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Parque dos Príncipes

Espaço dedicado à cobertura do Campeonato Europeu de Futebol de Selecções a decorrer em França de entre 10 de Junho e 10 de Julho

Parque dos Príncipes

Espaço dedicado à cobertura do Campeonato Europeu de Futebol de Selecções a decorrer em França de entre 10 de Junho e 10 de Julho

05
Jul16

E agora, França?


RSolnado

A jogar em casa a França era naturalmente uma das mais prováveis semifinalistas. E tal como o emparelhamento previa, para chegar à final terá de ultrapassar a Alemanha nas meias-finais. As grandes perguntas que se colocam são, estará a França pronta para um grande teste? Será que Deschamps mantém o plano que tão bons resultados deu nos últimos 135 minutos de futebol, ou volta à forma inicial?

Voltemos ao arranque do Europeu. Depois de dois anos a preparar esta competição com jogos amigáveis, Deschamps foi construído uma equipa com base clara em 4-3-3, com um médio mais posicional a dar liberdade a Pogba e Matuidi para auxiliarem o trio da frente. Só que nos primeiros jogos, muito por culpa da forma menos exuberante destes 2 jogadores, a equipa sentiu algumas dificuldades para fazer a diferença na frente. Griezmann demorou a aparecer, foram valendo Payet e Giroud para resolverem os problemas frente às menos cotadas Roménia e Albânia.

O jogo com a Suiça foi para “cumprir calendário”, mas foi nos oitavos de final que tudo começou a mudar. A perder ao intervalo, o treinador fez cair o médio mais defensivo (Kanté) e entrar Coman, passando do 4x3x3 para um 4x2x3x1, com Griezmann a jogar nas costas de Giroud. E esta foi a mudança chave no jogo dos franceses, que não só deram a volta ao jogo com a Irlanda em pouco tempo, como mantendo o plano para o jogo com a Islândia, agora com Sissoko como médio direito, dizimaram umas grandes surpresas da prova em apenas 45 minutos, e sempre com Griezmann. Payet e Giroud em plano de evidência. Dos 12 golos marcados até agora, 11 deles foram apontados por estes 3 jogadores, que também estiveram em 6 deles na assistência final.

Esta nova geração francesa está a dar mostras do seu valor, e lembremos que já no Mundial 2014 tinha deixado boa impressão. Na altura caíram nos quartos ante a Alemanha, que agora reencontram, num jogo muito táctico e fechado, e decidido logo a abrir numa bola parada. O grande dilema de Didier Deschamps neste momento é se mantém o plano que tão bons resultados tem dado à equipa, o 4x2x3x1, ou se volta ao seu 4x3x3 predilecto.

A reentrada de Kanté permitirá controlar melhor as acções de Özil e Kroos, por quem passa todo o jogo alemão, mas pode tirar à França capacidade de improviso e de desequilibrar a defesa contrária. Mais, se Deschamps voltar ao posicionamento incompreensível de Matuidi como interior-direito e Pogba como interior-esquerdo, cortará ainda mais a capacidade da equipa desenvolver jogo ofensivo, ainda por mais com Griezmann a ter de voltar de jogar sobre um flanco, onde o seu rendimento tem sido muito inferior relativamente aos momentos em que joga nas costas de Giroud.

Outra hipótese passaria pela entrada de Kanté por Pogba ou Matuidi, mas seria uma decisão muito mais polémica, e apesar de Deschamps não fugir destas decisões, já teve uma boa quota parte delas ainda antes deste Euro. Mantendo a estratégia actual, Sissoko na direita não é uma solução muito forte ofensivamente, mas do ponto de vista defensivo e na dimensão física do jogo dá muito a equipa e pode vigiar Hector, o lateral alemão de gigante propensão ofensiva.

Defensivamente, a França tem tido alguns problemas. É certo que até ao intervalo do último jogo só tinha consentido 2 golos, ambos de grande penalidade mas 2 lances completamente escusados. Na segunda parte frente aos Islandeses facilitou e sofreu mais 2 golos. Rami estará de regresso, um improvável titular que tem cumprido, mas que poderá ter dificuldades frente a uma Alemanha que sem Gomez irá certamente ter uma frente de ataque móvel.

A jogar em casa, e inspirada pelos feitos do Euro 84 e Mundial 98, a França conta novamente com o seu público para fazer história. É que sendo o primeiro duelo de sempre entre alemães e franceses em Europeus, nos últimos 3 duelos em Mundiais, 2014, 1986 e 1982, foram os alemães que saíram sempre a rir. Só em 1958 a França ganhou à Alemanha em jogos oficiais. E diga-se sem rodeios, se passar a Alemanha a França será a grande favorita a vencer a final de dia 10. Se bem que isso às vezes de nada vale, como ficou provado em 2004.

Chegou a hora da melhor geração do futebol francês dos últimos 15 anos mostrar que está pronta para ficar na história. Veremos se estão prontos ultrapassarem o(s) desafio(s) que falta(m)!