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Parque dos Príncipes

Espaço dedicado à cobertura do Campeonato Europeu de Futebol de Selecções a decorrer em França de entre 10 de Junho e 10 de Julho

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Espaço dedicado à cobertura do Campeonato Europeu de Futebol de Selecções a decorrer em França de entre 10 de Junho e 10 de Julho

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Jun16

Inglaterra 2-1 País de Gales: E tudo o banco mudou!


RSolnado

 

 

Roy Hodgson manteve o mesmo onze do jogo contra a Rússia, Coleman fez regressar os consagrados Hennessey (à baliza) e Ledley, e promoveu a titularidade do herói do primeiro jogo, Robson-Kanu. Manteve a organização da equipa em 5-3-2.

A primeira parte foi um enorme bocejo, fruto da previsibilidade do jogo da Inglaterra e da postura defensiva e organizada do País de Gales. Harry Kane perdido entre os 3 centrais contrários, Lallana e Sterling sem desequilibrarem, e a meio-campo tudo controlado de parte a parte. É certo que o jogo podia ter sido diferente se logo aos 7 minutos Sterling tivesse a capacidade de finalização que, por exemplo, Schweinsteiger já mostrou neste Euro; num lance com algumas semelhanças finalizou de primeira depois de um cruzamento de primeira de Lallana, mas de forma terrível.

De resto só de bola parada a Inglaterra causou algum perigo, curiosamente em dois lances cobrados por Rooney para os centrais. Num livre apareceu Cahill a cabecear à figura, num canto Smalling cabeceou ao lado. Muito pobre, muito fraco, muito mau.

Para castigar esta inércia, apareceu Gareth Bale ao minuto 42. Livre directo de muito longe, uns bons 30 metros da baliza, remate com força e efeito a ultrapassar a ténue barreira (3 elementos), Hart estava posicionado para o lado direito da baliza e a ver claramente a bola, deu dois passos ao lado voou e defendeu… para dentro da baliza. Que grande frango do guardião inglês, que deveria ter defendido a bola com facilidade.

Estava dado o mote para a segunda parte, pois a Inglaterra tinha de mudar tudo… e mudou. Ficaram Kane e Sterling no balneário, entravam Vardy e Sturridge. E desde cedo se percebeu que a dinâmica ia ser bem diferente, nomeadamente pela acção de Sturridge, muito mais consequente do que Sterling. Rooney também apareceu mais solto e foi dele o primeiro aviso, aos 55’ bom trabalho e remate para excelente parada de Hennessey.

O País de Gales recuou no terreno, instalando o autocarro na sua área. Neste modelo em que passam 16 equipas de 24 às eliminatórias, Gales jogou para o pontinho uma vez que o empate neste jogo deixava a qualificação practicamente garantida. Logo a seguir ao aviso de Rooney, veio o empate. Na insistência após uma bola parada, Sturridge cruzou da esquerda e na área um péssimo corte do capitão Ashley Williams permitiu a Vardy fazer um golo simples. Completamente acampado, ficou a dúvida se o ponta de lança teve fé que fosse assistido por um adversário… Para a história fica que estava no sítio certo.

O jogou continuou com um só sentido, só dava Inglaterra. Walker e Rose funcionavam como autênticos extremos esticando e bem o jogo da sua equipa que pese embora trabalhar bem a bola, na hora da verdade tinha dificuldades em decidir bem perante a floresta de Gales montada na grande área. Foi rematando bastante, mas contra a muralha. Aos 72’ o também inconsequente Lallana saiu para entrar o jogador mais novo do Europeu, Rashford. O avançado do Manchester United foi jogar para a esquerda e num par de arrancadas tentou fazer a diferença.

A partida caminha para o fim, e nos descontos fez-se história: Pela primeira vez em fases finais de grandes competições, a Inglaterra conseguiu vencer um jogo depois de estar a perder ao intervalo! O herói só podia ser Daniel Sturridge, o avançado do Liverpool e a jogada decisiva começa nele e numa tentativa de penetração na área, a combinação com o delicioso passe em devolução de Delle Alli de calcanhar para a finalização certeira de Sturridge.

O comedido Hodgson festejou eufórico e suspirou de alívio. A vitória é merecida, e para o decano seleccionador fica a constatação óbvia: ainda ninguém tinha percebido a escolha do 11 inicial para estas duas partidas, foram 135 minutos de futebol inconsequente e provavelmente veremos Sturridge e Vardy a titulares no próximo jogo. Veremos  se Lallana manterá o lugar, ou se com Milner, Wilshire ou Barkley; candidatos não faltam para ser utilizado o meio-campo em losango que deu bons resultados na fase de preparação. O País de Gales pode sair de cabeça bem levantada deste jogo, a qualificação vai ser disputada diante de uma Rússia desesperada e sem ideias.

Homem do jogo: Daniel Sturridge