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Parque dos Príncipes

Espaço dedicado à cobertura do Campeonato Europeu de Futebol de Selecções a decorrer em França de entre 10 de Junho e 10 de Julho

Parque dos Príncipes

Espaço dedicado à cobertura do Campeonato Europeu de Futebol de Selecções a decorrer em França de entre 10 de Junho e 10 de Julho

11
Jul16

Portugal 1-0 França, visto por Ricardo Solnado


RSolnado

Decidimos que cada autor do Parque fará a sua crónica da final. Ainda não recomposto dos festejos, atiro-me de cabeça para a tentativa de fazer uma crónica mais objectiva de um jogo carregado de emoções.

Lançamento das equipas, a França com o mesmo 11 dos últimos 2 jogos, Portugal a fazer regressar os ausentes nas meias-finais, Pepe e William. O jogo começou animado, e depois de três remates chegou o primeiro momento tenso da noite: uma carga dura de Payet sobre Cristiano Ronaldo deixou o capitão português lesionado, e depois de alguns minutos a tentar o impossível, teria mesmo de deixar o terreno de jogo. Perdeu Portugal, mas perdeu o futebol.

Decorridos 10’ primeira grande ocasião de golo: Payet lançou na área e Griezmann cabeceou para grande defesa de Rui Patrício. O guarda-redes da selecção nacional iria iniciar uma noite de sonho, com sete defesas completas, algumas delas bem difíceis e sempre seguro no jogo aéreo. E sim, para ganhar 1x0 frente a uma selecção favorita o guarda-redes tem de fazer uma exibição fantástica. E fez!

Nos minutos seguintes Portugal procurou suster a cavalaria francesa, muito por culpa de Sissoko cujas cavalgadas criaram algumas dificuldades. Valeu a pontaria desafinada do médio do Newcastle… A França podia dizer-se que tinha mais iniciativa na primeira parte e conseguia chegar mais vezes ao ataque, ainda que sem muitas ocasiões claras de golo. Portugal, reorganizado em 4x3x3 depois de saída de Ronaldo, manteve a postura expectante durante o primeiro tempo.

A segunda parte começou morna e sem grandes ocasiões novamente, sentia-se a tensão do jogo e também algum cansaço, quer físico quer psicológico. A troca de Payet por Coman logo aos 57’ foi um sinal disso, e Coman agitou o jogo para o lado da equipa da casa, deixando a defesa portuguesa em cuidados. Mas sempre muito eficaz nas suas acções, Patrício voltou a negar o golo a Griezmann aos 58’ e aos 66’ o camisa 7 gaulês teria uma grande perdida, ao direccionar o cabeceamento por cima da trave.

Portugal tinha reagir e veio do banco a resposta com duas substituições separadas por 12 minutos mas que podiam ter sido imediatas: Moutinho rendeu Adrien, Éder rendeu Renato Sanches, passando João Mário para o trio de meio-campo e podendo Nani e Quaresma jogarem como extremos. A entrada de Éder foi decisiva, mas não foi só no prolongamento. Fisicamente mais disponível que a maioria dos jogadores em campo, ganhou muitos duelos, “sacou” faltas, e deu referência para o jogo lateralizado da equipa de Fernando Santos.

Aos 80’, um cruzamento falhado de Nani quase dava em golo, grande defesa de Lloris que parou também a recarga acrobática de Quaresma. Respondeu Sissoko com mais uma cavalgada e desta feita um grande tiro para um voo de Patrício para a defesa da noite.
O jogo caminhava para o final e pela primeira vez íamos ter uma final de Euro com 0x0 ao cabo de 90 minutos. E tivemos mesmo, porque os deuses estiveram com Portugal, aos 90+2’ grande trabalho de Gignac (que havia rendido Giroud) na área, tudo bem feito mas o remate a embater no poste da baliza de Portugal!

O prolongamento não foi fácil para nenhuma das partes, o jogo endureceu com bastantes faltas, na altura em que a fadiga física e mental se apoderava dos jogadores. E apoderou-se mais dos franceses, e o tempo-extra foi a melhor altura de Portugal em jogo.

Aos 108’, o aviso: livre directo superiormente executado por Raphael Guerreiro a embater com estrondo na trave. No minuto seguinte, o momento de história: Éder recebeu de Moutinho, galgou alguns metros naquele jeito dele e mesmo de longe encheu-se de fé e atirou à baliza contrária, o remate saiu cruzado e forte, batendo no chão mesmo à frente de Lloris que viu a bola passar por cima da sua mão. Sem hipóteses! Loucura total no banco de Portugal!

Faltam 12 minutos, onde como convinha a Portugal pouco se jogou. A França em desespero e sem esclarecimento algum arriscou tudo, mas até para fazer “chuveirinho” é preciso alguma razão. Pepe e Fonte foram limpando tudo, tal como Patrício. Portugal defendeu com todos, até ao apito final que soltou a festa.

Está vingada a final do Euro 2004, está feito o que ainda não tinha sido feito. Portugal é campeão da Europa, Portugal vai estar na Taça das Confederações em 2017, Fernando Santos e os seus jogadores fazem história. É o primeiro 3ºclassificado da fase de grupos a ganhar a competição, em sete jogos somente ganhou um em 90 minutos. Mas levou a Taça para casa, e é isso que conta. E num Euro com somente 108 golos em 51 jogos, uma final decidida com um só golo pelo mais improvável dos heróis, no tempo extra e contra a equipa da casa é como que o epílogo perfeito para um mês intenso de futebol.

Homem do jogo: Rui Patrício

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