo espreitava. Sergio Ramos ficou perto de um auto-golo perto da meia-hora, e logo a seguir fica ligado ao primeiro golo do jogo. Falta em zona proibida, livre em posição frontal. Éder bateu forte e De Gea procurou agarrar mas o remate levava fogo, má decisão do GR espanhol, no ressalto toda a defesa foi muito lenta e o golo chegou: do pé de Gea contra a perna de Giaccherini, sobrou para Chiellini, que perdeu a final de 2012 por lesão, encostar para golo.

Teria de reagir a Espanha, e conseguiu então o seu único remate da primeira parte – e mais pareceu um passe a Buffon. Sem reagir, a Espanha só não foi em maior desvantagem para o intervalo porque De Gea voou para travar o remate de Giaccherini. A Itália respirava confiança na saída para o intervalo.

Del Bosque tirou Nolito e lançou Aduriz. Agora com 2 avançados para jogar na área, aguardavam-se as mudanças. E até arrancou a pressionar, e de bola parada Morata cabeceou à figura. A Itália baixava um pouco as linhas, mas mantendo-se bem posicionada e condicionando a acção de Busquets e Iniesta. A de Fabregas não era preciso condicionar, como é que Thiago não saiu so banco?

Aos 55’ o contra-ataque italiano quase resolvia o jogo, Éder isolou-se mas De Gea com uma enorme mancha voltou a deixar a equipa no jogo. O jogo espanhol só abanou com a entrada de Lucas (saiu Morata), que tentou dar nova dinâmica. Numa das poucas boas jogadas colectivas, Aduriz rematava ao lado.

Seria a hora de Buffon, sim a Itália estava muito bem mas há momentos em que o guarda-redes diz presente, aos 75’ negou o golo a Piqué com um voo a remate exterior, e aos 84 ‘ fez uma defesa soberba a cabeceamento do central do Barcelona. Conte tinha refrescado a equipa e no começo do período de descontos, o golpe final. Darmian a subir e aproveitar o caos na defesa contrária, cruzamento a desviar num defensor mas a não sair da rota de Pellé, que rematou em volley tal como contra a Bélgica.

Ponto final, adiós a uma Espanha que entrou bem no Euro mas não encarou o jogo com a Croácia com a seriedade devida, e “emparelhou” com uma Itália que já todos tinham visto estar forte. Conte quer sair em grande, e agora terá novo grande desafio pela frente: A Alemanha. Se a Alemanha ainda não sofreu golos, a Itália “titular”, com Buffon e companhia, também não.

Vamos ter um novo campeão da europa.

Homem do jogo: Buffon (em nome de toda a equipa, e com menção honrosa a De Gea que manteve a Espanha no jogo).

26
Jun16

Bélgica 4-0 Hungria : a melhor geração Belga de sempre?


Pedro Varela

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Bélgica e Hungria defrontaram-se nos oitavos de final do Europeu e havia duas dúvidas para esclarecer. Será esta a melhor geração Belga de sempre? A Hungria valia tanto como o primeiro lugar do grupo de Portugal demonstrou?

 

Wilmots quase não mexeu no 11 titular, apenas retirou Carrasco e colocou Mertens em campo. Do outro lado, Storck faz 3 substituições, uma delas a acontecer no aquecimento por lesão de Kleinheisler e fez entrar Nagy, Kadar e Pintér.

 

A primeira parte é claramente dominada pela Bélgica. O aviso chegou cedo aos seis minutos por Lukaku e Király a defender para canto. Foi uma constante batalha entre os jogadores da Bélgica e o guardião Húngaro e não foi preciso esperar muito até ao primeiro golo aos 10' por Alderweireld. Uma fortíssima cabeçada indefensável!

De Bruyne estava imparável, tinha assistido no primeiro golo,  com uma dinâmica ofensiva e relativa facilidade para driblar os adversários, muitas vezes com o caminho completamente escancarado em direcção à baliza contrária, mas, as oportunidades ou esbarravam em Király ou eram desperdiçadas com remates fora do alvo.

 

Foi preciso esperar pelos 16' e um falhanço de Courtois, que escorregou, e a bola não entrou porque não levava a direcção da baliza, para se ver uma oportunidade da Hungria.

Com metade do jogo decorrido na primeira parte, a Bélgica já tinha conseguido uma mão cheia de oportunidades, do outro lado Dzsudzsák rematava de longe numa tentativa de inverter o rumo do encontro.

A mobilidade Belga estava a despedaçar o meio campo Húngaro, Nagy e Gera não conseguiam entender-se, Pintér estava muito desequilibrado e sem percepção da sua posição em campo, as oportunidades da Bélgica iam sucedendo-se. De Bruyne atira à barra aos 35', ainda desviada por Király, e Mertens mesmo a terminar a primeira parte falha escandalosamente o segundo golo.

O intervalo chega com justiça no marcador, mas ficava no ar aquela incerteza de "quem não marca, arrisca-se a sofrer"!

 

A segunda parte começa com uma substituição na Hungria, Gera perdido em campo saía para entrar Elek. Mas foi Hazard que começou a abrir o livro com nova oportunidade e excelente defesa de Király!

 

A Hungria ainda reagiu, Szalai que foi dos mais inconformados na segunda parte, podia ter empatado aos 53'. E é verdade que Pintér e Juhász também tiveram boas oportunidades para relançar o jogo. O momento da viragem aconteceu quando Wilmots colocou Batshuayi, estreia absoluta no Europeu, no lugar de Lukaku e não demorou 2 minutos a marcar o segundo golo da Bélgica. 

O jogo para a Hungria acabou nesse momento!

 

Ainda festejavam os diabos belgas o segundo golo, já Hazard marcava um dos melhores golos do Europeu, num jogada fantástica e Carrasco iria fechar o resultado do jogo já em período de descontos. A vitória da Bélgica é a maior goleada do Euro até ao momento.

 

Será esta geração Belga a melhor de sempre? Volto à questão inicial. É sem dúvida uma das mais entusiasmantes e com um conjunto de jogadores capaz de empolgar qualquer adepto de futebol Diria que Wilmots terá que mostrar se é capaz ou não de levar a máquina a bom porto e, do lado em que se encontram no caminho para a final, acredito que pensarão e muito na final de Paris.

Já a Hungria não é aquilo que, por exemplo, Fernando Santos achava, e foi, com alguma naturalidade afastada perante um adversário tecnicamente superior. Hoje sem ressaltos, foi mais complicado!

 

Homem do jogo: Eden Hazard