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Parque dos Príncipes

Espaço dedicado à cobertura do Campeonato Europeu de Futebol de Selecções a decorrer em França de entre 10 de Junho e 10 de Julho

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Espaço dedicado à cobertura do Campeonato Europeu de Futebol de Selecções a decorrer em França de entre 10 de Junho e 10 de Julho

07
Jun16

Europeu de França :: o modelo de 24 Selecções


Pedro Varela

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O Europeu de França é o primeiro com 24 Selecções a participarem. É a quarta vez que o modelo da competição muda ao longo dos mais de 50 anos quando se iniciou, curiosamente, também em França. Será este modelo melhor ou pior? Já lá vamos, primeiro um pouco da sua evolução ao longo dos anos.

 

A 4 equipas

Começou em França/60 com eliminatórias a duas mãos, "fora" e "casa", até se qualificarem apenas 4 equipas para a fase final e decidirem o título europeu. Neste Europeu falharam a Alemanha Ocidental, Itália e Inglaterra, actuais crónicos nestas andanças. Depois seguiu-se o Espanha/64, com 29 Selecções em jogos fora e casa até se qualificarem 4 equipas. Nessa altura escolhido o anfitrião foi escolhido após se conhecerem as 4 Selecções da fase final, neste caso Espanha e depois seguiram-se as respectivas meias finais e final. O Itália/68 apresentou fase de qualificação a decorrer em 66 e 67, a fase final de 4 Selecções, tal como o Bélgica/72 e o Jugoslávia/76, o último europeu neste formato.

 

A 8 equipas

O Itália/80 inaugura o modelo de 8 Selecções com 2 grupos de 4 equipas em que apenas o vencedor se qualificava directamente para a final. Bélgica vs Alemanha decidiram o campeão no Olímpico de Roma, os Germânicos foram campeões. O França/84 com Portugal sofre uma ligeira alteração em relação ao seu antecessor, nos 2 grupos de 4 equipas qualificavam-se para as meias finais os dois primeiros de cada grupo. Este modelo vigorou no Alemanha/88 e no Suécia/92. Este Europeu da Suécia apresentava a Alemanha unificada pela primeira vez, a Dinamarca no lugar da Jugoslávia, fustigada pela guerra e a CEI, Comunidade dos Estados Independentes, que envolviam 11 estados da antiga União Soviética. Foi também o último Europeu com fase final de 8 equipas.

 

A 16 equipas

O Inglaterra/96 é o início das fases finais com 16 Selecções. Com 4 grupos de 4 equipas, as 2 primeiras a qualificarem-se para os quartos de final. Seguiu-se o Bélgica/Holanda/2000, Portugal/04, Áustria/Suíça/08 e o Polónia/Ucrânia/12 neste modelo.

 

Este ano, como referi em cima, o França/2016 marca o início de um novo modelo onde estão presentes 24 Selecções.

É importante começar por referir que foi uma promessa de Platini enquanto Presidente da UEFA. Alargou-se a fase de qualificação a 53 Selecções, a maior de sempre. Significa isto que, para as Selecções favoritas, seria mais fácil a qualificação para a fase final do Europeu. Isso acabou por se verificar, apenas falhando a Holanda, uma surpresa e a Grécia, nem tanto.

 

Ora este modelo traz mais espaço para os estreantes: Albânia, Islândia, Irlanda do Norte, Gales e Eslováquia. Num modelo de 16 equipas, provavelmente, a qualificação destas Selecções era (quase) impossível. 

 

É o primeiro Europeu onde mais de 60% das Selecções que estão presentes, vão-se qualificar para os oitavos de final, ou seja, 16 em 24 Selecções. Com o modelo a trazer para a fase seguinte os terceiros classificados, uma vitória e um empate pode garantir os oitavos de final. Significa que os jogos da última jornada poderão ser muito importantes, principalmente para as pequenas ou menos favoritas Selecções.

 

Mas são estas as verdadeiras razões para o alargamento?

 

Podemos justificar que o dinheiro é um bom argumento!

Mais jogos, são pelo menos 20 jogos a mais para colocar no pacote negocial com operadores televisivos e afins agentes publicitários, são vendidos mais ingressos e por aí fora. O estádios estarão praticamente sempre cheios, logo, os cofres da UEFA terão uma tendência imediata para engordar, mesmo que os prémios monetárias às Selecções tenham aumentado.

 

O modelo a 24 Selecções traz, ninguém poderá discordar, maior diversidade de Selecções ao Europeu, e isso, para fugir à monotonia dos eternos candidatos só poderá ser bom.

Todos adoramos, e queremos, uma boa surpresa!